segunda-feira, 8 de abril de 2013

Luciano Barreto: “A Barra dos Coqueiros está sendo destruída”

Por Max Augusto

De acordo com o presidente da Associação Sergipana de Obras Públicas e Privadas
(Aseopp), o empresário Luciano Barreto, o município de Barra dos Coqueiros está sendo destruído por uma série de empreendimentos que estão desrespeitando a legislação ambiental. Segundo ele, empresas de fora do estado estão derrubando dunas para construir grandes loteamentos. “A barra está sendo destruída”, disse Luciano. Ele também falou que está otimista sobre a revisão do Plano Diretor de Aracaju – que após ser devolvido pela Câmara à Prefeitura, voltou à estaca zero.


Coincidentemente, um dia após a entrevista que Luciano concedeu ao JORNAL DA CIDADE / BLOG DO MAX, o Ministério Público Federal (MPF) em Sergipe obteve decisão em caráter liminar, proibindo a Adema de conceder licença ambiental para ocupação de área de preservação permanente (APP) – focando a degradação ambiental no manguezal do Rio Mangaba, provocada pela construção de um condomínio, na Barra dos Coqueiros.  De acordo com a decisão, a obra estava despejando efluentes sem tratamento, diretamente no rio. O MPF  identificou também que a Adema estaria autorizando construções de diversos tipos, como áreas de lazer e áreas comuns de condomínios, em local de manguezal, o que é proibido.

Comentando possíveis mudanças que poderão ser implementadas no Plano Diretor de Aracaju, que foi devolvido pela Câmara de Vereadores à Prefeitura, Luciano Barreto disse que é preciso ter cuidado para que não ocorra na capital o que está sendo visto no município vizinho. Ele afirmou ainda estar certo de que o prefeito de Aracaju, João Alves Filho (DEM) e o Secretário de Meio Ambiente, Eduardo Matos, estão atentos ao que está acontecendo – e não deixarão esses problemas se repetirem na capital.

“Alguns projetos de loteamento estão destruindo dunas acima dos limites de altura permitidos. No caso de alguns empreendimentos, feitos por empresas de fora do estado, é visível a depredação e a desobediência à lei. Alguns loteamentos são uma verdadeira referência do que não deve ser feito, e servem como um alerta para os cuidados que deverão ser tomados em Aracaju”, falou o superintendente da construtora Celi.

Plano Diretor
Luciano considerou legítimo a iniciativa do prefeito João Alves em querer estudar e avaliar a revisão do Plano Diretor, e ressaltou que para isso foi contratado um dos mais tradicionais escritórios de urbanismo no Brasil, o do arquiteto Jaime Lerner. “O Plano Diretor ia depender de uma terceira votação e ainda estava suspenso na Justiça. O prefeito resolveu se antecipar e estudar a revisão do Plano Diretor, para enquadrar dentro do pensamento dele. E ninguém tem tanta legitimidade para fazer isso como João Alves, porque essa é a área dele, é uma das pessoas que mais entende de obras públicas”, avaliou o presidente da Aseopp.

Além de considerar que a atitude do prefeito mostrou um desejo de agilizar o processo, ele se colocou a disposição para participar do debate. “Se formos convidados vamos querer participar e estamos prontos para dialogar. O prefeito montou uma equipe competente com o arquiteto Décio Aragão e o promotor Eduardo Matos, mas represento uma associação de empresários da construção civil, a maioria voltados para o segmento das obras públicas, e podemos contribuir. O prefeito, que conhece a nossa área, pode convocar a Ademi e a Aseopp”, concluiu, lembrando que convidada pela prefeitura, a Ademi havia apresentado diversas sugestões à revisão do Plano Diretor – algumas foram rejeitadas pelos vereadores, outras aprovadas.

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