quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Venâncio: lembrança de Marcelo Déda estará constante até para os adversários

O líder da bancada de oposição na Assembleia Legislativa, deputado estadual Venâncio Fonseca (PP), ocupou a tribuna no final da manhã dessa quarta-feira (4), para fazer um relato da história política do governador Marcelo Déda (PT), que faleceu na última segunda-feira (2), com falência múltipla de órgãos, após meses enfrentando um câncer em São Paulo (SP), no Hospital Sírio Libanês. Venâncio chegou a se emocionar ao dizer que “a lembrança de Marcelo Déda ficará viva e constante até para seus adversários políticos”.


Ao iniciar seu pronunciamento, Venâncio lembrou que Déda perdeu eleições como deputado estadual e prefeito de Aracaju. “Mesmo assim ele seguiu sua luta com os seus ideais e seus objetivos, tanto que naquela época conseguiu ser eleito deputado estadual com 33 mil votos. Dessa tribuna ele externou sua inteligência e capacidade da palavra fácil, com belíssimos discursos na época do governo de Valadares. Estávamos saindo de um regime forte para a democracia. Foi um dos deputados mais brilhantes que por aqui passou”.

Venâncio citou as ironias do destino e lembrou que mesmo com um mandato impecável, Déda foi para uma reeleição e só obteve 3 mil votos. “Mas ele não se abateu e continuou seu trabalho até ser eleito em seguida para deputado federal, como o mais votado. É só cara sendo competente para chegar a liderar seu partido no primeiro mandato lá. Liderou uma oposição dura contra os governos de Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Obteve ali destaque nacional e veio ser candidato a prefeito de Aracaju para ser eleito no 1º turno”.

Venâncio prosseguiu lembrando que com o discurso forte de mudança, de renovação, Déda foi reeleito com uma votação estrondosa. “Depois decidiu deixar a PMA para disputar o governo do Estado. João Alves Filho (DEM), sentado na cadeira de governador, perdeu a eleição em 2006 para o ‘menino’. Déda aproveitou uma expressão do ex-governador e transformou aquilo em verso e prosa. Veio com o discurso da renovação contra a mesmice. Assumiu o governo e foi reeleito também no 1º turno. Sempre foi um vitorioso nas campanhas majoritárias”.

Venâncio lembrou que nesse intervalo, começou a dividir seu tempo entre a administração do Estado e tinha também que combater a doença. “Déda jamais deixou se abater. Nos momentos em que eu, a deputada Angélica Guimarães (PSC) e o senador Eduardo Amorim (PSC) tivemos algumas audiências com ele, o governador falava da doença com naturalidade, dizendo que ia lutar até o fim. Ele disse que não sabia se iria suportar porque a dose que tomava era para elefante. Mas garantiu que lutaria enquanto o corpo lhe desse forças”.

O líder da oposição também destacou a simplicidade de Eliane Aquino. “Quero ressaltar a humildade dela, uma pessoa por quem nutro respeito e admiração grande. Falo de um jovem governador que não tem a sorte dos antecessores como Seixas Dória, Celso de Carvalho, Lourival Batista, Augusto Franco, Arnaldo Garcez, Luiz Garcia e José Rollemberg Leite que faleceram com mais de 80 ou 90 anos. Paulo Barreto de Menezes encontra-se vivo com quase 90, salve engano. Como também João Alves que é prefeito, Albano Franco (PSDB) que disputou a eleição passada e Valadares (PSB) que é senador”.

Por fim, Venâncio lembrou que teve vários embates duros, mas sempre respeitosos com Marcelo Déda. “Nunca, na liderança da oposição, destratamos ou desrespeitamos a pessoa do governador. Sempre tivemos por ele muito carinho e respeito, mas com divergências políticas. Lembro quando Déda disse que a oposição era importante para qualquer governo, para o regime democrático. Lembro daquele discurso na Codise, em tom de despedida, quando ele pediu que lembrassem dele quando se buscasse os sorrisos com as obras do Proinveste”.
 
“Quando ele fez referência a mim disse que mais duro do que eu, como líder da oposição, só o próprio quando liderou a oposição ao governo Valadares. Quero encerrar agradecendo as palavras do governador sempre elogiosas a meu respeito. Marcelo Deda se foi e nos deixou a saudade. Fica a lembrança constante de uma pessoa que a gente ama, respeita e quer bem. Sua lembrança será constante até para os adversários. Nós admirávamos como pessoa”, completou o líder da oposição.

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