segunda-feira, 19 de agosto de 2013

ENTREVISTA - IRAN BARBOSA: “Há um agravamento do caos urbano em Aracaju”


Por MAX AUGUSTO 

Durante a campanha eleitoral o prefeito João Alves Filho (DEM) se apresentou como a solução para os problemas de Aracaju. No entanto, até o momento existe um agravamento do caos urbano, a situação só tem piorado. Essa é a avaliação do vereador Iran Barbosa (PT), líder da oposição na Câmara Municipal de Aracaju (CMA). Nesta entrevista ao JORNAL DA CIDADE / BLOG DO MAX Iran Barbosa avalia que vários itens do cotidiano da cidade têm apresentado pioras: trânsito, transporte público, limpeza urbana,  manutenção da malha e outras questões. Ele também confirma que será deputado à presidência do Diretório Municipal do PT em Aracaju, juntamente com a deputada estadual Ana Lúcia, que disputará o comando estadual. Sobre as polêmicas levantadas pelo vereador Agamenon (PP), Iran disse que os professores pretendem leva-lo à Justiça, e lamentou que na Câmara de Aracaju não esteja em funcionamento a comissão de ética, para representar o parlamentar. Leia a seguir.



JORNAL DA CIDADE / BLOG DO MAX - O Sintese vai mesmo processar o vereador Agamenon? Por quê? Ele ofendeu os professores ou o sindicato?

Iran Barbosa – Os professores decidiram em assembleia que vão adotar medidas judiciais com vistas à preservação da verdade e da imagem dos educadores sergipanos. Na Justiça, o vereador será desafiado a comprovar as suas afirmações públicas. Nas democracias, a todos é assegurado o direito de livre manifestação e a todos é assegurado o direito de recorrer à Justiça, quando há fato concreto em litígio.



JC - O vereador Agamenon não está falando a verdade quando diz que há professores que não vão dar aula, assim como há médicos na rede municipal que não cumprem a sua carga horária?

IB - Sim, há professores, médicos, vereadores, jornalistas, seres humanos... que eventualmente faltam ao seu trabalho. Há também aqueles que faltam de forma contumaz e, portanto, de forma irresponsável e há aqueles que, mesmo quando não têm condições, por compromisso, vão ao seu trabalho. A cada um tem que ser dispensado o tratamento correspondente. O problema é que o vereador não se limitou a afirmar o que está contido na sua pergunta. As afirmações têm sido bem diferentes e, ele terá oportunidade de comprová-las, ou não, no âmbito judicial.



JC - O senhor pretende representar o vereador Agamenon ao Conselho de Ética da Câmara Municipal?

IB - Lamentavelmente, por mais que cobremos, ainda não há em funcionamento, na Câmara Municipal de Aracaju, uma Comissão de Ética. O que tenho feito, de forma sistemática, é utilizar os argumentos constitucionais e legais para cobrar da Mesa Diretora e da Presidência da Casa providências cabíveis nos casos reiterados de afronta ao decoro parlamentar.



JC - Agamenon também classificou o Sintese como um comitê eleitoral. Como vereador e ex-presidente do sindicato, qual a sua opinião sobre isso?

IB - A minha opinião é que o vereador, mais uma vez, deve ser instado a fornecer elementos comprobatórios da sua afirmação. Não é correto qualquer um acusar quem quer que seja ou qualquer instituição de desvio de finalidade, atacando a sua credibilidade, sem ser responsabilizado pelo ônus da prova. E, se mente, calunia ou difama, gerando prejuízo à imagem e a honra de terceiros, deve arcar com as penalidades legais cabíveis, civil e criminalmente. A minha opinião, também, vai no sentido de afirmar que, neste momento, existem pautas muito mais sérias e importantes com as quais devo ocupar o meu tempo. Não devemos “cair na cilada” que está sendo armada com a finalidade de desviar o foco da atenção da imprensa, da oposição, do povo e dos movimentos sociais. Não cairei nela e desejo que vocês da imprensa também não caiam. Seria um erro político primário substituir o necessário debate sobre a realidade caótica do nosso povo e da nossa cidade por este tipo de tentativa apelativa de promoção pessoal. Já ocupamos muito do espaço precioso deste jornal com estas questões. Vamos discutir o que é importante!



JC - A criação de uma CPI dos transportes não foi aprovada pelos vereadores de Aracaju? O senhor avalia que essa comissão poderia realizar um trabalho interessante? O que faltou?

