quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Câmara de Barra dos Coqueiros debate impactos do aterramento do Rio Sergipe



Na noite da última terça-feira a Câmara de Vereadores da Barra dos Coqueiros se transformou em um espaço de debates sobre as irregularidades e os impactos ambientais gerados pelo aterramento do Rio Sergipe. Vereadores e militantes da área ambiental debateram o tema durante audiência pública realizada na Câmara de Vereadores da Barra dos Coqueiros. O mandato democrático e popular da deputada Ana Lúcia, que vem acompanhando esta problemática e militando no o Fórum em Defesa da Grande Aracaju, esteve presente no debate.


Na ocasião, o coordenador do Fórum em Defesa da Grande Aracaju, José Firmo, criticou a atitude da Prefeitura Municipal de Aracaju de aterrar o leito do Rio Sergipe, um dos principais do Estado, sem os Relatórios de Impacto Ambiental (RIMA) estabelecidos por lei, para a construção de um novo calçadão no bairro 13 de julho. Mesmo sem os estudos, a obra já foi iniciada, desde outubro deste ano, quando a justiça emitiu parecer favorável à prefeitura, alegando a urgência da obra.

De acordo com José Firmo, o aterramento trará um impacto ambiental sem precedentes. "Nos aspectos biológico e ambiental, as consequências já são visíveis, mesmo sem a obra ter sido concluída. A interferência para os peixes, os mariscos e os crustáceos aqui na região já é clara mesmo para leigos", esclarece o coordenador do Fórum. 

Ele explica ainda que, da forma que está sendo encaminhada a obra, o aterro é praticamente irreversível. "Retirar estas pedras que estão sendo depositadas no leito do nosso Rio Sergipe é quase impossível, mesmo com equipamentos pesados", garante ao explicar que o máximo que se admite é que as pedras sejam colocadas à margem do rio, permitindo que possam ser retiradas futuramente. 

Rafael Pereira, representando o mandato democrático e popular da deputada Ana Lúcia chamou a atenção para o prejuízo social da obra, fruto do seu impacto ambiental."A situação dos pescadores e marisqueiras da região é muito grave. São cadastradas como pescadoras 540 famílias da Barra dos Coqueiros. Com a mudança de fluxos do rio e com a modificação da fauna e flora local devido aos impactos ambientais da obra, essas 540 famílias perderão seu sustento", alertou o assessor parlamentar.

Após fazer uma avaliação dos impactos da obra para a população da Barra dos Coqueiros, o vice-presidente da Barra dos Coqueiros e membro do Fórum em Defesa da Grande Aracaju, Cláudio Barreto (Caducha), sugeriu que a Câmara Municipal montasse uma comissão parlamentar para debater mais profundamente sobre o tema intervir politicamente para barrar a obra. 

Precisamos consolidar um espaço político para demonstrar ao judiciário que a população da barra dos Coqueiros tem uma posição. Está na hora de ir à Adema, ao MPE, de alertar os poderes e mobilizar a população para demonstrar nossa indignação com o que está sendo feito na Barra dos Coqueiros" alertou o vice-prefeito, sugerindo ainda a elaboração de um abaixo assinado exigindo a suspensão da obra.

"Queremos ouvir de vocês uma ação propositiva", cobrou Marina Bezerra, membro do Coletivo Seja Realista, Exija o Impossível e do Fórum em Defesa da Grande Aracaju. Ela solicitou ainda que a Câmara elabore e aprove uma nota pública de repúdio subscrita por todos os vereadores a fim de chamar a atenção para o problema, e cobrou dos vereadores da base aliada uma interlocução com o prefeito de Barra dos Coqueiros, Airton Martins, para que ele se posicione publicamente e oficialmente sobre o aterro.

Presenças

Além dos militantes, vereadores e vice-prefeito, estiveram presentes também os Secretários municipais 
de Agricultura e Pesca, Amélia Silva e Educação, Manuel Viana. 

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