terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Jackson Barreto: uma história de luta e trabalho ao lado do povo

De família humilde e nascido no pequeno município sergipano de Santa Rosa de Lima, Jackson Barreto de Lima sempre se mostrou visionário, destemido e batalhador. Foi assim que despertou para a política, ainda quando estudante, e se tornou um dos importantes personagens na luta pela redemocratização do Brasil, na época da Ditadura Militar. Foi assim, também, que se tornou prefeito da capital sergipana, Aracaju, em 1985, inaugurando uma nova forma de administração pública, voltada para o enfrentamento das desigualdades sociais e indo contra às políticas que priorizavam a cidade para as elites, tão comum à época, sendo um dos pioneiros do país a destinar, prioritariamente, os recursos públicos para os mais carentes.



Filho de Etelvino Alves de Lima, um pequeno comerciante e Neuzice Barreto de Lima, professora, chegou ainda menino em Aracaju. Em toda a sua vida, estudou em escolas públicas e é por isso, e por ser filho de uma professora, que sempre valorizou a educação pública, pois, segundo ele, este é o maior instrumento de transformação e inclusão social. Concluiu o segundo grau no Rio de Janeiro, no ano do golpe militar (1964). Naquela época, ainda um garoto, participou do famoso comício das reformas (Comício da Central do Brasil), com Jango, Miguel Arraes e Seixas Dórea. Um momento histórico para o país.



Também teve papel fundamental na história do movimento estudantil sergipano. Ingressando na Faculdade de Direito, foi presidente e vice-presidente do Diretório Acadêmico Silvio Romero. Fundador do DCE da UFS, Jackson foi o coordenador da primeira eleição para o DCE-UFS, em 1968.  Ainda muito jovem Jackson foi carteiro, funcionário da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT). Quando ingressou na faculdade de Direito, ainda exercia o ofício de carteiro. Também foi técnico da R eceita Federal, e atuou como advogado – Graduado pela Universidade Federal de Sergipe.


Redemocratização



Jackson foi preso político por duas vezes, durante a Ditadura Militar, em 1972 e 1976. Foi julgado e absolvido em 1978 pela Auditoria Militar da Bahia. Na luta pela democracia, Jackson foi membro da Coordenação da Campanha Nacional pela Anistia e um dos líderes em Sergipe da Campanha pelas Eleições Diretas, em 1984. Foi ainda representante do PMDB na Campanha Nacional pela Eleição de Tancredo Neves e membro do PMDB na Campanha Nacional pela Constituinte. Jackson andou pelo país ao lado de Ulisses Guimarães, Teotônio Vilela, Arraes e tantos outros, pregando a volta da democracia.



Política e mandatos



Em 1970, Jackson filiou-se ao então MDB e em 1972 foi eleito vereador de Aracaju. Dois anos depois foi eleito deputado estadual. Já em 1978 alcançou seu primeiro mandato de deputado federal. Em todos esses pleitos Jackson foi sempre o candidato mais votado, sendo também a voz dos movimentos populares. Reeleito deputado federal em 1982, com um belo trabalho na luta pela redemocratização, em 1985, foi o primeiro prefeito eleito da capital sergipana, após anos de ditadura.



As ações de Jackson como prefeito de Aracaju foram revolucionárias, em um momento da história em que o poder público nacional priorizava beneficiar apenas os mais ricos, ele contrariou a ordem dominante e levou a ação da prefeitura para a periferia, promovendo uma verdadeira revolução social e destacando-se pelas obras marcantes de infraestrutura em toda a periferia de Aracaju, construção de creches, centros de saúde, áreas de lazer e construção de escolas para zerar o déficit escolar da capital. Foi considerado pelo magistério o grande prefeito da categoria.



Vítima de intensa perseguição política por parte das viúvas da ditadura, Jackson foi obrigado a renunciar ao mandato de prefeito. Naquele momento, pesquisas do Ibope apontavam que o governo Jackson tinha aprovação de 92% da população. Mas a História parecia clamar que o grande líder da capital, amado pela população pobre, passasse por um processo de consagração. Quando muitos achavam que tinham destruído Jackson, ele se candidatou a vereador da capital, e gastando apenas a sola de sapato e sua oratória que o povo entendia muito bem, foi eleito o vereador mais votado da história de Aracaju, com mais de 23 mil votos. Jackson voltou à cena política nos braços do povo e em 1992 foi eleito para o seu segundo mandato de prefeito na capital sergipana, após uma eleição marcante. Apesar das perseguições passadas, Jackson continuou coerente ao que acreditava e continuou trabalhando focado em levar assistência aos mais pobres e pela redução da desigualdade.



No entanto, atendendo a um forte clamor popular, renunciou à prefeitura p ara disputar o governo de Sergipe em 1994. Numa eleição histórica, onde pela primeira vez um candidato das esquerdas conseguiu uma vitória significativa: uma vitória no primeiro turno e a disputa pelo governo, no segundo turno, onde foi derrotado.



Foi reeleito para a Câmara Federal em 2003 e em 2007. Em todos os seus quatro mandatos como deputado federal, Jackson conseguiu manter uma atuação de destaque. Em seu último mandato o deputado Jackson atuou fortemente pela redução da tarifa e melhoria no transporte público, tendo sido presidente da Frente Parlamentar pelo Barateamento do Transporte. Na Câmara Federal Jackson lutou ainda, pelos aposentados, policiais e professores, apoiando e votando nos projetos ligados a cada categoria. Trabalhou e conseguiu recursos para ampliar os assentamentos do MST. Hoje, em quase todos os municípios sergipanos encontramos uma obra da ação parlamentar do deputado Jackson Barreto.



Num processo de alianças buscando a continuidade de um projeto que vinha mudando Sergipe, Jackson abriu mão de disputar uma vaga para o Senado Federal e aceitou o convite para ser o vice na chapa encabeçada pelo governador Marcelo Déda. Como vice-governador, sempre se mostrou atuante, estando à frente em algumas ou contribuindo em todas as ações de governo que fizeram Sergipe despontar em índices de desenvolvimento e promovendo a melhor qualidade de vida dos sergipanos.


Diplomação e Governo



Estando à frente do Governo, desde maio de 2013, quando o governador Marcelo Déda licenciou-se por motivos de doença, Jackson se mostrou incansável, trabalhando arduamente para que os projetos do governo fossem levados adiante e efetivados em todo o estado.



Com uma memória e disposição invejáveis, espírito irrequieto e igualitário, popular, carismático e reconhecido pelo povo, sobretudo por sua atenção com os mais necessitados e sensibilidade com as causas mais urgentes da população, Jackson Barreto tomará posse nesta terça-feira, 10, como governador de Sergipe, em decorrência do falecimento do governador Marcelo Déda. A solenidade será dirigida pela presidente da Assembleia Legislativa, Angélica Guimarães, no Palácio Governador João Alves Filho, na Praça Fausto Cardoso, às 11h30.



Segundo Jackson, não era desta maneira, após um episódio tão triste para a política nacional e para Sergipe, com a partida de Marcelo Déda, que desejava chegar ao cargo de chefe do Executivo do Estado. Mas diante da inevitável circunstância continuará trabalhando intensamente para fazer de Sergipe um estado cada vez melhor para sua gente.


ASN

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