segunda-feira, 12 de agosto de 2013

ENTREVISTA: Márcio Macêdo vai disputar presidência do PT


“Meu nome está à disposição do PT”, diz o deputado

Por MAX AUGUSTO

Nesta entrevista ao JORNAL DA CIDADE / BLOG DO MAX o deputado federal Márcio Macêdo confirma que pretende disputar a presidência estadual do Partido dos Trabalhadores (PT) em Sergipe. Ele conta com o apoio do ex-senador José Eduardo Dutra e avalia que o posto exige alguém que tenha história dentro da sigla e que tenha um perfil conciliador, ou seja, que possa ser capaz de construir uma unidade interna. Márcio diz que a relação do PT com Jackson Barreto é muito boa e lembra que o próximo presidente irá comandar o PT durante as eleições de 2014 e 2016, quando o partido encerra um ciclo – iniciado quando Marcelo Déda chegou à Prefeitura de Aracaju. Ele também acredita que o bloco que o PT integra será vitorioso em 2014 e que o partido deve se preparar para uma posição de protagonismo no futuro. Leia a seguir.
 
JORNAL DA CIDADE – É verdade que o senhor pretende lançar seu nome para disputar a presidência do PT?
Márcio Macêdo – É. O meu nome está sendo colocado por companheiros da tendência Articulação Unidade na Luta/Construindo um Novo Brasil, com o objetivo de buscar a unidade interna da nossa corrente e apresentar o meu nome para a avaliação das demais tendências que compõem o PT, para construir um processo de fortalecimento do partido, e participar do processo de eleições diretas (PED) deste ano. Enfim, me coloco à disposição para apreciação do conjunto da militância do PT.    

JC – Porque decidiu apresentar seu nome? É uma decisão irreversível?
MM – Este é um momento peculiar para a história do nosso partido. Vivenciaremos o fechamento de um ciclo de gestão no Executivo de Sergipe, que se iniciou na prefeitura de Aracaju e teve prosseguimento no Governo do Estado. E reabriremos um novo ciclo, no qual acredito que o nosso bloco de partidos aliados será vitorioso e o PT será base de sustentação. Isso tem como conseqüência a necessidade do PT fortalecer a sua militância, estabelecer um processo de construção partidária, promover formação política dos seus filiados e assim poder se preparar para o futuro. A direção que será eleita terá um mandato de 4 anos, e na prática, comandará as eleições de 2014 e 2016. Portanto é preciso na presidência do PT alguém com perfil conciliador, que respeite as forças internas, as lideranças constituídas, que tenha identidade partidária, que possa construir a unidade que o partido precisa para este novo momento e possa garantir a livre expressão do conjunto da militância e preparar o PT para o protagonismo do futuro. E que mantenha o diálogo qualificado e respeitoso com os partidos da base aliada. Companheiros da CNB viram em mim este perfil para contribuir com o nosso partido.

JC – Como o senhor avalia a condução do partido pelo atual comando da sigla?
MM – Como toda gestão na interinidade, ela dá continuidade ao modelo que já vinha sendo feito anteriormente, mas com o estilo de quem o está gerindo agora.
  
JC – Com a licença do governador Marcelo Déda para tratamento de Saúde, o PT está sendo desvalorizado no governo?
MM – Não. O PT tem tido o respeito que sempre teve de Jackson Barreto. Esse Governo é um governo liderado pelo PT, pelo PMDB e pelos partidos aliados. A gestão de Jackson é uma gestão de continuidade das obras e das políticas definidas pelo governador Marcelo Déda. A direção do partido, as tendências internas, as lideranças e os secretários de Estado do PT mantém o mesmo compromisso com este projeto desde o início do Governo.

JC – Sílvio Santos não descartou uma aliança do PT com o PSC. Como o senhor avalia isso - lembrando que o PSC já anunciou que não vai recuar no projeto de lançar candidato ao governo?
MM – Silvio Santos nunca disse isso. Ele afirmou que o PSC não está fora do leque formal de alianças aprovado no Diretório Nacional do PT, tanto é que o partido faz parte da base de sustentação da presidente Dilma no Congresso Nacional. Agora é obvio que no Estado de Sergipe, o PT e o PSC tomaram caminhos diferentes.

JC – Na eleição de Edvaldo Nogueira, onde Sílvio Santos foi vice-prefeito, o PSDB estava na aliança, indicando inclusive secretários municipais. Porque o PT agora rechaça tanto uma possível aliança do PMDB com o DEM?
MM – O DEM está fora do leque de alianças do PT aprovado no Diretório Nacional. O DEM é, historicamente, nosso adversário político e ideológico. Nós defendemos projetos antagônicos de gestão e de sociedade.

JC – A questão é delicada, mas caso o governador Marcelo Déda (PT) não queira ou não possa disputar um mandato de Senado, o PT fica sem espaço na chapa majoritária? O partido já discutiu isso?
MM – O consenso interno no partido é que o pré-candidato a senador do PT na chapa liderada por Jackson Barreto é Marcelo Déda. Na hora em que a legislação eleitoral permitir, o partido oficializará essa reivindicação aos partidos aliados da nossa coligação.

JC – O ex-senador Zé Eduardo ainda tem força no PT sergipano? Ele vai participar deste processo, apoiando um candidato?
MM – Zé Eduardo é um quadro político que tem história no PT do Brasil e de Sergipe. Foi um dos senadores mais atuantes do Congresso Nacional, liderando a oposição do Brasil naquele momento histórico, foi presidente nacional do PT e presidente do Diretório Estadual em Sergipe por três vezes. Ele tem identidade partidária e convive bem com a militância do PT. Zé Eduardo deixou a política eleitoral, mas continua militando no partido. É membro do diretório estadual e do nacional e um dos grandes quadros da política brasileira. Vai estar apoiando Rui Falcão para presidente do Diretório Nacional e vai estar apoiando a minha candidatura a presidente e a nossa chapa aqui em Sergipe. Por tudo isso, é um quadro político muito importante no processo de eleição interna do PT no Brasil e em Sergipe.
JC – É verdade que muita gente no PT não gostou do anúncio de que Silvio Santos será candidato em 2014? Porquê?
MM – Desconheço essa informação. Penso que tanto Silvio Santos quanto qualquer outro quadro político do PT tem todo o direito de reivindicar a possibilidade de ser candidato pelo partido.  

Nenhum comentário:

Postar um comentário