sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Eduardo Amorim acompanha situação do Hospital de Urgência de Sergipe

“Sou servidor da saúde do Estado. E as críticas que tecemos não são de ordem pessoal. Sei separar as coisas. Mas é preciso fazer algo, pois a situação do HUSE já chama a atenção de todo o país”. Indignado, o senador Eduardo Amorim (PSC) resumiu assim a necessidade de realizar uma visita ao Hospital de Urgência de Sergipe (HUSE) na manhã desta sexta-feira, 17. O principal hospital sergipano vem sendo alvo de investigação do ministério público por conta da superlotação, da falta de estrutura e de medicamentos, fatos que geraram até o pedido de demissão de médicos da rede estadual.



Acompanhado dos deputados estaduais Gilson Andrade e Pastor Antônio, além do deputado federal André Moura, o senador destacou o que pode resultar de sua visita. “O que vimos aqui, os reclames da população que nos procurou durante a visita, além da possibilidade de pedido do Ministério Público de intervenção federal na saúde sergipana, nos levou a tomar uma decisão: se o problema não for sanado imediatamente, convocarei a Comissão de Saúde do Senado para uma visita a Sergipe. Não podemos é ficar parados, assistindo o sofrimento do nosso povo”, resumiu Eduardo.
Equipe diretiva
Antes de iniciar a visitação pelas alas do hospital, Eduardo Amorim foi recebido pelo corpo diretivo da instituição. "Pior do que uma má remuneração, para o profissional de saúde, é não ter estrutura para salvar uma vida. A pessoa estuda até dez anos e, na hora de aplicar seus conhecimentos e salvar vidas, esbarra na falta de condições. Isso desestimula qualquer um”, avaliou o senador, que também é médico.
Depois de uma rápida passagem pelo setor administrativo da unidade, Eduardo Amorim, acompanhado de sua comitiva e equipe, os diretores, pessoal de comunicação e segurança do hospital seguiram para as alas que vem apresentando constantes problemas.

Alas superlotadas
A primeira ala a ser visitada foi a Verde, em que os pacientes não apresentam um alto grau de risco. “Aqui deveríamos separar os leitos por setores masculino e feminino. Mas isso nem sempre é possível, já que a superlotação é uma constante”, disse um dos funcionários do hospital.
Já a acompanhante Ana Cláudia Lima Moura fez um alerta gravíssimo. “Eu mesma que dei banho numa das pacientes, porque nunca tem gente disponível. A senhora estava há cinco dias sem tomar banho. Estava horrível a situação”, disse Ana, agradecendo a presença do senador e da comitiva. “Parece que eles souberam que vocês viriam, pois hoje até que está tendo material. Mas ontem vieram aplicar uma injeção com o algodão puro, porque disseram que não tinha álcool”, denunciou a Ana Cláudia, que está acompanhando a mãe internada.
Já na Ala Azul, o problema da superlotação ficou constatado. “Minha mãe tem diabetes e uma ferida na perna que precisa ser cuidada. Ela está desde ontem internada aqui e ainda não arranjaram um leito. Ela, desde ontem que está sentada nesta cadeira”, disse Maria José, uma das acompanhantes que disputava espaço, em pé, com dezenas de familiares de internados.
Na Ala Vermelha, a que atende a pacientes com trauma e em condições mais críticas, apesar de não haver uma superlotação, a situação, em plena manhã de sexta-feira, já era preocupante. “O plantão do final de semana se encerra na segunda pela manhã. E pelo quantitativo de pacientes que já temos, podemos esperar uma superlotação, já que nos finais de semana temos um aumento considerável no número de acidentes, o que faz com que isso aqui fique superlotado”, avaliou um funcionário do hospital.
No centro cirúrgico, problemas para receber novos pacientes também pela lotação. Um cidadão, inconsciente, na maca, aguardava espaço para dar entrada, já que estava com fratura exposta. Os demais setores, como a Ala Amarela, do pós-operatório, a pediatria e o posto da enfermaria estavam relativamente tranquilos.
“Me espantei, nesses últimos locais, com a falta de um espaço para que as crianças pudessem brincar. Criei isso quando fui secretário de Saúde. E hoje vi que o transformaram em um depósito”, observou o senador.
Ao final da visita, Eduardo Amorim foi interpelado por dois atendentes do SAMU. “Eles vieram me dizer que estão no hospital, parados, porque a maca da última ocorrência que eles fizeram estava ainda com o paciente, que não teve leito para ser atendido. Mais uma mostra de que, mesmo nas coisas mais simples, os problemas da saúde do Estado estão na questão estrutural. Como pode um socorrista do SAMU ficar parado, deixando de atender outros casos, porque a maca da ambulância está sendo utilizada como leito?”, questionou Eduardo Amorim.

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