segunda-feira, 4 de março de 2013

ANDRÉ MOURA: “A oposição nunca foi contra o Pró-Investe”


Por Max Augusto
 
Pode parecer piada, mas segundo o deputado federal André Moura, nesta entrevista concedida ao JORNAL DA CIDADE / BLOG DO MAX, a oposição nunca foi contra o Proinveste – essa avaliação seria fruto de uma propaganda enganosa do governo. Presidente do PSC em Sergipe, André confirmou que a oposição votará a favor do Proinveste, já que agora o projeto será reapresentado “dentro dos conformes”. Ele garantiu que se houve radicalização nesta discussão, ela já está superada, e afirma que a oposição nunca quis vetar o empréstimo com o objetivo de prejudicar o governo e deixá-lo fragilizado para a disputa de 2014. Ele confirma inclusive que para a população, ficou a impressão de que todo esse debate teve como pano de fundo a eleição do próximo ano – e por falar nisso, o deputado voltou a dizer que o PSC terá candidato ao governo do Estado. Leia a seguir.




JORNAL DA CIDADE - O PSC e demais partidos da oposição já decidiram votar favoravelmente ao empréstimo do Proinveste?

André Moura - Veja o que é o efeito da propaganda enganosa: a oposição nunca foi contra o Pró-Investe, a não ser no discurso político do governo. Desde as primeiras discussões na Assembleia, nós cobrávamos do governo estabelecer quais obras seriam financiadas, com os respectivos orçamentos. Em respeito ao contribuinte, não poderíamos aprovar um cheque em branco. Queríamos transparência. Lutamos por ela. Solicitamos por diversas vezes que o governo sentasse conosco para discutir a tramitação. Não houve diálogo. Como poderíamos aprovar mais de R$ 700 milhões sem saber onde o dinheiro seria aplicado? Sinceramente, acho que o governo imaginou que a oposição estava de brincadeira. Após a derrota, a coisa mudou! Prevaleceu o bom senso. O governador sentou conosco, ouviu nossas queixas e percebeu que tínhamos razão. O projeto será novamente apresentado.



JC – E o que mudou no projeto que será reapresentado?

AM - Agora o projeto será apresentado de forma correta, com a devida transparência, com cada obra sendo especificada e os respectivos custos estabelecidos. Ou seja, um cheque nominal de acordo com o que desejávamos desde o início. Vencida essa fase, a oposição votará no Pró-investe pelo bem maior do desenvolvimento de Sergipe. Afinal, como disse antes, nós nunca fomos contra o Pró-Investe. Só queríamos o preto no branco.



JC - Neste episódio do Proinveste houve uma excessiva radicalização dos dois grupos políticos?

AM- Naturalmente, quando se discute sobre valores tão altos, como no caso dos números milionários do Pró-investe, as discussões acabam sendo calorosas. Mas o importante é que dessa vez o empréstimo certamente será aprovado, porque agora está dentro dos conformes. E quem vai ganhar com isso é o povo de Sergipe. A oposição fez seu papel, agindo com responsabilidade. Se houve radicalização, já está devidamente superada.



JC - Um dos principais argumentos da oposição para não aprovar o Proinveste era dizer que não havia garantias de que as obras citadas no projeto seriam executadas. Reclamou-se também que não existiam projetos. E agora, que garantias e que projetos os deputados da oposição possuem, já que devem sugerir obras?

AM - Esperamos que o governo cumpra o que acordou com a oposição. A garantia que a oposição terá é que as obras do interesse do governo e as sugeridas pela bancada da oposição constarão do escopo da lei, e não apenas no corpo da mensagem do projeto. E todas elas deverão atender ao critério essencial da transparência. Esta é a garantia que queremos e confiamos que o governo fará a sua parte.



JC - Houve neste episódio do Proinveste uma antecipação de 2014?

AM - Acho que 2014 deveria ser discutido em 2014. Antecipar um processo tão distante sempre acarreta desgaste, sem dúvida. No dia-a-dia das discussões do Pró-investe, não há como negar, ficou a impressão na população e na imprensa que o pano de fundo era a eleição de 2014. Ouvi esse questionamento de muitas pessoas. O que eu posso garantir é que a oposição fez seu papel com responsabilidade e que em momento algum se cogitou vetar o empréstimo para prejudicar o governo, para sufocá-lo financeiramente e assim chegar fragilizado ao pleito eleitoral de 2014. Tanto isso é verdade que, atendido o critério da transparência, como nós solicitamos desde o início, o Pró-investe certamente será aprovado.



