sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Cesta básica cresce em todas capitais em 2013

Em 2013, o valor da cesta básica aumentou nas 18 capitais onde o DIEESE - Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos - realizou mensalmente, durante todo o ano, a Pesquisa Nacional da Cesta Básica. Nove localidades apresentaram variações acima de 10%, e as maiores elevações foram apuradas em Salvador (16,74%), Natal (14,07%) e Campo Grande (12,38%). As menores oscilações ocorreram em Goiânia (4,37%) e Brasília (4,99%).

Em dezembro, houve aumento da cesta em quinze cidades, estabilidade em Vitória e diminuição em duas: Aracaju (-0,88%) e Rio de Janeiro (-0,43%). As maiores elevações foram registradas em Goiânia (7,95%) e Florianópolis (7,86%).
Apesar de apresentar a terceira menor variação positiva, 0,14%, Porto Alegre foi a capital onde se apurou, em dezembro, o maior valor para a cesta básica (R$ 329,18), seguido por São Paulo (R$ 327,24) e Vitória (R$ 321,39). Os menores valores médios foram observados em Aracaju (R$ 216,78), João Pessoa (R$ 258,81) e Salvador (R$ 265,13).
Com base no custo apurado para a cesta de Porto Alegre, e levando em consideração a determinação constitucional que estabelece que o salário mínimo deveria suprir as despesas de um trabalhador e sua família com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência, o DIEESE estima mensalmente o valor do salário mínimo necessário. Em dezembro, o menor salário pago deveria ser R$ 2.765,44, ou seja, 4,08 vezes o mínimo em vigor, de R$ 678,00. Em novembro, o mínimo necessário era semelhante, equivalendo a R$ 2.761,58, também equivalente a 4,07 vezes o piso vigente. Em dezembro de 2012, o valor necessário para atender às despesas de uma família foi de R$ 2.561,47, o que representava 4,12 vezes o mínimo de então (R$ 622,00).


