terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Jackson e autoridades de todo o Brasil dão último adeus a Déda

O governador chegou ao local cedo, por volta das 8h e continuou ali até o último minuto
(Fotos: Marcos Rodrigues/ASN)


O segundo dia de despedida ao governador Marcelo Déda continuou intenso como no dia anterior: muitas lágrimas, emoção e uma multidão do lado de dentro e de fora do Palácio-Museu Olímpio Campos. Autoridades, como lideranças políticas, prefeitos e ex-prefeitos da capital e do interior, deputados estaduais e federais, secretários de Estado, aliados e adversários na vida pública, todos fizeram questão de dar o último adeus ao governador, pai, esposo, e homem dedicado ao povo e respeitado por sua dignidade, força, inteligência e competência.


O governador Jackson Barreto, chegou ao local cedo, por volta das 8h e continuou ali até o último minuto. Visivelmente emocionado, Jackson, mais uma vez, falou sobre o amigo e recordou uma conversa que teve recentemente com Dom Henrique Soares, quando o bispo lhe disse que visitou Déda em São Paulo e sentiu um homem preparado com a decisão de Deus sobre a sua vida. “Ele teve tanta coragem que descreveu e decidiu com sua família como seria sua despedida. Um homem preparado, resignado com a decisão de Deus, isso nos deixa mais tranquilos, saber que ele foi em paz”, disse Jackson.

O governador em exercício ainda citou um trecho de João 11.25 para se confortar: “Como cristão, o que posso dizer é repetir aquilo que está no Evangelho: 'Disse Jesus: Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Aqueles que creem em mim, mesmo morrendo, viverá', é nisto que creio e era nisto que Déda sempre acreditou”.

Entre os presentes cada um tinha uma lembrança de Déda, um momento marcante, uma palavra para defini-lo: amigo, companheiro, guerreiro, lutador, exemplo e é o seu exemplo de homem público e líder nato, aquilo que ficará na memória de todos.

O presidente do TJ/SE e irmão de Marcelo Déda, desembargador Cláudio Déda, contou um pouco sobre a relação dos dois e lembrou que a política era a vocação do seu irmão. “Eu era muito dedicado a ele, porque ele era mais novo aproximadamente 15 anos que eu e queria que ele tivesse sucesso na vida não só como político, mas como magistrado. No entanto, ele sempre me dizia: meu irmão, está no meu sangue a política, eu não posso lhe atender por isso, porque a política corre em minhas veias”, recordou o desembargador, tentando controlar a emoção pelo momento e pela saudade deixada.

“Meu irmão foi um homem muito ético. É uma perda muito grande para a família e para mim. Ele tinha um amor muito grande não só pela família como também pelo povo de Sergipe. Era uma pessoa muito humana”, concluiu Cláudio Déda.

Para a governadora do Rio Grande do Norte, Rosalba Ciarlini (DEM), que conheceu Déda enquanto ambos eram prefeitos, a adversidade partidária nunca impediu que os dois lutassem juntos pelo melhor para o Nordeste.

“Estivemos juntos em muitas lutas municipalistas, depois, quando eu já senadora e ele governador, nos somamos também em lutas que sempre tinham a visão maior de defender o nosso Nordeste, em busca de justiça social. Apesar de sermos de partidos tão opostos, nos uníamos naquilo que era mais importante, que era o bem do povo. Esse foi o Déda que conheci: dedicado, um homem de coragem, determinado, que defendia Sergipe acima de qualquer coisa. Que ele esteja, e com certeza está, ao lado de Deus, mandando muitas bênçãos para Sergipe e para o povo Sergipano”, disse a governadora potiguar. Em passagens rápidas, os governadores de Alagoas, Teotônio Vilela, e de Pernambuco, Eduardo Campos, também vieram a Aracaju homenagear Marcelo Déda.

Humberto Costa, senador por Pernambuco, também destacou seus sentimentos, mas ressaltou que as demonstrações de amor dos sergipanos aliviam este momento de dor. “Um sentimento de perda muito grande, mas ao mesmo tempo, um sentimento de conforto, porque estamos vendo o quanto esse povo amava o governador Marcelo Déda, então ele está tendo a despedida que certamente ele gostaria de ter”.

Sílvio Santos, secretário-chefe da Casa Civil, destacou o espírito de liderança do amigo partidário. “Déda foi um líder que todo sergipano hoje reconhece, aliás, reconheceu a vida inteira, e hoje este é mais um reconhecimento da liderança de Déda. Vai fazer muita falta para a classe política, mas ele deixa um legado fundamental, que é uma forma nova de fazer política republicana, em respeito ao povo, com muita ética, e com muito social”.

De acordo com o deputado federal Márcio Macedo, Déda entra para história pelo conjunto da sua obra e pelo patrimônio político que deixou. “Ele deixou uma obra na política e na gestão que mudou a face de Sergipe, agora, o principal patrimônio que, por exemplo, é a minha referência, e que me move na política, é a forma ética com que ele tratou a política de forma séria. Déda é um homem que não tem patrimônio material, nunca esteve na política para benefício pessoal, foi para servir ao povo na sua maior vocação que era a política.

“Ele deixa um apartamento e um carro, mas não deixa muitas riquezas para a família, o que significa esta parte ética, eu acho que esse é o grande legado dele, é a ética, e realmente um homem que procurou trabalhar pelo povo. Ele estava preparado para a sua partida e fez sua preparação, se confessou, recebeu o sacramento da unção, recebeu Jesus vivo e a sacristia, eu mesmo levei ao Hospital da Eucaristia”, explicou o Arcebisbo de Aracaju, Dom José Palmeira Lessa, que relatou também a última conversa entre os dois.

“Eu tive com ele e me disse que só tinha que agradecer a Deus pela sua vida, por tudo que aconteceu na sua vida, que não reclamou nem da doença, nem dos sofrimentos em consequência da doença, pois ele só tinha a louvar e agradecer a Deus, como homem, homem político e homem político-cristão”, declarou o religioso.

Honrarias Militares
Por volta das 13h, o corpo do governador Marcelo Déda foi recebido pela multidão na praça Fausto Cardoso, em fente ao Plácio do Governo, num momento de muita emoção. Em seguida, o cerimonial militar, destinados aos chefes de Estado, realizou uma série de saudações, inclusive, a salva com 19 tiros e apresentação de armas. Às 14h30, o corpo de Marcelo Déda seguiu em cortejo fúnebre até o Aeroporto de Aracaju, e embarcou em um avião da Força Aérea Brasileira em direção a Salvador (BA) para ser cremado, já que Aracaju não possui crematório.

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