segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Professores atribuem nota 4,6 à educação pública em Sergipe

4,6. Essa foi a nota atribuída pelos educadores sergipanos à política educacional implementada pelo Governo do Estado em 2013, chamada “Prova Final” pelo Sindicato dos Trabalhadores da Educação da Rede Básica Oficial do Estado de Sergipe. A avaliação foi divulgada na manhã desta sexta-feira, 27, durante entrevista coletiva concedida pelo SINTESE. A professora e deputada Ana Lúcia esteve presente na atividade, que também apresentou as notas conferidas pelos trabalhadores da educação às redes municipais de todas as cidades sergipanas.
 
As notas são o resultado da apuração de um questionário aplicado a mais de cinco mil professores e professoras da rede estadual e a mais de oito mil educadores das redes municipais de todas as cidades sergipanas no período de 28 de outubro a 06 de dezembro. O questionário e levou em consideração a valorização Profissional, a gestão democrática, a política educacional e a qualidade social do ensino, a garantia de direitos do Plano de Carreira e Estatuto e, por fim, as condições de trabalho dos professores.
 
 
Dentre as regiões de Sergipe a que melhor avaliou o Governo do Estado, no quesito educação, foi a região metropolitana com a nota 5,9. Por mais um ano Aracaju deu a pior nota ao Governo do Estado: 3,9. “A população de Sergipe precisa ter conhecimento da avaliação dos professores quanto aos seus gestores” defende a presidenta do SINTESE, Ângela Melo.
 
 
“A nota é muito significativa para os professores. Esta nota é também um reflexo da negociação com o Governo do Estado”, explica a presidenta do SINTESE ao retomar todo o processo de negociação de 2013 com o Governo do Estado que resultou no cumprimento do reajuste de 2013 do piso salarial em 7,97 em todos os níveis e no o pagamento do retroativo referente aos primeiros meses do ano.
 
 
Anos anteriores
 
 
 
 
Embora esteja abaixo da média, a nota de 2013 supera a avaliação do ano anterior, que foi de apenas 2,1, figurando como a pior avaliação da gestão educacional dos últimos sete anos. Para a presidenta do SINTESE, Ângela Melo, “2012 é um ano que não acabou para nós professores e professoras da rede estadual. É o um ano em que nós não conseguimos implementar o reajuste do piso salarial, para todos e todas”, lamenta a líder sindical, ao reiterar que o SINTESE permanece negociando com o Governo do Estado para que em 2014 sejam revistas as perdas salariais relativas ao ano de 2012.
 
 
Mas mais do que a pauta salarial, o SINTESE reforça que os professores avaliaram, assim como defendem no seu dia a dia, o qualidade da educação pública. “Nós e lutamos por uma educação pública para todos, com qualidade, por uma educação pública em que o filho do trabalhador tenha prazer de colocar seu filho. Nós preservamos e lutamos para que os recursos públicos sejam investidos na escola pública e por isso queremos uma escola para todos e não para poucos”, resumiu a presidenta do SINTESE.
 
 
Redes Municipais
 
 
Na avaliação dos 8.0449 professores das redes municipais, apenas 21 de 74 municípios sergipanos (exceto Aracaju) obtiveram notas acima da média, 5,0. As melhores médias ficaram para os municípios de Siriri (7,8), Pinhão (7,5), seguido de Tomar do Geru (6,4). Quem levou as notas mais baixas foram as cidades Cristinápolis, Canhoba e Porto da Folha, todas com nota 2,0, seguidas de Malhador, com média 1,3. A pior gestão educacional do Estado em 2013, na opinião dos professores, foi a da prefeita Rivanda Farias, de São Cristóvão, que recebeu nota 0,5.
 
 
Pior avaliação: São Cristóvão
 
 
De acordo com a professora Osair dos Santos, representante do SINTESE em São Cristóvão, a nota concedida à política educacional no município é resultado de um ano de “ingestão e desgoverno por parte da gestão municipal”. A política salarial adotada de forma autoritária foi um dos aspectos mencionado pela educadora como sendo determinante para a baixa nota. “A prefeita cortou os nossos salários em mais de 50% e chamou de ajuste. Nós chamamos isso de salários subtraídos, salários cortados, desmandos e manobra política”, desabafou a professora.
 
 
Osair também denunciou que 192 professores de São Cristóvão estão respondendo a inquéritos administrativos de forma arbitrária. A prefeita alega que os educadores não trabalharam no mês de dezembro da gestão passada, mas a educadora assegura que os diários de classe comprovam a presença dos trabalhadores em sala de aula no período.
Para a professora, outro aspecto relacionado à péssima média de São Cristóvão diz respeito ao fechamento de turmas e transferência de escolas. Exemplo disso são as escolas Raimundo Francisco, no Luiz Alves, que teve diversas classes fechadas; a Maria Oliveira, no povoado Madre Paulina, que teve todas as turmas de educação infantil transferidas para a escola Francisco da Costa, que estava desativada; e a Escola Gina Franco, que teve três classes de ensino fundamental menor transferidas para a rede estadual no início do ano letivo, prejudicado cerca de 100 meninos e meninas.

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