TABELA 1
Pesquisa Nacional da Cesta Básica
Custo e variação da cesta básica em 18 capitais
Brasil – dezembro e ano de 2013
Capital
Variação
Anual
(%)
Variação
Mensal
(%)
Valor da
Cesta
(R$)
Porcentagem do Salário Mínimo Líquido
Tempo de
Trabalho
Salvador
16,74
2,00
265,13
42,51
86h02m
Natal
14,07
0,53
273,36
43,82
88h42m
Campo Grande
12,38
1,84
301,20
48,29
97h44m
Rio de Janeiro
11,95
-0,43
315,52
50,58
102h23m
Porto Alegre
11,83
0,14
329,18
52,77
106h49m
Curitiba
11,06
1,21
301,32
48,31
97h46m
Vitória
10,48
0,00
321,39
51,52
104h17m
Recife
10,34
2,37
274,69
44,04
89h08m
Florianópolis
10,09
7,86
319,33
51,19
103h37m
Belém
9,12
0,10
296,34
47,51
96h09m
João Pessoa
8,81
0,64
258,81
41,49
83h59m
Fortaleza
8,18
1,56
273,47
43,84
88h44m
Belo Horizonte
7,35
0,45
312,25
50,06
101h19m
São Paulo
7,33
0,52
327,24
52,46
106h11m
Aracaju
6,23
-0,88
216,78
34,75
70h20m
Manaus
6,01
0,10
307,71
49,33
99h51m
Brasília
4,99
1,18
289,72
46,45
94h01m
Goiânia
4,37
7,95
274,67
44,03
89h08m
 Fonte: DIEESE
Cesta x salário mínimo[1]
Em dezembro de 2013, a jornada de trabalho necessária para a compra dos alimentos essenciais por um trabalhador remunerado pelo salário mínimo, na média das capitais pesquisadas, foi de 94 horas e 47 minutos, maior do que o tempo exigido em novembro (93 horas e 25 minutos). Em dezembro de 2012, a jornada exigida foi menor, já que naquele mês eram necessárias 94 horas e 23 minutos.
Quando se compara o custo da cesta e o salário mínimo líquido, ou seja, após o desconto referente à Previdência Social, a relação era de 46,83% em dezembro, maior do que o verificado em novembro (46,16%). Esta relação correspondia a 46,64%, em dezembro de 2012.
Comportamento dos preços
Em 2013, leite, farinha de trigo, banana, pão francês e batata tiveram aumento em todas as regiões em que são pesquisados. Já o óleo de soja foi o único produto da cesta que teve seus preços reduzidos em todas as cidades.
O preço do leite in natura aumentou em todas as localidades em 2013, com variações acumuladas entre 6,18% (Manaus) e 28,24% (Belém). Com exceção da capital do Amazonas, em todas as localidades as taxas foram superiores a 13%. Ao longo do ano, a elevação de preços no varejo foi influenciada pela queda de oferta de leite e maior demanda das empresas de laticínios. Em dezembro de 2013, a maior parte das cidades teve redução nos preços. Os aumentos foram registrados em Florianópolis (6,96%), Natal (3,82%), Aracaju (3,09%) e Brasília (2,02%). Em Fortaleza houve estabilidade.
O preço da farinha de trigo, pesquisada nas regiões Centro-Sul, aumentou em 2013, com variações que chegaram a 67,06% em Florianópolis, 55,56% em Campo Grande, 46,24% em Goiânia, 37,96% em Porto Alegre, 33,47% em Curitiba, 31,25% em Brasília e 30,72% em São Paulo. A dificuldade de importação do trigo da Argentina e a perda de parte da produção no Rio Grande do Sul devido às chuvas elevaram o preço do bem. Em dezembro, Florianópolis (20,68%), Campo Grande (6,87%), Goiânia (3,03%) e Belo Horizonte (1,66%) ainda tiveram alta de preço. Nas demais cidades o valor diminuiu, com destaque para Brasília (-5,57%).
O preço do pão francês subiu, em 2013, em todas as regiões pesquisadas, o que é explicado pela alta do seu principal insumo, a farinha de trigo. As variações oscilaram entre 2,13% em Aracaju e 24,17% em Campo Grande. Na comparação dos preços entre dezembro e novembro de 2013, o comportamento foi diferenciado: houve estabilidade em Brasília e aumento em Campo Grande (6,08%), Florianópolis (5,48%), Goiânia (3,58%), João Pessoa (1,73%), Salvador (1,20%), Vitória (0,60%), Belo Horizonte (0,35%), São Paulo (0,32%), Belém (0,25%) e Porto Alegre (0,14%). Nas demais cidades, ocorreu diminuição.
Em 2013, o preço da batata subiu nas dez localidades do Centro-Sul onde é pesquisada. As taxas variaram entre 4,41% no Rio de Janeiro e 45,60% em Porto Alegre. Além de haver diminuição da área plantada em 2013, problemas climáticos, sejam fortes chuvas ou estiagem, nas regiões produtoras de batata, resultaram em menor produtividade no ano, o que reduziu a oferta da mercadoria e elevou o preço médio do bem. Em dezembro de 2013, foram registrados  aumentos em relação a novembro: em Goiânia, a variação foi de 34,59%, em Brasília, 14,36% e Curitiba, 7,66%. Apenas em Florianópolis verificou-se diminuição (-0,44%).
A banana apresentou altas acumuladas em todas as cidades em 2013, com taxas que variaram de 73,89% em Natal a 4,46% em Brasília. Fatores climáticos afetaram a produção da fruta e determinaram a alta no preço. Em dezembro de 2013, registrou-se elevação do preço do bem em 10 cidades em comparação com o mês anterior, com destaque para a taxa de Goiânia (11,16%). Houve estabilidade em João Pessoa e diminuição em sete localidades. Em Aracaju a redução foi de 17,44%.
A farinha de mandioca pesquisada no Norte e Nordeste também acumulou aumentos expressivos. Em Salvador, a variação registrada foi de 115,58%, em Manaus de 57,41%, e em Recife de 47,00%. O preço da farinha está alto devido à seca prolongada no Nordeste, que vem causando restrição da oferta do insumo básico da farinha. Em dezembro, o preço da farinha diminuiu em quase todas as cidades em que foi pesquisada: Belém (-6,41%), Natal (-4,91%), Aracaju (-4,90%). João Pessoa (-3,92%), Fortaleza (-1,24%). Apenas Salvador (0,17%), Manaus (1,06%) e Recife (1,99%) apresentaram aumentos.
A carne bovina, produto com grande peso na composição da cesta básica, teve aumento em quase todas as localidades em 2013, exceto Brasília (-0,49%). As maiores altas foram registradas em Salvador (14,71%), Curitiba (12,55%), Campo Grande (11,11%) e Rio de Janeiro (10,37%). A menor variação positiva aconteceu em Belém (2,44%). A carne passou por período de entressafra a partir de meados do ano, o que restringiu a oferta de animais para abate. Soma-se a isso o aumento do valor do custo de reposição das matrizes e dos demais insumos de produção em 2013. Em dezembro último, algumas cidades já apresentaram diminuição no preço da carne bovina em relação ao mês anterior: Vitória (-2,34%), Manaus (-1,92%), Brasília (-1,28%) e João Pessoa (-0,91%). Porém, ocorreram  aumentos na maior parte das cidades, que variaram entre 0,26% em Campo Grande e 10,99% em Florianópolis. 
O preço do feijão apresentou comportamento diferenciado entre as cidades pesquisadas. Oito capitais tiveram altas que variaram entre 3,85% (Manaus) e 38,80% (Florianópolis) e as outras dez cidades tiveram diminuição entre -20,10% (São Paulo) e -1,46% (Campo Grande). No início do ano, houve elevação do preço do feijão devido à redução da área plantada e aos baixos estoques do bem. O governo passou a importar feijão, que junto com a terceira safra, também conhecida como feijão irrigado ou safra de inverno, no final do ano, trouxe diminuição dos preços. As perspectivas são de redução da área plantada, o que deve pressionar o preço do grão para cima. Entre novembro e dezembro de 2013, doze cidades tiveram redução do valor do feijão, com destaque para Natal e São Paulo (ambas com variação de -9,86%).
O preço do arroz apresentou tendência de queda em 2013 em quinze cidades, com destaque para Aracaju (-23,06%), Salvador (-19,15%) e Campo Grande (-13,82%). Manaus foi a capital com maior aumento acumulado do bem, 10,07%. Nos primeiros meses de 2013, os rizicultores aguardavam o início da colheita com perspectivas de maior produtividade, apesar da redução da área plantada. A maior oferta pressionou para baixo os preços ao longo do ano. A comercialização do arroz esteve, na maioria dos meses de 2013, limitada uma vez que os produtores apresentaram pouco interesse de venda, aguardando melhores cotações para seu produto. Entre novembro e dezembro, início de período de entressafra do grão, houve aumento em oito capitais – destaque para Florianópolis (4,27%) e Vitória (3,03%), estabilidade em São Paulo, Fortaleza e Curitiba e diminuição em sete cidades, sendo a maior retração registrada em Salvador (-3,12%).
 O tomate, apontado como grande vilão da inflação em alguns meses de 2013, acumulou altas de até 34,43% em Natal, 33,61% em Vitória, 28,87% em Aracaju, 21,09% em Porto Alegre e 20,57% no Rio de Janeiro. O preço do bem não variou em Brasília e diminuiu em Salvador 



