terça-feira, 25 de junho de 2013

ENTREVISTA com Vera Lúcia (PSTU): “João recebeu dinheiro dos empresários de ônibus”


Por MAX AUGUSTO 

O prefeito João Alves Filho (DEM) não acaba com a “mamata” dos empresários de ônibus porque recebeu dinheiro deles nas eleições. A afirmação é da presidente estadual do PSTU, Vera Lúcia, nesta entrevista ao JORNAL DA CIDADE / BLOG DO MAX. Ela lembrou que Aracaju tem a segunda tarifa mais cara do Nordeste e que seu partido está envolvido nas mobilizações contra o reajuste desde o início. Em alusão ao tão repetido comentário, ela diz que se o gigante acordou, foi porque alguém o sacudiu. Vera Lúcia também destacou a força da manifestação popular da última quinta e falou que entende o sentimento de repulsa da população aos partidos, mas avalia que cada um deve ir para a rua com suas bandeiras. Ela também disse que o povo está cansado do PT, PSDB e DEM, descartou uma aliança com o PT e convidou a deputada Ana Lúcia para os quadros do PSTU – foi Ana quem fez a sugestão da aliança. Leia a seguir a conversa.



JORNAL DA CIDADE - Qual a sua avaliação sobre a manifestação popular ocorrida em Aracaju na última quinta-feira?

Vera Lúcia - Foi uma manifestação muito positiva. Quando Aracaju teve 20 mil nas ruas protestando? A manifestação daqui, assim como as que ocorrem em todo o país, já são superiores as manifestações do Fora Collor em 1992, o que demonstra a disposição de lutar do povo aracajuano e do povo brasileiro em geral. Há muitos anos lutamos para que o povo desperte contra as péssimas condições de vida e desigualdade social, para que lute contra as políticas dos governos de turno, e agora o povo despertou. Mais de um milhão de pessoas saíram às ruas em todo o país nesta quinta-feira histórica. E essas manifestações devem avançar.



JC- O que você achou da "separação" que houve no movimento, onde um grupo mais ligado a sindicatos e partidos foi impedido de seguir com os demais?

VL - Essas manifestações reúnem setores sociais muito distintos apesar de haver um sentimento de indignação com os governos comum a todos. Existem setores que querem impedir os sindicatos e partidos de esquerda de levantarem suas bandeiras. Estes setores se apoiam no sentimento progressivo da população de rechaço aos políticos e partidos políticos tradicionais. Compreensível porque a prática que a população vê, destes partidos e destes políticos, é a pior possível, com a generalização da corrupção e do estelionato eleitoral. Nós somos da opinião que todos devem vir pra luta com seus cartazes e suas bandeiras.



JC - As manifestações em Aracaju estão sem foco? Qual é o objetivo delas?

VL - Em Aracaju as manifestações apenas começaram. O foco central é a revogação e inclusive a redução da tarifa dos transportes. A partir daí se desdobram um conjunto de reivindicações: passe livre para estudantes e desempregados, estatização do transporte para que seja público e de qualidade, mais verbas para educação. Ao governo federal se exige o congelamento dos preços para colocar fim à inflação; fim das privatizações realizadas; reestatização de todas as empresas privatizadas; fim dos leilões de petróleo que entregam nossa riqueza às multinacionais aumentando o preço dos combustíveis e do transporte, e um longo etc.



JC - Você acredita que essas manifestações venham gerar algum resultado prático?

VL - Já geraram. Em SP, RJ e em varias outras cidades, o aumento da passagem já foi revogado e o povo continua nas ruas. Aqui a redução de 0,10 centavos que fez o prefeito João Alves (DEM) soa como “chacota” frente à revogação das outras cidades. O resultado prático em Aracaju deve ser a revogação total do aumento e repito, inclusive a redução da tarifa, e não 0,10 centavos. Por isso vamos continuar nas ruas e agora com mais que 20 mil. O povo quer transporte, saúde, moradia, salários, fim da corrupção, e acima de tudo respeito. Esse é o recado que está vindo das ruas, o povo cansou do PSDB e agora tá cansando do DEM, do PMDB, e até do PT.



