sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Sergipe registra 392 casos de leptospirose nos últimos 6 anos

Segundo dados do Núcleo de Sistema de Informação (Sinannet), da diretoria de Vigilância Epidemiológica da SES, foram registrados em Sergipe, entre os anos de 2007 e 2013 (este de janeiro a outubro), 392 casos de leptospirose. Os municípios que mais registraram casos foram Aracaju (153), Nossa Senhora do Socorro (72), São Cristóvão (26), Laranjeiras e Maruim (20), Riachuelo (9) e Lagarto (7).


A leptospirose é uma doença infecciosa, adquirida pelo homem, principalmente, pelo contato direto com água e lama contaminadas com urina do rato, através da bactéria Leptospira, que penetra na pele. Segundo o médico infectologista da Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Estado da Saúde (SES), Marco Aurélio Góes, os sintomas mais comuns são febre alta, dor de cabeça e dor no copo (principalmente nas panturrilhas).


“A leptospirose não é transmitida de uma pessoa para a outra. Além da febre alta e das dores, o paciente pode evoluir o quadro com icterícia (pele e olhos alaranjados), diminuição da quantidade de urina, tosse e sangramentos. Inicialmente, os sintomas podem ser muito parecidos com outras doenças infecciosas, sendo muito importante a história da exposição prévia ao risco de infecção (águas contaminadas) para ajudar a diferenciar. A doença pode aparecer de 1 a 30 dias após o contato com a água contaminada”, explica.


Marco Aurélio Góes comenta que não existe uma época específica para o aparecimento da doença. “Os casos de leptospirose podem ocorrer durante todo o ano, mas após períodos chuvosos há um aumento porque, diante da quantidade de lama e água parada, principalmente em áreas carentes, cresce o risco das pessoas entrarem em contato com a Leptospira”, esclarece.

Prevenção e tratamento

O infectologista comenta ainda que, para prevenir a doença, é preciso analisar os três momentos da provável exposição à Leptospira: antes, durante e após enchentes e enxurradas.


“Antes da ocorrência da exposição, devemos tomar atitudes para afastar os ratos dos locais que habitamos, fazer o adequado descarte do lixo e não acúmulo de entulhos, principalmente, em terrenos baldios. A presença de ratos perto do domicílio constitui o principal fator de risco para a aquisição da leptospirose”, esclarece Marco Aurélio.


O médico pontua ainda que, durante a exposição à água ou lama contaminada, o ideal é utilizar botas de cano longo e luvas impermeáveis. Sacos plásticos, daqueles usados em supermercados ou de lixo, não têm o poder para proteger a pele. Quando isso não for possível, deve-se tentar diminuir ao máximo o tempo de exposição nessas áreas.


“Deve-se também ter cuidado com as crianças para não brincarem na água e na lama após as enchentes. Após o contato com a água contaminada, é importante ficar em alerta para o aparecimento de sintomas clínicos. Na ocorrência de qualquer doença febril, é preciso procurar imediatamente o serviço de saúde e receber as orientações de um profissional. O tratamento da leptospirose é realizado com o uso de antibióticos em nível ambulatorial ou hospitalar, dependendo da gravidade do quadro”, esclarece. 

A Vigilância Epidemiológica da SES realiza diversas ações para orientar a população no combate e prevenção da leptospirose. “A SES trabalha com a notificação de todos os casos suspeitos, com o objetivo de investigar a área de transmissão para promover ações educativas locais e diminuição de ratos da localidade. A equipe também trabalha com treinamentos e divulgação de informes para alertar os profissionais de saúde de todos os 75 municípios quanto ao diagnóstico e o tratamento da doença”, destaca Marco Aurélio.

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