quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Senadores debate soluções tecnológicas para convivência com a seca



Encontrar as soluções tecnológicas mais adequadas à convivência da Região do Semiárido nordestino com os períodos de estiagem prolongada, bem como de pós-seca, é uma das preocupações da Comissão de Desenvolvimento Regional e Turismo (CDR), que promoveram audiência pública para discutir o tema. A reunião é fruto de requerimento do presidente da Comissão, senador Antonio Carlos Valadares (PSB-SE), e da senadora Lídice da Mata (PSB). Na oportunidade, especialistas e representantes de organismos governamentais cobraram uma política de Estado que privilegie medidas de natureza não emergencial, mas estruturantes.

A região do semiárido nordestino, que abriga 22 milhões de brasileiros espalhados por 1.133 municípios, tem sofrido com a seca, considerada a pior dos últimos 50 anos, que prejudica lavouras e atrapalha a produtividade na região. Para garantir a produção agrícola sustentável no período muito projetos vêm sendo empregados. Representantes da Embrapa Semiárido e do Instituto Nacional do Semiárido (INSA) apresentaram casos, como a utilização da água da chuva para irrigação e o incentivo a métodos produtivos por enxerto.

O superintendente da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene),  Luiz Gonzaga Paes Landim,  observou que bons projetos, estudos e iniciativas se acumulam e o problema, na verdade, é a falta de vontade política. “As soluções técnicas já foram apontadas, mas estamos na mesmice, quando as soluções já foram apontadas há muito tempo. Diagnósticos, estudos, pesquisas e caminhos nós temos à vontade, falta vontade de percorrê-los”, disse.

A falta de articulação entre os organismos governamentais que se dedicam ao estudo de técnicas que possam minimizar os efeitos da seca também foi apontada como um problema durante a reunião. A Sudene pode ser o órgão articulador das políticas para a região Nordeste, na avaliação do senador Inácio Arruda (PCdoB-CE), que defendeu o fortalecimento da instituição. “A Sudene deveria ser revigorada. Esse organismo, a Sudene, é o órgão central do debate sobre o Nordeste e todos os outros, como Dnocs, Codevasf e Chesf, deveriam estar subordinados à ação dessa instituição”, avaliou.

Para o presidente da CDR, senador Valadares, a extinção da Sudene em 2001 foi um grande erro do governo Fernando Henrique Cardoso. Em 2007, o governo resolveu recriar a Sudene. “A Sudene e os demais órgãos que compõem a estrutura de apoio ao desenvolvimento do Nordeste devem ser fortalecidos”, defendeu.

Na opinião do presidente da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), Elmo Vaz Bastos de Matos, o maior inimigo não é a seca e sim a burocracia do país. “Não faltam recursos financeiros e matérias nem tecnologias. O que falta é uma nova forma de fazer”, ressaltou.

O senador Armando Monteiro (PTB-PE), afirmou que é necessário  repensar uma política desenvolvimento regional. “O que me parece que esses órgãos perdem um pouco essa capacidade de produzir com suas ações mudanças efetivas porque não há articulação mais nítida e uma coordenação na utilização desses instrumentos”, disse.

Também participaram da audiência a Assessora da Área de Planejamento e Gestão do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs), Raquel Pontes; o diretor do Instituto Nacional de Semiárido (INSA), Ignácio Hernán Salcedo; e chefe-adjunto da Embrapa Semiárido, Jose Nilton Moreira.

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