          (-6,91%), Campo Grande (-4,01%), Manaus (-3,61%) e Goiânia (-2,46%). O produto apresentou grande variação de preços ao longo do ano. A entressafra de verão nos primeiros meses de 2013 fez com que o preço subisse e a oferta só foi normalizada no meio do ano, voltando a subir nos meses finais, devidos às condições climáticas no momento da colheita. Entre novembro e dezembro, a tendência foi de alta nas capitais, com variações de 52,75% em Goiânia, 22,12% em Recife e 17,91% em João Pessoa. Houve redução em apenas três cidades: Belo Horizonte 

          (-2,24%), Porto Alegre (-0,43%) e Natal (-0,40%). No Rio de Janeiro, o preço não variou.
O café em pó ficou mais barato em quase todas as localidades pesquisadas em 2013, exceto em Aracaju (4,31%) e Belém (0,63%). As reduções mais importantes aconteceram em Vitória (-17,55%), Goiânia (-15,37%), Florianópolis (-13,62%) e Brasília (-9,22%). Estas diminuições se devem à boa colheita da safra 2013/2014, que aumentou a oferta interna do bem além da ampliação do volume de grãos em outros países. Em dezembro, houve aumento em onze cidades em comparação com novembro, estabilidade em duas e redução em cinco cidades. Os maiores aumentos foram apurados em Goiânia (4,19%) e Belo Horizonte (2,03%).