IB - Na verdade a CPI dos transportes foi utilizada como um mote de promoção na imprensa, sem a articulação necessária para que a sua instalação fosse viabilizada. Não é correto dizer que ela não foi aprovada, pois ela não foi submetida à votação. O que ocorreu é que o vereador Max Prejuízo fez ampla divulgação da sua iniciativa na imprensa e nas mídias sociais, mas não articulou o apoio para obter as oito assinaturas necessárias à apresentação da proposta, junto à bancada que ele integra, que é a bancada de apoio ao prefeito João Alves Filho, que conta com 19 vereadores. Se você observar, a maioria dos parlamentares que assinou a proposta, faz parte da bancada da oposição. O que ficou evidente é que esse processo desnuda a falta de vontade da maioria da bancada governista e do prefeito, que a coordena, com a instalação da CPI. É uma pena, pois todo o debate que a sociedade tem feito e as situações denunciadas com a análise das planilhas de custos do transporte coletivo, não deixam margem a dúvidas: É necessário que se faça uma auditoria séria e com controle social sobre o funcionamento do nosso sistema de transporte coletivo.



JC - Como o senhor avalia esses primeiros sete meses da gestão de João Alves Filho na prefeitura de Aracaju? Houve melhorias?

IB - Aracaju tem assistido a um agravamento do caos urbano, no tocante a quase todos os itens do cotidiano dos munícipes. É assim no que diz respeito ao trânsito e ao transporte público reajustado; tem sido assim no que tange à limpeza urbana e à manutenção da malha viária da cidade; continuam e se agravam os problemas na área da saúde; retrocedemos na possibilidade de participação popular na construção da gestão educacional com a aprovação das reformas introduzidas desde o início do ano; continuamos com as agressões ambientais aos mangues e rios; persiste a falta de regras para a utilização do solo urbano e assistimos a um descompasso entre o “slogan” e o discurso eleitorais do então candidato João Alves e a falta de solução para os problemas da cidade. Na campanha ouvimos que “João é a solução!” É justo, então, que, independente dos problemas herdados, cobremos a solução, pois essa foi a promessa amplamente firmada.



JC - A professora Ana Lúcia manterá sua candidatura à presidência do PT? Ao que parece ninguém no partido ouviu a solicitação do governador Marcelo Déda, que pediu a retirada das candidaturas.

IB -  A companheira, deputada Ana Lúcia, manterá a sua candidatura à presidência do PT, atendendo a um comando coletivo da nossa corrente, a Articulação de Esquerda. Ela é um “patrimônio” partidário, tanto pela sua história de vida e de luta, como pela contribuição ao PT e às gestões petistas em Sergipe e em Aracaju. Ela orgulha os militantes do Partido dos Trabalhadores! Por isso, e principalmente pela vivência democrática interna que temos no PT, ela continuará disputando a presidência estadual, o nosso companheiro Valter Pomar disputará a presidência nacional e eu disputarei a presidência municipal. Nossa corrente está unida neste propósito. A solicitação de Marcelo Deda não foi dirigida a nós, mas aos companheiros da sua corrente, Construindo Um Novo Brasil, que tem dois nomes disputando internamente a presidência estadual do partido, que são os deputados Rogério Carvalho e Márcio Macedo.



JC - Como foi sua atuação legislativa no primeiro semestre e qual o planejamento para o segundo? Qual foi seu projeto mais importante neste período?

IB - Eu realizei, no último dia 12, uma Plenária de Balanço da minha atuação como vereador de Aracaju durante o primeiro semestre de 2013. Nela eu pude mostrar aos nossos apoiadores um quadro de proposituras apresentadas no período, totalizando 134 iniciativas, entre Projeto de Emenda à Lei Orgânica, Projetos de Lei Ordinária, Emendas a Projetos do Executivo, Moções, Requerimentos e Indicações. Destaquei também a promoção de Sessões Especiais e Tribunas Livres através das quais levei para o âmbito do Legislativo municipal discussões de temas de alta relevância para o nosso povo e nossa cidade. Apresentei um mapa que destaca nossa presença em praticamente todos os bairros da cidade, solicitando da Administração de Aracaju, solução para os problemas das ruas, praças, avenidas e equipamentos sociais do município. Atuei de forma decisiva em setores estratégicos como educação, transporte público, mobilidade urbana, direitos dos trabalhadores e dos servidores públicos, direitos humanos, meio ambiente, cultura... Em todas essas áreas temos colocado o mandato presente e atuante. Atuo em duas comissões internas da Câmara: Comissão de Justiça e Redação e Comissão de Educação, Cultura e Esporte. Fui escolhido pelos colegas para liderar a bancada de oposição na Casa. Enfim, temos trabalhado de forma incessante, sem descanso, para corresponder à confiança do povo de Aracaju, que me conduziu ao Parlamento municipal como o vereador mais votado nas eleições do ano passado. Para o segundo semestre, daremos continuidade a este trabalho, implantando o planejamento plurianual que produzi, juntamente com a minha assessoria e setores organizados da sociedade. Que venha a luta! Que venham as melhorias para o nosso povo!













 

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