segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

“Eliane se credenciou para uma candidatura”, diz Márcio Macêdo

Por Max Augusto
Jornal da Cidade/ Blog do Max

De acordo com o deputado federal Márcio Macêdo (PT), a morte do governador Marcelo Déda revelou para Sergipe o que o PT já sabia: a dignidade da ex-primeira-dama Eliane Aquino (PT). Segundo Márcio, tudo o que aconteceu durante a tragédia que foi a doença e morte do governador Marcelo Déda, fortaleceu e credenciou Eliane a uma candidatura. Nesta conversa com o JORNAL DA CIDADE Márcio ainda considerou que o prefeito de Aracaju, João Alves Filho (DEM), faz uma gestão ruim e mesmo assim, deve ser candidato ao governo do estado, no próximo ano. Márcio também vai defender que a candidatura de senador, no bloco governista, continue com o PT. Leia a seguir a entrevista completa.


JORNAL DA CIDADE - Com Rogério Carvalho no comando do partido, o que deve mudar no PT? A política de alianças permanecerá a mesma?
Márcio Macêdo - Eu não sei ainda qual é a posição de Rogério Carvalho. No segundo turno do PED se constituiu uma aliança política entre ele e Ana Lúcia e eu não tenho informação de como eles estão definindo esta questão entre eles. Já vi, através da imprensa, entrevistas de integrantes da Articulação de Esquerda, como o presidente da CUT, Professor Dudu, que defende candidatura própria. O nosso campo político, a Articulação Unidade na Luta/Construindo um Novo Brasil, vai defender a manutenção da política de alianças que hoje governa Sergipe, apoiando a pré-candidatura ao governo de Jackson Barreto.

JC - Existe a possibilidade de o PT estar aliado ao PSC em 2014? Alguns setores do partido defendem isso?
MM - Não vejo essa possibilidade. Não tem nenhuma discussão sobre este assunto no PT.

JC - Como o PT recebe a possibilidade de estar numa chapa ao lado do DEM? A atual direção do partido já emitiu posicionamento interno sobre a possibilidade?
MM - Não tenho conhecimento desta possibilidade. Depois, eu acho que João é candidato a governador, o que elimina a possibilidade de uma aliança. E existe ainda um complicador nisto: há uma deliberação do Diretório Nacional do PT que não permite aliança com o DEM, com o PSDB e com o PPS.

JC - O PT ainda quer indicar o candidato ao senado, numa composição com o PT, PMDB e PSB, entre os demais partidos da aliança?
MM - Sim. Vou defender que a vaga de senador continue sendo uma indicação do PT.

JC - Como o partido está avaliando as especulações sobre uma possível candidatura de Eliane Aquino ao senado, Câmara Federal, ou mesmo vice do PMDB? O PT pode apoiar, bancar essa candidatura?
MM - Essa tragédia, que foi a morte precoce de Déda, revelou para Sergipe, o que nós já sabíamos, que Eliane é uma pessoa muito digna. O comportamento dela como esposa, como primeira-dama, como militante e como cidadã, foi louvável. Além do respeito dela com o povo sergipano. Isso a fortaleceu muito e a credenciou para uma possível candidatura, se ela assim desejar.

JC - O senhor avalia que a base governista permanece unida em 2014, com PMDB, PSB, PT, PSD, PC do B e demais partidos?
MM - Sim. O núcleo central desta aliança vem desde 1994. Os outros partidos que ao longo destes anos se engajaram, também fazem parte do projeto que governa Sergipe hoje. São todos responsáveis por esta grande obra de transformação no Estado, liderada por Marcelo Déda nos últimos sete anos e, atualmente, comandada por Jackson Barreto. 

JC - Como o senhor avalia a declaração do senador Valadares, de que pretende conversar sobre política com o prefeito João Alves, em 2014?
MM - A política deve ser uma ação de atores civilizados. Todos têm o direito de conversar com quem lhe convier. Mas eu não quero me envolver na discussão de nenhum partido da base aliada. Cada um utiliza a estratégia que lhe parecer melhor.

JC - Como o senhor avalia o primeiro ano da gestão de João Alves Filho na prefeitura?
MM - Acho uma gestão ruim. Não diz para que veio, não tem nenhuma obra relevante e nenhuma ação concreta de governo. Apenas dá continuidade ao que foi deixado pela gestão do PC do B com o PT e partidos aliados e às ações e convênios do governo federal e do governo do Estado na cidade.

JC - Como parlamentar ligado às causas ambientais, qual a sua avaliação sobre a obra que está sendo realizada no Rio Sergipe, ali na 13 de julho?
MM - Acho um absurdo uma intervenção de engenharia de grande porte numa área de preservação permanente sem licença ambiental e sem observar as conseqüências para o futuro do rio e da cidade de Aracaju. Nem na Ditadura Militar, isso era possível. É uma obra feita ao arrepio da lei. Uma coisa é uma obra de emergência, com decreto da defesa civil indicando os riscos para sociedade e para o meio ambiente e a sua utilidade publica, outra coisa é uma obra faraônica sem respeitar a legislação. Ainda bem que a Justiça Federal na sua segunda instancia determinou o embargo da obra. Quero lembrar que esta é a tese que defendi desde o inicio desta polêmica. A Justiça mostrou que nós tínhamos razão.

JC - Qual a sua avaliação do comando de Jackson Barreto no governo do estado? Qual a sua expectativa em relação a ele?
MM - A minha avaliação é positiva. Ele está seguindo rigorosamente o calendário de obras, inaugurações e ações planejadas por Déda, por ele e pelo conjunto do secretariado. E a minha expectativa é que ele defenda o legado de Marcelo Déda, dê sequência a este projeto de transformação do Estado de Sergipe, obviamente, de acordo com seu estilo, e consolide este bloco de partidos aliados que dá sustentação ao governo.

JC - Quais serão os principais temas a serem debatidos na Câmara Federal, em 2014?
MM - A reforma política, a reforma tributária, com a conclusão da reforma do ICMS e o Comércio Eletrônico, o Marco Civil da Internet, o Código da Mineração e o Código Civil são alguns dos principais temas em pauta para o próximo ano.

JC -  Como foi sua atuação legislativa em 2013, quais os principais pontos?

MM - Considero minha atuação neste ano como positiva. Figurei entre os 150 parlamentares mais influentes do Congresso Nacional, relatei e presidi medidas provisórias importantes para o país, a exemplo da negociação da dividas do INSS de Estados e municípios e a PEC do comércio eletrônico. Estive presente de forma destacada nos grandes debates nacionais, como a definição dos royalties do petróleo para educação e saúde, a aprovação do Estatuto da Juventude, a lei dos portos, o programa Mais Médicos, a PEC das Domésticas e a PEC de Combate ao trabalho escravo e as políticas de combate aos efeitos da seca, entre outras ações. Indiquei emendas parlamentares para Sergipe. E estive presente na definição de ações e recursos federais para o Estado, como a implantação da Universidade Federal do Sertão. 

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