segunda-feira, 15 de abril de 2013

ROGÉRIO CARVALHO: “Amorim teme uma candidatura de João em 2014”


Por MAX AUGUSTO

De acordo com o deputado federal Rogério Carvalho (PT), o presidente do PTB em Sergipe, Edvan Amorim, teme uma candidatura de João Alves Filho (DEM) ao governo do Estado. A afirmação foi uma resposta à entrevista concedida por Amorim na última sexta-feira, na Ilha FM, onde Edvan falou que o PT estaria torcendo por uma candidatura de João. Nesta entrevista ao JORNAL DA CIDADE / BLOG DO MAX Rogério também afirmou que faltam recursos para a Saúde e defende que 50% dos royalties sejam utilizados para financiar o setor. O deputado ainda apontou a falta de médicos como outra grave questão e afirmou que o governo Déda implementou uma melhoria considerável na Saúde. Leia a seguir.
 
JORNAL DA CIDADE - O senhor assumiu a presidência da comissão que estudará o financiamento da Saúde no Brasil. Como será o trabalho deste grupo? 
Rogério Carvalho - Esta comissão é hoje uma das que mais possuem atenção no Congresso, em função do problema que temos enfrentado no Brasil inteiro, que é a falta de recursos para financiar o Sistema Único de Saúde. O trabalho vai ser dividido em três etapas: a identificação de fontes de financiamento, os mecanismos de transferências para Estado e Município e os mecanismos para consolidar a transparência no gasto. Portanto a minha proposta de trabalho terá esses eixos: Fontes, mecanismos de partilha de recursos entre Estado e Município e União e mecanismos de transparência para aplicação do recurso.

JC - Quais são as possibilidades de novas fontes de financiamento da Saúde pública no Brasil? 
RC- As possibilidades são grandes. O nosso trabalho da comissão vai ser identificar, por exemplo, recursos dos Royalties. Ao invés de ser investido todo na educação, vamos propor que pelo menos 50% destes recursos sejam aplicados na saúde. Também vamos sugerir que na renegociação das dívidas dos Estados, parte deste recurso de amortização dessa dívida de negociação dos Estados com a União, para que ao invés de juros, estes valores sejam aplicados na saúde, no investimento de infraestrutura e também no investimento para novos serviços para atender a demanda da população. São dois caminhos, há a possibilidade de identificar também em algumas áreas que são causadoras de prejuízo à Saúde Pública, como também parcelas maiores para financiamento do sistema público como IPVA, ou seja, para que a parcela deste recurso seja destinado a saúde e outras fontes para garantir que a união coloque os 10% de sua receita no gasto com a saúde no Brasil.

JC - O problema da Saúde no Brasil (e em Sergipe) é uma questão de falta de recursos ou de gestão (ou ambos)? 
RC - O grande e o maior dos problemas é a falta de recursos financeiros, o dinheiro que nós dispomos hoje corresponde a 60% do que nós precisaríamos para investir. Então, se nós temos hoje um gasto de R$ 200 bilhões, nós precisaríamos de R$ 300 bilhões para manter o sistema e implantar novos serviços no período de 10 anos. Ou seja, nós precisaríamos de mais R$ 100 bilhões com agregação de mais 15 bilhões por ano, ao longo de dez anos. Temos que destacar também a falta de recursos humanos, principalmente de médicos, para garantir a implantação de novos serviços. Para se ter uma ideia, foram criados 146 mil vagas de médicos nos últimos 10 anos e foram formados apenas 70 mil médicos, portanto, nós temos uma falta considerável de médico para preencher todos os postos de trabalho que foram criados e que serão criados com o aporte de mais recursos a área da saúde. A questão da gestão também é um problema mas não é a causa das dificuldades de execução de Sistema Único da Saúde do Brasil.

JC - Como está o relacionamento do Ministério da Saúde com o estado de Sergipe? 
RC- O Ministério da Saúde estabelece uma relação republicana com todos os Estados. Em Sergipe nós temos tido uma boa relação com esta pasta. No ano de 2011 e 2012 foram investidos R$ 8 milhões mensais no custeio dos serviços de saúde do Estado de Sergipe. Isso demonstra uma boa relação entre o Estado e o Ministério da Saúde. Além disso, nós temos vários diretores e gerentes no Ministério da Saúde que foram formados aqui em Sergipe, tanto na Prefeitura de Aracaju quanto no Estado, nos centros de Educação Permanente que nós implantamos. O coordenador de Atenção Básica fez residência aqui em Sergipe, na prefeitura de Aracaju, no período em que eu fui secretário. A Diretora de Formação Profissional e Educação Permanente do Ministério da Saúde é a ex-secretária de Estado da Saúde, Mônica Sampaio. Nós temos sergipanos coordenando a área de urgência e emergência e do SOS SUS, que é a rede nacional que lida com catástrofe. Portanto, do ponto de vista da relação política, institucional é muito boa e também do ponto de vista 
técnico é excelente.

