quarta-feira, 8 de maio de 2013

2.700 acidentes com motocicletas já foram registrados em Aracaju

* Por Sydnei Ulisses

Vi no telejornal (em 07 de maio de 2013) que em Aracaju, foram registrados 2700 acidentes com motocicletas e ciclomotores no primeiro quadrimestre de 2013. 600 acidentes a mais se comparado ao mesmo período de 2012 (2100 acidentes em 2012).
 
Afirmou o representante do HUSE, na entrevista, que 30% dos acidentados (810 pessoas) vão ficar com alguma sequela e precisarão de longos e caros tratamentos para se restabelecerem, se for possível.

Ouvimos a matéria com surpresa, como se não soubéssemos o que alimenta os números absurdos do trânsito sergipano. Pois bem, no caso específico das motocicletas, vou citar alguns aspectos que na minha opinião precisam ser considerados para mudarmos essa realidade.

Em 2007 uma pesquisa Ibope apontou que 60% dos motociclistas transitam nas ruas sem habilitação e suponho que em Aracaju seja disso para mais, basta observarmos o que acontece nas blitz onde os guinchos saem lotados de motocicletas. E afinal por que o número dos não habilitados é tão grande?

Simples, as pessoas não acreditam que serão punidas: Apostam na baixa probabilidade de serem parados por agentes de trânsito e passeiam livremente pelas ruas sem terem o mínimo de treinamento sobre comportamento adequado e defensivo.

As famílias são cumplices dos infratores: Muitos condutores são adolescentes presenteados por pais irresponsáveis que expõem seus filhos aos riscos de morte e sequelas. Quando perdem os filhos para a violência do trânsito, se apressam em acusar o poder público e jogam para “baixo do tapete” a falta de limites estimulado por pais e mães.

De fato falta ação do poder público: Se a sociedade conhece a motivação de tantos acidentes, resta ao poder público definir estratégias para inibir a presença das motocicletas conduzidas por adolescentes e pessoas não habilitadas. Todos sabem das proibições e não cabe discutir campanhas educativas para infratores contumazes. É apreender e multar ou lamentar e chorar as sequelas e mortos.

Conduzir uma motocicleta pressupõe maturidade e formação. Certamente o ímpeto dos adolescentes, a falta de maturidade e o fato da maioria dos condutores nunca terem recebido treinamento adequado, transitando sem qualquer noção de defesa, é que faz as estatísticas se confirmarem crescentes ano após ano.

Pronto, é agir e mudar ou esperar os números do próximo ano para repetirmos as análises que em nada interferem na vida das pessoas se não forem consideradas.

*Sydnei Ulisses é instrutor de trânsito e coordenador do Movimento Gentileza Aracaju – gentilezaaracaju@gmail.com www.gentilezaaracaju.amawebs.com

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