segunda-feira, 20 de maio de 2013

João Daniel defende vinda de médicos cubanos ao Brasil e abre debate o tema na AL

No grande expediente da sessão desta segunda-feira, dia 20, o deputado João Daniel (PT) deixou clara sua posição favorável à possibilidade da vinda dos médicos de Cuba para o Brasil, como tem sido a proposta da Presidência da República, através do Ministério da Saúde, para as regiões do país onde há dificuldade de atendimento, pois os médicos não querem ir trabalhar, principalmente nas áreas mais longínquas. O deputado disse que leu nota de entidades médicas sobre essa questão, mas que para ele era motivo de grande alegria dizer que teve a oportunidade de conhecer o sistema de saúde cubano.


Além disso, João Daniel acrescentou que há médicos formados em Cuba que dão assistência à saúde em nosso Estado e que trabalham e moram em Sergipe. “Temos orgulho de dizer que uma das grandes virtudes da revolução cubana foi a saúde, que é reconhecida no mundo inteiro. Cuba é o único país da América Latina em que as mães não passam fome no pré-natal, que tem o menor índice de mortalidade infantil e isso não é novidade, além de muitos brasileiros que vão fazer tratamento lá”, observou. O deputado acrescentou que muitos médicos cubanos participam de brigadas de solidariedade, levando saúde a países que necessitam.

O parlamentar disse que quando saiu a notícia da possibilidade de o Brasil trazer cerca de 6 mil médicos cubanos para o país ficou feliz, pois sabe que temos falta de médicos no país. João Daniel relatou que em duas oportunidades no interior do Estado em reunião com algumas famílias, em Estância e no povoado Borba da Mata, em Canhoba, ouviu entre as principais reivindicações a falta de médicos. “E às vezes esse não é um problema da prefeitura, que tem se esforçado para levar médicos, mas não tem profissionais que queiram ir morar e trabalhar lá”, declarou.

João Daniel ressaltou que fica feliz quando o governo brasileiro, através do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, da Educação, Aloízio Mercadante, e do Ministério das Relações Exteriores, abre essa possibilidade de trazer médicos cubanos. Segundo o parlamentar, o que está sendo proposto é trazer médicos para o serviço básico, para levar para interior do país, em regiões como a Amazônia. Ele observou que esses profissionais não vêm para trabalhar em clínicas e hospitais particulares, mas sim para fazer saúde preventiva. Para ele, não é justa essa reação que tem havido em torno do tema, pois o que está sendo proposto é levar esses profissionais a locais onde não há médicos.

O deputado disse que ficou sabendo há poucos dias que em uma região muito pobre do município de Simão Dias há uma médica que fez sua formação em Cuba e hoje está lá coordenando uma equipe do Programa de Saúde da Família (PSF) e mora na localidade, atendendo aos moradores quando eles necessitam. “O que está sendo proposto são médicos que vão morar naqueles locais aonde não chega ninguém. Precisamos possibilitar que o povo brasileiro tenha educação, habitação, direito à terra, mas também tenha saúde, com médico onde mora a população. É uma grande solidariedade que Cuba tem para levar para o mundo inteiro e o Brasil estará fazendo, se trouxer, os médicos cubanos, uma grande obra pra o povo brasileiro que ainda necessita de saúde pública”, destacou João Daniel.

Apartes
O deputado estadual Francisco Gualberto (PT) aparteou o colega em seu pronunciamento, dizendo que se somava a ele. Gualberto disse que também ouviu entrevistas de representantes de entidades médicas se colocando contrários a essa posição do governo federal, com argumentações técnicas de que esses médicos teriam que passar por um processo de atualização e complementação do diploma. Ele disse que sem entrar nesses aspectos técnicos queria frisar que nenhum médico cubano viria para substituir o brasileiro, mas, sim, para se somar à medicina brasileira. “E ninguém que eu saiba duvida da capacitação e atuação de médicos cubanos em Cuba ou por onde eles passam”, disse.

A presidente da Assembleia Legislativa, deputada Angélica Guimarães (PSC), que também é médica, aparteou o discurso de João Daniel para discordar um pouco de sua abordagem, mas disse que o faria para contribuir. A deputada disse que tem procurado se informar mais a esse respeito e, diferente dele, é contra a vinda dos médicos cubanos ao Brasil e que também não entende que haja deficiência de médicos no país. “O que está deficiente é nosso sistema de saúde, porque o que nós precisamos é que os médicos tenham melhores condições de trabalho e que eles recebem salários justos. Aí eles vão querer trabalhar”, declarou.

A deputada Angélica disse que era contra a vinda dos cubanos porque a grade curricular da formação deles é diferente. Enquanto os médicos brasileiros estudam seis anos para se formar, no caso dos cubanos são aproximadamente quatro e nem todas as disciplinas estudam e nem realizam todos os procedimentos que os brasileiros. “Só 5% passam nas provas brasileiras, por isso a questão da revalidação dos diplomas. Sou a favor que venham, desde que sejam aprovados nas provas. Mas não sem provas, sem testes. Se nós pudéssemos pagar bem aos brasileiros não precisaríamos nem está discutindo na tarde de hoje esse tema. Porque se paga bem e tem condições de trabalho, os daqui vão querer trabalhar”, ressaltou.

Ela lembrou que o Sistema Único de Saúde (SUS) há vários anos não reajusta os procedimentos e não há valorização dos médicos pelo Ministério da Saúde. “O que a gente precisa é pagar bem e criar vínculo. Depois que se estabeleceu o PSF, o Ministério da Saúde não faz mais concurso público. Entregou para os municípios a carga”, disse.

Após ouvir os apartes, o deputado João Daniel disse que respeitava o posicionamento da deputada, mas não concordava com sua posição. Francisco Gualberto disse que tem conversado com o vereador por Aracaju Emerson Ferreira que também é médico e os números que ele dá sobre a quantidade de médicos mostra que há quantidade suficiente, mas não necessariamente alcança o Brasil, porque há dificuldade para que eles vão trabalhar a milhares de quilômetros de distância. “A questão de salário é importante para que se sinta estimulado, mas tem outros aspectos que a gente pode considerar”, declarou, acrescentando que em todo mundo a medicina cubana é considerada uma boa medicina.

João Daniel encerrou seu pronunciamento ressaltando que temos bons médicos no Brasil, mas o que está se querendo com essa vinda de médicos cubanos é ajudar a levar médicos para morar no interior, em locais distantes como da região Norte e Nordeste, por exemplo. “Nesse momento, é importante essa vinda”, frisou. A deputada Angélica complementou dizendo que o que se gostaria era ter o número de médicos ideal, mas enquanto não se tem deveríamos ter mais qualidade e não quantidade.

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