quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Rogério Carvalho: : “Não existe mais médico geral com competência para fazer cuidado continuado, para tratar as pessoas como gente”.


O deputado federal Rogério Carvalho( PT/SE) ocupou a tribuna da Câmara dos Deputados para defender o programa Mais Médicos do governo federal, cuja relatoria da Medida Provisória que tramita em comissão mista na Câmara e no Senado está sob sua responsabilidade. O parlamentar participou e, por algum tempo, presidiu os trabalhos na Comissão Geral que debateu o Programa na Câmara. Participaram da sessão, além dos parlamentares, especialistas e representantes da categoria médica e do governo federal.
 
Rogério destacou ainda a importância do debate: “ Nós estamos aqui com preconceito, com racismo, com descompromisso com a sociedade brasileira quando não topamos debater se é essencial ou não levar médicos para comunidades que não têm tido acesso aos serviços de saúde, porque sequer se consegue fixar nelas um médico. E o Governo está propondo um caminho, um caminho emergencial, mas um caminho legítimo, porque leva médicos para essas comunidades”.


O parlamentar também comentou sobre a qualidade do médico na sociedade: “ Na década de 1960, com a reforma universitária, foram criados cursos de graduação que especializavam médicos, e isso repercute até hoje. Acabou o médico geral neste País, e nós temos que ter a coragem de dizer: “Não existe mais médico geral com competência para fazer cuidado continuado, para tratar as pessoas como gente”. Acabou esse tipo de médico. E nós estamos aqui com a possibilidade de discutir o segundo ciclo... Para concluir: nós poderíamos neste momento estar discutindo o que fazer no segundo ciclo e como formar os médicos que os 150 milhões de brasileiros esperam que este País forme,para atender as necessidades do nosso povo”.



“Eu me sinto muito honrado por cumprir a tarefa de ser Relator de uma matéria tão importante. Também sinto-me bastante à vontade por estar aqui, no dia de hoje, junto a pessoas com quem militei em vários espaços do movimento médico,como Presidente do Sindicato dos Médicos, como Presidente da Associação Nacional dos Médicos Residentes, como Membro da Comissão Nacional de Avaliação do Ensino Médico” iniciou Rogério.

Depois, ele saudou os presentes: “Todas essas pessoas que hoje estão aqui me fazem recordar o tempo em que nós lutávamos para que os Governos, àquela época, tomassem conta de um tema tão relevante, tão importante, como o dos recursos humanos na área da saúde e, principalmente, da questão central, que sempre acompanhou o problema do SUS, que era a qualidade e o tipo de médico que nós colocávamos no sistema de saúde e no mercado de trabalho brasileiro”, disse.

O relator destacou a ousadia do programa e “da determinação, da coragem que o Governo está tendo de trazer esse tema para a pauta do Congresso Nacional e de pautar este debate na sociedade brasileira. Não foram todos os Governos. Aliás, faz 23 anos que nós estamos correndo atrás da implantação do Sistema Único de Saúde”.

Rogério discorreu sobre  a questão de vagas em Universidades: “ Em 1998, foi criado o Piso de Atenção Básica: nascem os sistemas locais de saúde. Em 2000, é aprovada a Emenda Constitucional nº 29: mais recursos para a saúde. Nos 10 anos da década passada, mais os últimos 10 anos, nós vimos uma explosão do mercado de trabalho médico no Brasil. E, ao longo desse período, nós estamos tendo a oportunidade de discutir temas de extrema relevância. Estamos diminuindo o debate que está sendo proposto na medida provisória. Nós temos aqui um debate fundamental, que é a ampliação do número de vagas. Nós vimos, pelos dados apresentados aqui, 40 estudantes por vaga. São 11 mil vagas! São 11 mil médicos a mais que este País pode formar todos os anos. São 11 mil famílias de brasileiros e brasileiras que vão ter a oportunidade de fazer medicina neste País”, disse..
  
E por fim, concluiu: “Esse, sim, é o debate que nós temos que fazer, e esse é o espírito que A Relatoria deseja. Nós estamos abertos para construir uma solução para um problema que não abrange todos os problemas do Brasil, mas cuja solução é fundamental para melhorarmos a saúde pública do nosso País, a saúde do povo brasileiro. Não devemos tratar com preconceito profissionais de outros países que querem atuar e dar sua contribuição à saúde do nosso País”.

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