segunda-feira, 7 de abril de 2014

Eduardo Amorim: “O Proredes conta com o meu apoio”



“Se eu fosse deputado, votaria a favor do Proredes, se houver transparência”


Por MAX AUGUSTO



Nesta entrevista concedida ao JORNAL DA CIDADE / BLOG DO MAX o senador Eduardo Amorim (PSC) afirmou pela primeira vez que é favorável ao Proredes – um empréstimo R$ 250 milhões para investimentos na Saúde, que o governo do estado tomará junto ao BID. A única ressalva de Amorim é de que haja transparência no processo e que fique claro onde cada centavo dos recursos serão aplicados. Amorim disse também que não orientou a presidente da Assembleia, Angélica Guimarães (PSC), a não colocar em pauta o projeto, e falou que se fosse deputado, apoiaria sua tramitação – desde que houvesse transparência, insistiu. Leia a seguir a conversa.

 
JORNAL DA CIDADE – O que achou da decisão do prefeito João Alves Filho, em permanecer na Prefeitura de Aracaju?

Eduardo Amorim – Agora posso externar que tive uma conversa com ele há quase duas semanas. Disse ao prefeito que estivemos juntos - todo o nosso bloco, éramos 12 partidos, o entendimento foi feito bem próximo da convenção - e defendemos, fomos de corpo e alma. Tive uma conversa muito boa com doutor João e apenas falei sobre o cenário politico que Sergipe passa. Mas volto a dizer, isso foi uma decisão dele. De fato, nós aracajuanos (quem nasceu e quem mora aqui) depositamos uma confiança de que ele possa ajudar a sanar as angústias nossas na mobilidade urbana, na Saúde (onde ainda há muita coisa a ser feita), com a contribuição na Segurança Pública, que a guarda municipal vem dando, isso é visível.

JC – Mas o prefeito João Alves tem conseguido atender às demandas da capital, tem conseguido levar melhorias ao povo aracajuao?

EA – Em algumas áreas dá para se ver alguns avanços, mas ainda há muito o que se avançar.

JC – Na Saúde, por exemplo, qual a opinião do senhor, que é médico e foi secretário de Saúde?

EA – Na saúde há muito o que avançar e ele mesmo tem dito isso. Ele me confessou que uma das pastas mais complexas que ele tem para resolver é a questão da Saúde. E a Saúde não é só a Saúde dos aracajuanos, é dos sergipanos, porque aqui atende-se de 80 a 90% de toda a alta e média complexidade do estado. Ele também me falou do endividamento do estado com a Prefeitura de Aracaju e da partilha desigual que se tem entre estado e prefeitura. Quando fui ao Ministério da Saúde com ele, há alguns anos, essa partilha era quase meio a meio para os procedimentos de alta e média complexidade, enquanto agora Aracaju fica com apenas 26% e o estado mais de 70% de tudo o que vem do Ministério.

JC – Com a decisão do prefeito, o PSC vai tentar obter o apoio de João Alves para 2014? De que forma?

EA – Vamos tentar o apoio daqueles com quem mantivemos uma aliança. Estivemos juntos em 2012 e espero que em 2014 isso aconteça. Não só com o DEM, mas com outros partidos, como o PSDB, o PHS - que já anuncia apoio a nossa pré-candidatura. E aos poucos as alianças vão se consolidado.

JC – Uma coligação liderada por Jackson Barreto e apoiada por João Alves Filho seria imbatível?

EA – Imbatível não, ninguém é. Pelo menos é o que penso, não tenho essa ilusão de que alguém seja imbatível, acho que a humildade deve ser mantida. Vamos continuar onde sempre estivemos, de maneira firme, mas tendo a humildade como alicerce.

JC – Se o prefeito João Alves decidir apoiar Jackson Barreto, ele perderá o apoio do PSC e demais partidos aliados, na Câmara Municipal de Aracaju?

EA – Não penso nisso, não estou barganhando, nem trocando, nem fazendo nenhum contrato. A gente tenta conquistar pelo convencimento, pelas ideias e pelas propostas. Nada de tome lá, me dê cá.

JC – Mas isso acontecendo, como ficaria a situação da bancada?

EA – Aí seria outro momento, outra hora. Cada momento com a sua questão, é preciso dar o passo com a situação do momento. Agora, agente procura fazer isso com muito planejamento e organização. Em todos os passos que demos, até aqui, houve muitas vitórias. Não esperávamos que houvesse aquele rompimento com o governador Déda. Foi uma atitude dele. Havia um pacto para que Angélica e o PSC se mantivesse na Assembleia. Com aquele rompimento, tivemos que escolher o nosso caminho, o nosso destino. Mas a iniciativa não foi nossa.

JC – Mas o PSC teria continuado no governo até quando? O rompimento não era inevitável, já que havia dois projetos divergentes, para o governo: o de Jackson Barreto e o de Eduardo Amorim?

EA – Não digo o governo, mas teríamos mantido alguma aliança, teríamos mantido do mesmo jeito, com alguma pactuação. Não sei se ficaria inviável. Não posso dizer que ficaria como está hoje. Ninguém desejava ou esperava o que aconteceu com Déda. Naquele momento houve uma separação, mas mantendo sempre o respeito. Por isso fomos buscar outros rumos. Doutor João veio buscar a aliança e mantivemos a aliança. Sempre estivemos pautados com organização e firmeza, sem ter cargos para dar, sem secretarias para dar. As pessoas sempre acreditaram. O que é isso? Crédito, palavra. As pessoas acreditam e acham que com essa união a gente pode materializar a esperanças de muitos sergipanos.