JC - No governo Déda a Saúde está melhor, igual ou pior ao que estava antes? 
RC - O governo Déda fez uma melhoria considerável na área da saúde. Vamos lembrar: Primeiro a implantação do SAMU e a cobertura do mesmo em todo o Estado, que não havia; Depois a abertura do Hospital Regional de Lagarto; A abertura do Hospital Regional de Socorro; A abertura do Hospital Regional de Propriá, A ampliação do Hospital de Gloria já com a nova ala, que sempre esteve fechado. A ampliação da oferta de serviços e agora reforma de ampliação do Hospital de Itabaiana. A criação dos "CEUS`" em todo o Estado, que não havia, a ampliação de farmácias populares que não havia. Tudo isso sem falar da ampliação do Hospital de Urgência de Sergipe, que se não fosse essa ampliação feita no Governo Déda, nós estaríamos vivendo uma situação de calamidade. Imagine que o incremento do uso de moto como veículo de transporte de massa, quase dobrou o número de vítimas de acidentes de trânsito e consequentemente, o número de traumas, se nós não tivéssemos quintuplicado o número de leitos no HUSE, como seria? Nós tínhamos 28 Leitos, hoje são mais de 100 Leitos com monitoração completa, o que significa manter a vida das pessoas até que se consiga dar solução definitiva para a vida destas pessoas, reduzindo a mortalidade nas primeiras 48 horas, o que é um indicador extraordinário no ponto de vista da qualidade da assistência e salvando vidas em ultima instância que é a razão de ser do ponto de vista da saúde. Isso não quer dizer que tudo que precisa ser feito já foi feito, mas muito já foi feito e por isso que houve uma melhora significativa dos indicadores que mostram a melhoria nos serviços de saúde. 

JC - O projeto que o senhor começou a executar na Saúde de Sergipe foi concluído? O que é possível fazer para melhorar a situação em Sergipe? 
RC - O projeto é muito abrangente. Ele propõe a redefinição de missão das missões de todos os hospitais do Estado de Sergipe, o projeto de renovação das unidades de atenção básica em todo o Estado, o projeto de criação de rede de farmácias populares e de centros de especialidades odontológicas, projeto de ampliação do Samu em todo o Estado de Sergipe. Um projeto deste tamanho é impossível de se viabilizar durante um governo, é preciso mais de dois governos para que ele se consolide. Então, acredito que ao final do governo Marcelo Deda, em torno de 90% deste projeto estará implantado. E, com isso, eu acredito também que vamos ter 90% das grandes questões de urgência e emergência praticamente resolvidos. Por exemplo, a falta de profissionais, nosso planejamento não resolve, pois isso é uma política de governo federal. Nós demos nossa contribuição com a abertura do Campus da Saúde em Lagarto, a oferta de vagas do curso de medicina pela UNIT e estamos buscando ampliar mais essas vagas. Tudo isso tem como objetivo melhorar o atendimento e vamos conseguir.

JC - O senhor tem acompanhado a gestão da Saúde o município de Aracaju, no novo governo? Vê alguma novidade? 
RC - Sinceramente não vejo nada de novo. Até agora não se ouviu falar em nenhum projeto inovador, nenhuma proposta estruturada para resolver os problemas que eles diziam existir quando eram oposição. O que estou vendo são atrasos no pagamento dos hospitais contratados, reclamações dos profissionais da saúde em relação a restrição de insumos e proteção individual. O que estamos vendo é um debate insuficiente sobre a saúde pública de Aracaju, vamos esperar se vai ter mais alguma inovação. Vamos esperar mais 30 dias, quem sabe teremos acesso a algum projeto, pois até agora não se viu e não se apresentou nada digno de nota.

JC - O PT está se preparando para as eleições de 2014? De que forma? 
RC - Estamos organizando caravanas regionais que começarão dia 20. São 6 regiões que serão visitadas pela direção estadual do partido e devemos mobilizar os filiados em todas as regiões do Estado. Vamos também organizar seminários temáticos sobre educação, relação com os movimentos sociais, saúde, segurança pública. Vamos discutir os 10 anos de governo do PT e os 33 anos do PT. Além disso, vamos encabeçar em Sergipe uma campanha de em torno de um projeto de lei de iniciativa popular para garantir a Reforma Política, pois acreditamos que isso é fundamental para a consolidação da democracia no Brasil. Vamos também ter a mobilização natural do partido através do Processo de Eleição Direta, o PED, pois somos o único partido que elege o seu corpo diretivo através das eleições, este é um momento importante pois além de mobilizar a militância, nós debatemos as grandes teses do país e prepara o PT para as eleições de 2014 e 2016.

JC - O governador Marcelo Déda deve concluir o seu mandato ou se afasta para disputar o senado? O que o senhor acha das especulações de que ele renunciaria?
RC - O governador tem demonstrado uma responsabilidade e um compromisso extraordinários com o povo sergipano, quando ele mesmo doente cumpre suas obrigações políticas, administrativas e cívicas com o povo de Sergipe, mantendo-se no exercício no cargo de governador. Ele é o nosso candidato de Senador da República, é o nosso desejo, desejo o partido, valendo frisar que é um desejo nacional, o Partido nacionalmente tem nele uma esperança de quadro para poder fortalecer o PT no Senado e só nessa situação há a possibilidade dele renunciar.

JC - O presidente do PTB Edvan Amorim disse na última sexta feira que o PT estaria torcendo para uma candidatura do prefeito de Aracaju João Alves Filho ao governo do Estado. Como presidente do PT em Sergipe o que o senhor tem a dizer?
RC -
O PT não tem esse desejo. O PT tem um candidato a senador e nesse momento e temos um debate interno que aponta o vice governador Jackson Barreto como candidato a governador em 2014. O nosso desejo é aglutinar forças em nosso bloco. Agora, o presidente do PTB tem muito medo da candidatura do ex-governador. 

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