quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Ano Educacional Ofenísia Soares Freire será celebrado em 2014

Grande educadora e militante socialista, a estanciana que fez história e contribuiu para a formação educacional de milhares de sergipanos, se viva estivesse teria completado cem anos no dia 6 de dezembro. Diante da relevância da história da professora Ofenísia Soares Freire, a deputada estadual e professora Ana Lúcia (PT) apresentou um Projeto de Lei nº 242/2013 que institui o ano de 2014 o “Ano Educacional Ofenísia Soares Freire” e foi aprovado na manhã desta quarta-feira, 18.

A lei propõe ao Poder Público que através da Secretaria de Estado da Educação e da Cultura, em conjunto com as entidades da sociedade civil organizada, criar uma comissão de organização de atividades pedagógicas e culturais a serem desenvolvidas na sociedade e nas escolas com o objetivo de divulgar a vida e a obra da professora Ofenísia em seu centenário.
Além disso, estabelece que os eventos organizativos devem envolver atividades que visem promover debates sobre a vida e obra da Professora, de forma a contribuir com o cenário educacional e cultural fortalecendo o processo de construção de identidade da sociedade Sergipana.

A estanciana Ofenísia

Nascida em Estância no ano 1913, filha de Dionísio Soares e Ernestina Esteves da Silveira Soares, ainda na juventude despertou a desenvoltura com as palavras. Seu irmão, o médico Pedro Soares, foi editor há muitos anos do jornal A Razão, folha polêmica e corajosa onde eram não apenas divulgados os fatos e expressando opiniões políticas e ideológicas.
Ofenísia ainda tinha outros irmãos, João, Dalva, Osvaldo e Nivaldo. Apesar de ter iniciado seus estudos em Estância, aos 11 anos foi estudar em Aracaju, no Colégio Santana, onde foi aluna da professora Quitina Diniz, uma das grandes referências para Ofenísia Soares Freire.
Mesmo como interna no Colégio Santana, Ofenísia cursou a Escola Normal Rui Barbosa, formada retornou a Estância indo lecionar em uma pequena escola no povoado Caminho do Porto, no Grupo Escolar Gumercindo Bessa e no Colégio Sagrado Coração de Jesus.
Lecionou as disciplinas de Língua e Literatura Portuguesa, Teoria Literária e Língua e Literatura Brasileira, tendo sindo professora no Colégio Atheneu Sergipense, no Colégio Tobias Barreto, no Colégio Jackson Figueiredo, no 1º pré-vestibular do estado.
No Colégio Atheneu Sergipense a professora Ofenísia começou a lecionar por intermédio do então professor e seu cunhado, profº Franco Freire.
Foi convidada a dar aulas no Colégio Tobias Barreto, à época dirigido pelo professor Alcebíades Melo Vilas Boas.
Ofenísia Freire foi casada com o funcionário público e diretor do Tesouro do Estado de Sergipe, Filemon Franco Freire, que foi militante do PCB. A professora que também foi militante do 'partidão' tendo em 1947 disputado as eleições como deputada estadual para que o médico Armando Domingues saísse eleito.
No período do regime militar a pedagoga militante não se furtou de ir às ruas discursar e até viajar para outros estados, engajada e dona de uma oratória louvável, seus discursos ecoavam na Praça Fausto Cardoso. Ofenísia arrebanhou mentes e corações para a transformação social no seu estado.
Em 1964 quando integrava o Conselho Estadual de Educação, teve seu mandato extinto, além de ter sido afastada do magistério do Atheneu, retornando alguns meses depois.
Nesta época, seu marido, Filemon Freire esteve preso no 28º BC, e Ofenísia ia com frequência levar seu almoço, e continuou a dar aulas no Colégio Tobias Barreto e na Escola Atheneu Sergipense.
Com o PCB tendo o seu registro anulado e seus militantes indo para a clandestinidade, Ofenísia Freire voltou-se integralmente para a cátedra.
Eleita presidente na Academia Sergipana de Letras em 1980 na vaga do poeta Abelardo Romero, tomando posse no dia 25 de novembro, ocupou a cadeira de nº 16, ano em que publicou seu livro, “A Presença Feminina nos Lusíadas”, reeditado em 2000.
Ofenísia Freire tem a sua contribuição literária registrada nas páginas dos jornais Estancianos “A Razão” e “A Voz do Povo”, com o pseudônimo de LP. Escreveu em Aracaju no jornal “Gazeta de Sergipe” assinando a coluna a Arte da Gramática, no Jornal da Cidade e no El Sergipense, além de ter publicado inúmeras crônicas.

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