JC - O empréstimo do Proredes não está sendo colocado em votação na Assembleia por orientação do senhor, como o líder do governo chegou a afirmar?

EA – Não, de jeito nenhum. Se o líder do governo diz isso, ele não está sendo verdadeiro, porque ele nunca me perguntou nada sobre isso. Eu sou a favor de que, assim como foi feito com o Proinveste, que seja feito com qualquer outro. Posso não concordar com esse endividamento excessivo, é preciso tomar muito cuidado, vamos pagar por isso. Agora, tudo isso tem que ser feito com muita transparência. Se o Proredes tiver dizendo para onde vai cada centavo, se tiver tudo realmente de forma muito transparente com o povo, sou a favor realmente de que se coloque em votação. Com transparência para onde se vai cada centavo. Vai ser investido em que? Em que unidade hospitalar? Em que posto? Se for desse jeito, acho que qualquer cidadão concorda, e eu também. Não é justo que a gente pague uma coisa que a gente não sabe para onde vai, se for coisa eleitoreira. Agora, é para melhorar a saúde? Esse negócio de ir para a conta única é muito perigoso. Estamos pagando empréstimo, pagando juros, mesmo com os cuidados que foram tomados, para finalidades que não foram as determinadas. Temos que tomar muito cuidado com isso. Se estiver constando o destino de cada centavo, mostrando onde o BID liberou o investimento, concordo plenamente.

JC – O senhor defende que ele esteja mais “amarrado”, mesmo discurso utilizado no Proinveste?

EA – Não utilizei esta palavra. Se ele for feito com muita transparência e que não caia numa conta única, conta com meu apoio. Eu não voto, mas se estivesse lá, se eu fosse um parlamentar, eu votaria. Agora, deixar algumas coisas soltas, sem saber para onde vai, isso não. Com transparência, o Proredes tem o meu apoio.

JC – O governo procurou o senhor ou o seu grupo político, para discutir o Proredes?

EA – A mim nunca procurou. Se procurou outras pessoas, não sei. E se tivesse procurado, diria a mesma coisa que disse a Déda: com transparência tem o meu apoio. Se eu estivesse lá, eu pediria para votar, desde que houvesse transparência.

JC - Não seria pouco democrático por parte da presidente da Assembleia não colocar o projeto em votação? Ela não o coloca em pauta porque sabe que o governo possui os votos?

EA – Não sei lhe dizer dos pormenores. Não sei se falta transparência ou não ao projeto, não vi com detalhes. Esse assunto cabe ao governo, no parlamento [Senado] onde estou temos outros temas.

JC - O líder do governo na Assembleia questionou algumas avaliações do senhor sobre o endividamento do estado. Ele mostrou que hoje o governo deve cerca de 54% da Receita Corrente Líquida, enquanto no governo de João Alves esse percentual chegou a 64%. Ou seja, o endividamento é menor hoje.

EA – Cada um diz o que quer, mas a verdade independe dele querer ou não. Que hoje o sergipano é um dos povos mais endividados do Brasil, isso é dito por todo mundo. Per capta, por habitante, Sergipe se tornou um dos estados mais endividados do Brasil. Sergipe devia R$ 850 milhões e hoje deve R$ 5 bilhões. Nossa situação fiscal até 2008 era relativamente boa, mas hoje é muito preocupante. Se ele diz diferente, acho que ele precisa estudar um pouquinho mais, se aprofundar um pouco mais.

JC - Mas é justamente isso que ele afirma, a dívida cresceu, mas a arrecadação do estado também, e comparativamente a situação está melhor que em 2008, como o senhor falou.

EA – Falo em relação ao número de habitantes. Ele não tem que comparar só com a dívida, porque os números são diferentes. Hoje a arrecadação da Secretaria de Saúde é dez vezes maior do que quando eu estava, por exemplo.

JC – Comenta-se que a deputada Angélica pretende permanecer no cargo, mesmo após ser eleita para o Tribunal de Contas. Isso é verdade?

EA – Não sei, não conversei com ela sobre isso. É muito recente, apenas na semana passada ela se inscreveu para disputar a vaga. Não tive tempo para conversar com ela. Não há nenhuma orientação da nossa parte sobre esse questionamento. Aliás, quando foi escolhido Zé Franco para ser o vice, é bom lembrar que o nome era de Garibalde, que não quis ficar com o bloco de deputados que escolheu Angélica. Zé Franco não impôs nada. Sempre se comentou que Angélica poderia ir para o TCE. Zé Franco teve e continua tendo a confiança do nosso bloco, se ele tiver que ocupar um espaço como este. Tenho um carinho enorme por Zé Franco, e se for a vez dele, tenho certeza que o bloco contará com o meu apoio para ele. Para Zé Franco eu digo sim.

JC - O que achou do plano de cargos e salários que o governo mandou?

EA – Não analisei. O Plano foi enviado esta semana. Conversei com as categorias. O que acho estranho é que vai o plano, mas não vai o reajuste. O servidor está há três anos sem aumento. Servidor tem perdido muito, houve inflação no período e o poder de compra hoje é menor a cada dia. E vale lembrar que essas pessoas, com Gualberto, chegaram ao poder defendendo os trabalhadores. E o servidor não é trabalhador?














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