quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Márcio Macêdo discursa em referência ao Dia da Consciência Negra



O deputado federal Márcio Macêdo (PT) fez um pronunciamento hoje em homenagem ao Dia da Consciência Negra, comemoração que acontece desde 1960 em várias partes do país e é acompanhada de festas populares, encontros culturais, palestras e manifestações de cunho político e religioso. “Devido às conquistas no cenário nacional, as ações afirmativas estão entre os assuntos em destaque neste mês da consciência negra. Mas as atividades do período também abrem um amplo leque de debates em torno de temas como a prevenção da violência contra a juventude negra do nosso país. Hoje é um dia de reflexão, um dia para relembrarmos a história, e o herói Zumbi dos Palmares”, afirmou o parlamentar, que fez, em seu discurso, um breve relato da história do Quilombo dos Palmares, relembrando a luta contra a escravidão.


“Este dia de referência aos negros do nosso país, na verdade, é um dia para lembrarmos a contribuição do negro na formação social brasileira, o que não se resume somente a Palmares. Os negros sempre estiveram presentes nos movimentos sociopolíticos como a Abolição, a expulsão dos holandeses, a luta pela independência, a Revolução Farroupilha, o movimento Cabano em Alagoas, a Inconfidência Mineira e, depois, a inconfidência baiana lá em Canudos, a Revolta da Chibata. Também estiveram, sim, na longa caminhada contra a ditadura e nas Diretas Já e hoje continuam na luta pelo fortalecimento da democracia e na luta pela diminuição das desigualdades sociais”, destacou.

Feita esta referência histórica, o parlamentar apresentou dados recentes relacionadas aos ainda elevados índices de violência envolvendo negros no país. “Ainda morrem, por homicídios, proporcionalmente, mais jovens negros do que jovens brancos”, frisou Márcio Macêdo, apontando que 53% dos homicídios registrados no Brasil atingem pessoas jovens, sendo que 75% são negros de baixa escolaridade, com maioria de homens, segundo dados do Ministério da Saúde. Estes indicadores levaram o Governo Federal, por meio da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial, a lançar o Plano de Prevenção à Violência contra a Juventude Negra, destacou o parlamentar.

“O objetivo é levar o programa aos 132 Municípios mais violentos do país, com ações voltadas para as áreas de educação, com ensino em período integral; criação de espaços culturais em áreas violentas; estímulo ao empreendedorismo juvenil; e capacitação das forças policiais para lidar com jovens negros”, explicou.

“O Brasil ainda tem muito preconceito em relação ao negro,  mas felizmente muita coisa mudou, aliás, o país mudou, e continua mudando, e hoje a menina dos olhos de qualquer governante que tenha o mínimo de visão de futuro, que olha além do horizonte, é a diversidade, é a multiculturalidade, é a inclusão, pois todos sabem que o Estado brasileiro só se tornará de fato uma economia de primeiro mundo quando acabar com as desigualdades sociais”, ressaltou.

Neste contexto, o deputado reconheceu que apesar das conquistas dos últimos anos, a luta dos negros brasileiros contra o racismo, contra o preconceito e contra a discriminação ainda está muito longe da vitória. “Na época da escravidão, a violência contra os negros era física e direta. Hoje, ela é premeditada, silenciosa, sutil, traiçoeira, maldosa e eficiente porque não usa os castigos brutais para se impor como usavam os senhores de antigamente. Nos dias atuais, as barreiras políticas, sociais e econômicas que ainda existem contra os negros são quase intransponíveis, mas apenas poucos conseguem vê-las, o que torna a luta para derrubá-las muito mais difícil”, afirmou.

“Portanto, hoje é dia de celebrarmos as conquistas e de continuarmos a luta. Hoje é 20 de Novembro, Dia Nacional da Consciência Negra, martírio de Zumbi dos Palmares. A luta dele continua viva entre nós, nas mãos do povo brasileiro. A melhor forma de celebrarmos essa data, de homenagearmos negros, brancos, índios, pobres, todos os discriminados do nosso País. Não é tolerável que nenhum cidadão brasileiro, militante social, aceitar políticas que discriminam os negros, e também os brancos, índios, pobres, idosos. Não podemos tolerar que em nosso país ainda existam escravocratas”, concluiu.

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