segunda-feira, 17 de junho de 2013

Heleno diz que a seca no sertão ainda não acabou


Por Max Augusto 
 
Junho chegou, e juntamente com ele vieram as chuvas típicas do período, que ajudaram a aplacar o cenário de aridez no interior sergipano. Mas de acordo com o prefeito de Canindé do São Francisco, Heleno Silva (PRB), a seca ainda não acabou. Em conversa com o JORNAL DA CIDADE / BLOG DOP MAX ele contou que as chuvas que caíram na região ainda não foram suficientes para normalizar a produção agropecuária, e a prefeitura continua fornecendo carros-pipa que levam água para consumo humano e dos animais.
 
“Em Canindé continuamos enviando os carros-pipa para diversas localidades. O Exército só envia água para consumo humano, mas o rebanho também precisa de água e em algumas regiões choveu, mas as aguadas e açudes não juntaram água nenhuma. Além disso o solo não estava pronto, tudo isso vem dificultando a produção”, falou o prefeito.

Heleno explicou também que a chuva chegou a alguns municípios sertanejos, mas após Nossa Senhora da Glória, em direção ao sertão, a precipitação foi menor e o cenário ainda é de dificuldade. Poço Redondo e Canindé, por exemplo, são cidades que continuam sofrendo com a estiagem, pois não tem chovido o necessário para impulsionar a produção agropecuária e garantir água potável aos povoados.

Ele ainda ressaltou que a chuva foi suficiente para ‘levantar’ o pasto, que está verde, mas não é denso o bastante para alimentar os animais. Além disso, houve ainda outro problema: uma forte praga de lagartas, que arruinou muitos pastos. “Estamos vivendo a seca verde, quem olha vê o pasto brotando, mas os problemas continuam”, disse o gestor.  

Rebanho
O prefeito do município sertanejo revelou que o longo período de estiagem dizimou metade o rebanho da região, que é a base da economia local. Ele lamenta que sem recursos para produzir, ou mesmo para se alimentar e manter a família, existem vários criadores que estão vendendo os animais para receber apenas no final do ano.

Na conversa com a reportagem o administrador defendeu que o governo federal precisa criar uma linha de crédito específica para os agricultores e pecuaristas sertanejos, visando a retomada da produção. “Precisamos recuperar o nosso rebanho, que é a mola-mestra da nossa economia. Para isso necessitamos de financiamento com juros baixos e subsidiados, para que as pessoas tenha acesso a crédito”, concluiu.  



Canindé também sofreu com queda na arrecadação

Após seis meses de gestão, o prefeito Heleno Silva diz que está conseguindo estabilizar as finanças do município. Ao contrário do que muita gente pensa, ele afirma que a cidade também está sendo afetada pela crise que assola os municípios brasileiros, devido à queda na arrecadação. “A crise no país afeta todos os municípios, e Canindé não está de fora. Projetamos uma realidade, mas a arrecadação não chega ao que era esperado, devido ao não crescimento dos repasses”, explicou o prefeito. 

Ele lembra ainda que há seis meses o município não podia receber recursos nem firmar convênios com o Governo Federal, já que estava no cadastro de inadimplentes – situação que a nova administração conseguiu resolver nos últimos dias. Com isso as finanças foram estabilizadas, segundo Heleno.

Devido à falta de recursos federais, Heleno Silva explica que alguns projetos de maior porte, principalmente na área de infraestrutura, serão desenvolvidos apenas no segundo semestre. E visando iniciar essas obras, ele está indo a Brasília na próxima semana, buscar recursos através de emendas e dos ministérios.

Fama
“Canindé tem fama de que tem muito dinheiro. Isso não é real e está nos prejudicando, quando vamos em busca de patrocínio para os nosso festejos juninos, por exemplo”, explicou o prefeito. A festividade será realizada durante todo o mês, com uma ampla programação nas escolas e nas quermesses, sendo que no final do mês serão realizados os maiores shows, com a participação de artistas de renome nacional.

O alcaide também se queixou dos bancos que não liberaram verbas para o São João. “Os agentes financeiros que atuam no município, na hora de ajudar nos grandes eventos, não querem. Essa é uma postura equivocada, até porque os bancos tem lucrado muito, em todo o país”, avaliou Heleno.

Reajuste
Apesar da situação financeira, o prefeito Heleno ressaltou que concedeu um reajuste de 9% para os servidores municipais. O índice é bom, porque representa um ganho real, e não apenas a reposição da inflação. Em seu primeiro ano de administração, ele manteve um diálogo transparente com o sindicato e fechou um índice que está acima do que outras prefeituras estão concedendo. Ele também liberou o pagamento da primeira parcela do 13° para este mês.

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