quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Vereador diz que empresas de ônibus fazem "caixa 2" e escravizam trabalhadores

O vereador de Aracaju, Adriano Oliveira (PSDB), o “Adriano Taxista”, ocupou a tribuna da Câmara Municipal na manhã de ontem, para denunciar que os rodoviários que trabalham nas empresas de ônibus que circulam pela Grande Aracaju estão sendo escravizados pelos empresários. O tucano voltou a tratar das péssimas condições de trabalho, de atrasos salariais e até de “caixa 2” por parte de algumas empresas. Adriano ainda lamentou que o fato de várias denúncias serem protocoladas na Procuradoria Regional do Trabalho, sem que os empresários sejam devidamente penalizados.


Adriano disse que voltou a circular pelos terminais de integração da Grande Aracaju e os trabalhadores rodoviários continuam esquecidos pelo poder público. “É humilhante ver motoristas e cobradores, homens e mulheres, tendo que ficar dentro dos ônibus nos seus horários de repouso porque não há um local adequado nos terminais. Não tem um banheiro para as necessidades, para um banho. Não tem onde fazer a refeição. Isso é em todo canto! Enquanto isso, os empresários do transporte coletivo mangam da sociedade, mangam dos trabalhadores”.

Em seguida, Adriano Taxista disse que pior do que o esquecimento dos empresários é a falta de ação da Procuradoria do Trabalho. Ele disse a jornada de trabalho de um motorista são de seis horas corridas ou de sete horas e 20 minutos em caso de repouso. “As empresas não pagam hora extra! Aliás, a empresa Modelo é a única que paga, além do adicional noturno! Agora as empresas trabalham com o quadro reduzido. E esses profissionais são massacrados e humilhados. Trabalham 10 ou 11 horas por dia, na realidade. São obrigados a dobrar no turno sem receber no contracheque, mas na boca do caixa, ou seja, isso é Caixa 2!”.

Bastante revoltando com o descaso sobre a classe trabalhadora, Adriano foi ainda mais longe e disse que “a Procuradoria do Trabalho, a Superintendência do Trabalho precisam punir essas empresas! São audiências e mais audiências e pouco se resolve! Até quando a Progresso vai enganar os trabalhadores? Vou procurar o sindicato da categoria e nós vamos entrar com uma denúncia formal porque estão escravizando os trabalhadores! Os Rodoviários estão sendo escravizados pelos empresários do transporte! A Empresa Progresso está cometendo um suposto crime de improbidade! Estão descontando dos salários o FGTS e o INSS, mas não repassam para os trabalhadores!”.

Adriano Taxista ainda colocou que esse é um problema não apenas da gestão municipal atual, mas de gestões passadas. “Deixaram chegar nessa situação. Amanhã (6), mais de 40 ônibus da empresa Cidade Histórica/São Pedro devem parar! Circulam para Laranjeiras, São Cristóvão, no Augusto Franco, Santa Maria e outros bairros. Quem vai sofrer novamente? O povo! É uma situação absurda que nós não podemos suportar mais”.

Apartes – Os vereadores Max Prejuízo (PSB), Emília Correia (DEM) e Jailton Santana (PSC) se somaram ao discurso de Adriano Taxista. “Essa falta de respeito com os trabalhadores não vem de agora, mas de vários anos e, como sempre, que vai sentir os efeitos é a população. A gente tem conhecimento da preocupação do prefeito com este tema e que ele acelere logo esse processo da licitação do transporte. O sistema é caótico e o governo também tem que ajudar”, disse Max.

Emília Correia lamentou que tudo isso tenha vindo a tona na gestão do prefeito João Alves. “Essa questão dos trabalhadores tem que ser observada e fiscalizada. Soluções não acontecem de uma hora para a outra. Muito já foi feito nesses meses, mas tudo caiu”. Jailton Santana disse que “é comum os rodoviários fazerem suas necessidades atrás ou embaixo dos ônibus. É uma pauta importante e já levamos essa reclamação para a SMTT. Sabemos que é um problema de gestões anteriores, mas que ainda persiste e nós temos que continuar cobrando uma solução”.

Atalaia – Adriano Taxista cobrou da PMA que busque acelerar o processo em relação a Viação Atalaia. “Já tem alguns dias em circulação pela capital e, até agora, só chegaram 45 ônibus. São necessários mais carros porque a deficiência no transporte é grande”, disse.

Projeto – Por fim, Adriano destacou um projeto de lei aprovado pela Câmara Municipal de Curitiba (PR) preservando os empregos dos cobradores de ônibus. “Aqui em Sergipe as empresas estão comprando micro-ônibus e vão demitir os trabalhadores. Vamos apresentar uma proposta semelhante e contamos com o apoio dos nossos colegas vereadores em defesa dos empregos dos rodoviários”.

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