segunda-feira, 25 de março de 2013

João Alves palestra sobre crise mundial da água

Convidado pela Federação dos Associados dos Municípios do Baixo São Francisco (FUNBASF), o prefeito João Alves esteve, na tarde do dia 23, no clube Cotinguiba palestrando sobre a crise da água no mundo. Sessenta representantes das entidades que formam a Federação tomaram conhecimento da situação emergencial em que se encontra a água potável no planeta, com especial atenção ao Rio São Francisco.
 
Durante a palestra, João Alves destacou exemplos de rios do planeta que morreram devido a transposições sem estudo de impacto ambiental. "O grande responsável pela aniquilação da água no planeta é o homem. 80% dos rios da China e da Índia, e 90% da água do subsolo das grandes cidades estão poluídas. Por conta da ganância do homem, estão utilizando até mesmo máquinas de perfuração de petróleo a procura de água com boa qualidade".   
João Alves dedicou anos de sua vida estudando os graves problemas causados pelo homem em águas próprias para consumo. Segundo o prefeito, até o fim do século passado havia uma visão distorcida de que a água era fonte inesgotável, ou seja, que nunca acabaria. "Sempre pensei de forma diferente da maioria achando que a água era um bem finito. Atualmente, a preocupação com a escassez dos recursos hídricos é global", informou João Alves, destacando ainda que a inquietação em relação ao semiárido brasileiro, está por conta do baixo nível do Rio São Francisco que abastece quase dois milhões de pessoas nos estados de Sergipe e Alagoas. "Negar o direito a água é negar o direito à vida. A vida exige água limpa e de boa qualidade".
Mesmo não conseguindo impedir as obras da transposição do Rio São Francisco, João Alves Filho não desistiu de lutar a favor do Velho Chico. Durante palestra o prefeito de Aracaju relatou dados alarmantes, onde técnicos contratados pelo Governo Federal afirmaram que na atual situação do rio, a morte dele é eminente. "O Rio São Francisco é um dos mais afetados do Brasil. Já perdeu 25% de sua vazão. Em entrevista concedida à Folha de São Paulo, os técnicos que foram contratados para transpor as águas do rio, disseram que o São Francisco morrerá em quatro anos. O ministro Ayres Britto quando votou a respeito da transposição do rio, disse que transpor as águas do São Francisco, era o mesmo que um doente na UTI doar sangue. Retirar águas do rio São Francisco na situação em que se encontra, é a maior diáspora da História das Américas".
De acordo com informações fornecidas pelo IPCC (Intergovernmental Panel on Climate Change - Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas) e do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) a região Nordeste antes do final do século passará de semiárido para árido, ou seja, o clima ficará como o dos desertos, e que o Rio São Francisco perderá ¼ de sua vazão devido às mudanças climáticas.
Dados da ONU demonstrados na palestra indicam que metade dos leitos ocupados nos hospitais no mundo decorre da má qualidade da água que a população consome. Mas, mesmo com o cenário assustador que se encontra o São Francisco, ainda há possibilidade de reverter esse quadro. João Alves apresentou projetos de baixo custo com fatores relevantes capazes de viabilizar a revitalização do rio. Evitando que 1,2 milhão de sergipanos fiquem sem água para beber.
"A revitalização é o único meio de reverter a morte iminente do rio. A melhor e mais barata do mundo foi feita no Brasil através do especialista professor Apolo Heringer, responsável pela revitalização do Rio das Velhas em Minas Gerais, um dos mais importantes afluentes do São Francisco. Ele conseguiu despoluir o rio, que era um verdadeiro esgoto a céu aberto, e principalmente, fazer com que os peixes retornassem".
Segundo João Alves, Apolo Hering já conseguiu revitalizar 500km dos 800km que compõem o Rio das Velhas. "Isso significa duas vezes e meia o tamanho da foz do São Francisco. Se ele conseguiu fazer lá, também podemos fazer aqui", disse.
Outra solução exposta por João Alves foi a transposição parcial do Rio Tocantins que beneficiará o Rio São Francisco com 500m³ de vazão de água. O prefeito ainda se preocupou em alertar as pessoas sobre a produção energética do país, dizendo que existe solução sem haver a necessidade da construção de novas hidrelétricas. "Hoje já existe um projeto de um Hidrogerador por força de empuxo, com autoria de J. Raymundo dos Santos, considerado o mais barato investimento em energia e com impacto ambiental irrelevante. Dentro de 60 dias esse projeto estará em funcionamento em São Paulo".
O professor Antônio Luiz, coordenador da FUNBASF, relatou sua preocupação com a situação do Rio São Francisco principalmente no que diz respeitos a população do Baixo São Francisco. "Nós seremos os primeiros beneficiados, mas também os primeiros a sofrerem com a morte do rio. Apoiamos veementemente João Alves nesse projeto", destacou o professor, que na ocasião premiou o prefeito de Aracaju com o Troféu Superação, em reconhecimento a pessoas que superaram adversidades em 2012.

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