JC - A manifestação ficou maior que o movimento "Não Pago"? As pessoas deixaram de lado essa pauta?

VL - Sim, a manifestação ficou maior que o Movimento Não Pago porque a pauta de reivindicações foi ampliada. A pauta do transporte não foi abandonada, novas reivindicações foram incluídas, pois o caos existente no sistema de transporte público também é vivenciado na educação e na saúde. A luta é por uma inversão de prioridades, exigindo que os milhões investidos pelo governo federal em estádios de futebol sejam investidos na melhoria dos serviços públicos essenciais. O PSTU defende isso, por isso estamos nas ruas.



JC - O PSTU participa do movimento não pago e de outras frentes e mobilizações?

VL - Não, o PSTU não faz parte do Movimento Não Pago. Participamos da Frente de Luta em Defesa do Transporte Público de Qualidade reunindo diversas entidades sindicais, estudantis e também o Não Pago. Estivemos desde o inicio das mobilizações na luta contra o aumento do preço da passagem. Enquanto uns dormiam, nós estávamos na ruas. O gigante acordou, mas foi preciso que alguns o sacudisse. O PSTU contribuiu para isso. Seguiremos firme, da luta não nos retiramos, a batalha segue pela revogação do aumento da passagem.



JC - A tarifa de ônibus em Aracaju é cara? Houve redução, mas o preço poderia ser menor?

VL - Aracaju tem a segunda maior tarifa de transporte do nordeste. O serviço é péssimo porque os empresários estão preocupados apenas o lucro. O prefeito João Alves (DEM) tem o poder de acabar com a mamata dos empresários, mas não faz isso porque recebeu dinheiro deles nas eleições. O PSTU defende a municipalização do transporte público para garantir tarifa social, passe livre para estudantes e desempregados. O transporte tem que ser visto como um serviço público e não como fonte de lucro para meia dúzia de empresários.



JC - As manifestações em Aracaju irão continuar?

VL - Acredito que sim, o PSTU fará todo o possível para que a luta cresça ainda mais. Vamos chamar todos os sindicatos e organizações dos movimentos sociais organizados a formar um comitê para intensificar a luta e colocar a classe trabalhadora em cena ao lado da juventude. Deste modo as próximas manifestações tendem a ser ainda maior. No entanto, isso só não basta. O PSTU acredita que para resolver os problemas mais sentidos do povo é necessário um novo modelo econômico no país.



JC- Quais são os projetos do PSTU para o próximo ano? Os partidos conseguirão manter uma Frente de Esquerda unida?

VL - A batalha do PSTU será pela formação da Frente de Esquerda com o PSOL e o PCB. Em nossa avaliação obtivemos uma importante vitória eleitoral ano passado, polemizando com o bloco governista e a velha direita. Nossos critérios para a formação da frente são: defesa de um programa que leve em consideração as necessidade mais sentidas dos trabalhadores e do povo pobre; aliança sem setores conservadores e sem financiamento de campanha pelas empresas.



JC - A deputada Ana Lúcia anunciou que era contra uma possível aliança do PT com João Alves e sugeriu que o partido buscasse o PSTU, PSOL e outras siglas de esquerda. O que você achou disso?

VL - Impossível qualquer aliança com o PT. Esse partido governa o país e o estado de Sergipe em aliança com os setores mais reacionários. O PT traiu os sonhos e as esperanças depositadas pela juventude e os trabalhadores. Não é mais nosso aliado. A deputada Ana Lúcia está no partido errado, o PT não é mais o abrigo dos lutadores. Por isso, reforço o convite que já fizemos a ela e sua corrente política, rompa com o PT e venha para o PSTU, seu lugar é com os lutadores.

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