Tabela 2
Variação em 12 meses do gasto por produto
Dezembro 2013
Produtos
Centro-Oeste
Sudeste
Sul
Norte/Nordeste
Brasília
Campo Grande
Goiânia
Belo Horizonte
Rio de Janeiro
São Paulo
Vitória
Curitiba
Floria-nópolis
Porto Alegre
Aracaju
Belém
Forta-leza
João Pessoa
Manaus
Natal
Recife
Salvador
Total da Cesta
4,99
12,38
4,37
7,35
11,95
7,33
10,48
11,06
10,09
11,83
6,23
9,12
8,18
8,81
6,01
14,07
10,34
16,74
Carne
-0,49
11,11
3,19
4,25
10,37
8,63
6,83
12,55
3,37
5,62
4,29
2,44
7,76
5,33
2,79
8,67
9,35
14,71
Leite
15,38
19,91
14,86
14,63
19,22
19,92
13,08
17,82
21,78
17,67
20,48
28,24
18,15
22,86
6,18
22,15
25,1
21,54
Feijão
17,16
-1,46
-14,41
-8,28
23,46
-20,1
23,12
21,11
38,8
26,32
-10,09
-4,24
-16,27
-15,2
3,85
-12,55
-13,21
29,31
Arroz
-3,73
-13,82
0,89
-2,01
-4,81
-6,51
-8,11
-8,05
4,27
-5,65
-23,06
-12,15
-7,59
-5,44
10,07
-11,61
-5,56
-19,15
Farinha
31,25
55,56
46,24
25,44
25,97
30,72
21,4
33,47
67,06
37,96
-0,51
5,04
6,99
43,45
57,41
25,75
47
115,58
Batata
4,52
32,37
19,71
17,93
4,41
15,10
14,64
36,57
14,72
45,60
Tomate
0
-4,01
-2,46
6,4
20,57
3,76
33,61
8,52
18,97
21,09
28,87
7,12
13,69
15,05
-3,61
34,43
6,28
-6,91
Pão
21,54
24,17
16,02
12,5
12,07
14,99
14,24
15,38
15
16,46
2,13
8,53
16,07
11,01
8,5
5,28
10,22
21,96
Café
-9,22
-6,33
-15,37
-4,04
-8,86
-7,83
-17,55
-6,9
-13,62
-4,77
4,31
0,63
-2,92
-7,83
-2,41
-3,54
-3,53
-1,37
Banana
4,46
62,03
6,83
35,98
27,14
19,2
10,38
8,39
24,75
16,58
43,07
46,89
26,82
34,69
15,86
73,89
41,02
22,36
Açúcar
-7,59
8,33
-7,45
-20,25
-13,65
-20,96
-10,65
-16,04
-14,68
-11,39
-21
-7,25
-7,18
-5,85
5,75
-2,53
-7,35
-2,17
Óleo
-15,68
-23,68
-23,05
-21,6
-15,97
-22,38
-19,68
-27,1
-14,9
-24,23
-14,16
-17,75
-17,12
-21,46
-13,75
-13,66
-19,95
-17,35
Manteiga
-2,95
-3,42
1,36
7,37
9,97
13,44
0,34
-1,58
0,75
3,19
6,83
1,17
0,89
6,21
6,78
3,52
4,52
9,22
Fonte: DIEESE. Pesquisa Nacional da Cesta Básica
Obs: (-) Dados inexistentes


O óleo de soja apresentou diminuição em todas as cidades em 2013, com taxas que variaram entre -27,10% em Curitiba e -13,66% em Natal. O preço da soja sofreu sucessivas desvalorizações no mercado internacional e nacional, o que explica a redução do valor. Em dezembro, a tendência foi de aumento em doze cidades, com variações de 0,31% em Campo Grande a 2,39% em Goiânia.




[1] Em 2013, foram feitos acertos na série da cesta de Campo Grande (MS), o que alterou o valor médio do tempo de trabalho necessário para compra dos alimentos e a relação custo da cesta x salário mínimo líquido, para os meses de janeiro a novembro de 2013

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