sexta-feira, 21 de março de 2014

Sergipe zera a fila por transplante de córneas

O tempo médio de espera por um transplante de córnea em Sergipe não ultrapassa quatro meses, o que coloca o Estado na condição de uma das poucas Unidades da Federação a ter a fila de espera por esse tipo de cirurgia zerada. Atualmente, 55 pessoas estão à espera do chamado para fazer o procedimento cirúrgico e voltar a enxergar, o que não é considerado fila.


Os dados foram repassados pela Central de Transplantes de Sergipe, que funciona em prédio anexo ao HUSE, com base no Registro Brasileiro de Transplante (RBT), da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO). "Sergipe está muito bem na questão de transplante de córnea. Isso porque temos uma rotatividade alta e, consequentemente, um tempo de espera muito reduzido, de três a quatro meses, o que chega a ser considerado fila zerada", falou a enfermeira da Central Nacional de Notificação, Captação e Distribuição de Órgãos de Sergipe (CNCDO/SE), Mariana Mattos.

Essa condição, que torna Sergipe referência nacional em transplante de córnea, foi alcançada, segundo a enfermeira, devido ao aumento do número de doações e à criação da Organização de Procura de Órgãos (OPO). Essa organização foi criada em 14 de março de 2011, instituída pela Portaria Estadual nº27/11.

A OPO conta hoje com 16 profissionais, que, juntamente com o trabalho desenvolvido pela equipe da CNCDO/SE, faz a procura dos óbitos nos hospitais e a realização de entrevistas familiares. "A função é dar ao familiar a oportunidade de doar os órgãos de um ente querido. A criação da OPO foi muito importante para aumentar o número de doações e de transplantes", explicou Mariana Mattos.

Fila zero

A "Fila Zero" é meta da ABTO. Como as córneas podem ser retiradas até seis horas após a parada cardíaca, não necessitando do diagnóstico de morte encefálica, esse tipo de transplante tende a ser mais simples, informou a enfermeira. "A doação de córneas é mais fácil, pois o paciente está com parada cardíaca e a córnea, por ser um tecido avascular, que não passa sangue, pode ser retirada até 6 horas após o óbito", explicou Mariana Mattos.

A enfermeira destacou que todas as cirurgias de transplante de córneas em Sergipe são realizadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Ela explicou que a Portaria Estadual SUS/SE GS 01/2008  estabelece que todos os médicos cadastrados para transplantes de córnea no Estado deverão apresentar ao paciente as opções de realizar o procedimento pelo SUS ou por meio de convênio ou particular. Mariana Mattos destacou que as córneas não podem ser vendidas.

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