segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Empresários sergipanos financiam volta da Arena


Estudantes pretendem recriar partido que deu sustentação política à ditadura militar


Por MAX AUGUSTO




Uma época de exceção democrática, com prática de tortura, prisões, mortes por motivações políticas, imprensa e artistas censurados. Essa foi a situação do Brasil após o golpe militar de 1964. Agora, quase 50 anos depois, um grupo de jovens brasileiros pega carona numa verdadeira farra de criação de partidos e trabalha a refundação da Aliança Renovadora Nacional (ARENA). O movimento já chegou a Sergipe, e segundo os coordenadores locais, alguns empresários estariam financiando as ações da nova Arena.



A velha Arena foi fruto da assinatura do Ato Institucional n° 2, publicado em outubro de 1965, extinguindo o pluripartidarismo existente no Brasil. Os 13 partidos que funcionavam no país foram desativados, dando lugar à Arena e ao MDB. Por ironia do destino, os representantes da nova direita, como se autodenominam, agora se lambuzam na democracia, tentando ressuscitar o partido que outrora liquidou com ela.



Aliás, seus representantes solicitaram ao Tribunal Superior Eleitoral para ter como número o sugestivo 69 - cuja conotação aqui passa longe da sexual, já que em 1969 entrou em vigor o famigerado Ato Institucional nº 5 (AI-5), que sobrepujou a constituição de 1967, fechou o Congresso Nacional e deu início ao período mais violento e autoritário do regime militar.



Sergipe

O JORNAL DA CIDADE / BLOG DO MAX conversou com os dois coordenadores do ainda tímido movimento em Sergipe: os estudantes universitários Heitor de Almeida Matos, 19 anos, e Márcio Santos, 26 anos. Segundo ele, hoje dez pessoas, todas estudantes, estão envolvidas no processo em Sergipe. Os mais velhos estariam com receio em militar formalmente no agrupamento, mas alguns se dispõem a financiar os trabalhos destes jovens que sentem saudade do que não viram.



O grupo hoje trabalha avaliando e selecionando pessoas para ingressarem na nova velha sigla. “Muitas pessoas têm demonstrado interesse. Não são tantos quanto gostaríamos, mas estamos avaliando bem as pessoas que vão entrar no partido, porque queremos que sejam bem enquadradas no perfil que desejamos. Temos um conselho de ética e não estamos com pressa de criarmos o diretório sem as pessoas certas, por mais que as eleições estejam chegando”, explicou Heitor Matos.



Além de divulgarem suas mensagens pelas redes sociais, o pequeno grupo vai começar a distribuir panfletos, camisas e espalhar banners pela cidade (tudo financiado pelos seus benfeitores ocultos). A boa aceitação seria fruto da insatisfação de jovens e pessoas mais velhas com a situação política brasileira e com o governo que classificam como de esquerda.



Eleições

Os dois líderes da nova Arena Sergipana garantem que conseguem organizar a comissão provisória da sigla em menos de um mês – o que garantiria a participação nas eleições do próximo ano. Apesar disso, é bom lembrar que o partido ainda não conseguiu as 500 mil assinaturas necessárias para a fundação de uma nova sigla – tendo ingressado no com uma ação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), visando garantir a sua participação no pleito, mesmo com um número insuficiente de assinaturas.



A legislação determina que na gestação de um novo partido, 0,5% do eleitorado de pelo menos nove estados assine o pedido de criação. Aqui em Sergipe a nova Arena precisa de 1.300 assinaturas , e já conseguiu colher cerca de 700, segundo Heitor e Márcio, que garantem: já há no interior de Sergipe, no município  de Tobias Barreto, interessados em criar um diretório municipal . Eles planejam a realização de um evento de alcance regional, em Sergipe, e falam que se conseguirem financiadores, estão dispostos a encarar as eleições.



“Temos contatos com vários empresários que vêm sendo prejudicados por essas licitações fraudulentas e que já estão apoiando financeiramente o partido. Empresários sergipanos já estão financiando e estão interessados em continuar financiando a iniciativa, que apoia a criação de um livre mercado justo”, afirmou Heitor, dizendo ainda que empresários do ramo imobiliário e de fornecimento de produtos hospitalares liberam recursos para o Arena.



Definições

Segundo os dois novos “direitistas”, o Arena chama atenção porque não aceitará nenhum tipo de barganha política ou politicagem, conforme a população esperaria. Se classificando como um partido de direita, (a direita “real”, segundo eles), o estatuto da Arena, que já foi publicado no Diário Oficial da União, proíbe alianças com partidos de esquerda.



Os representantes da sigla que surgiu em meio à ditadura militar dizem que são favoráveis à democracia e que sua ligação com a antiga Arena se baseia em valores como o nacionalismo, conservadorismo e moralismo. Eles repetem o velho discurso que ainda é citado pelos poucos simpatizantes do golpe de 64, e negando dados históricos, afirmam que na verdade houve uma contra-revolução, com a finalidade de impedir a implantação do comunismo no Brasil. O erro, repetem eles, seguindo a mesma velha cartilha posta em xeque por diversos historiadores, seria o prolongamento do período de intervenção militar.

TSE

No final do mês passado a Aliança Renovadora Nacional (Arena) ingressou no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com pedido de registro de seu estatuto para concorrer às eleições de 2014. A Arena pede que seja concedido seu registro provisório e sejam autorizados os registros de suas direções estaduais, sem o requisito de assinaturas de apoio de eleitores à criação de partido, exigido pela legislação, para que possa obter seu registro definitivo automático.

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