JC - E falando em 2014, o PSC vai ter candidato ao Governo do Estado? O Senador Eduardo Amorim será o candidato? E o senhor, é candidato a senador?

AM - Veja como é difícil fugir dessa discussão, não é (risos)? O PSC pode se orgulhar de ter caído no gosto do eleitor, fato que inclusive tem causado inveja a muita gente. Aliás, aproveito para dizer aos nossos adversários que mantenham a calma, a fleuma... A eleição de 2014 ainda está muito distante. Diante do sucesso dos nossos parlamentares, que sem dúvida são os que mais trabalham pelos municípios de Sergipe, independente da filiação do prefeito, temos grandes nomes para o Governo e para o Senado. O povo quer mudar de novo. Mas mudar para melhor, de verdade, pois foi enganado. Temos um governo que finge que governa, enquanto os serviços básicos – saúde, educação, segurança, estão em petição de miséria. Sergipe está no noticiário nacional com tanta frequência que nos causa vergonha. O PSC terá, sim, candidato ao governo para acabar de vez com o reinado na incompetência. O nome do senador Eduardo Amorim tem sido reconhecido pela população, porque é um líder humanitário, preocupado com o povo pobre, com o desenvolvimento. No entanto, ele próprio nunca me disse que seria candidato. Mas meu desejo é que o senador se decida logo, pelo bem de Sergipe e dos menos favorecidos. Quanto a mim, sou um soldado do partido. Estou trabalhando no projeto da minha reeleição à Câmara Federal. Mas, se o povo assim desejar o for uma decisão do grupo, estou à disposição e sei que tenho serviços prestados que me credenciam à função.



JC - O deputado Mendonça Prado disse em entrevista na semana passada ser contra uma nova aliança com o PSC em 2014 e voltou a criticar a liderança dos irmãos Amorim. Para ele, quem segue os Amorim quem faz “coisa errada” e Edvan Amorim tem prestígio graças ao dinheiro, além de realizar “safadezas”.

AM - O deputado Mendonça Prado parece se alimentar do ódio e da inveja. O deputado devia nos esquecer um pouco e se dedicar ao seu trabalho parlamentar. Ele precisa se focar em ações que contribuam para o Brasil e para Sergipe. Eu acho que a discussão política é sempre positiva porque esclarece o povo sobre nossa atuação no Congresso, mas o deputado Mendonça só pensa em detratar, em xingar em atacar a honra das pessoas, sem respeitar qualquer limite. Então, por uma questão de respeito ao eleitor eu sinceramente prefiro não entrar nessa discussão, porque me soa como agressão gratuita.



JC - Mendonça Prado também apontou uma incoerência pelo fato do PSC apoiar o governo Dilma, do PT, e ser contra o governo Déda. Como presidente do partido, como o senhor analisa esta questão?

AM - Duas caras? Incoerência? Vejamos: em Brasília eu e o senador Eduardo Amorim abrimos as portas do nosso gabinete para todos os prefeitos que nos procuram, inclusive do DEM. Levamos os seus pleitos aos Ministérios e temos sido muito felizes na liberação de recursos porque no Congresso damos apoio ao governo da presidente Dilma. Isso é ruim para os sergipanos? Quando o prefeito João Alves vai a Brasília conversar com a presidente em busca de recursos, estaria sendo ele duas caras porque integra um partido de oposição ao governo? Claro que não. Mas em Sergipe o caso é outro. Estamos lutando contra a incompetência. Não somos duas caras. Estamos trabalhando pelo povo, o que o deputado Mendonça deveria seguir como exemplo.



JC - O senhor colocou em pauta no Congresso Nacional uma discussão bastante polêmica, a redução da maioridade penal. Como está esta discussão?

AM - O Brasil está vivendo um momento terrível para as famílias das mulheres e dos homens de bem, aqueles que dão o suor para viver honestamente e sustentam o país com seu trabalho. Há menores que estão no crime, roubando, matando, estuprando porque sabem que não podem ser punidos perante a lei, apesar de terem plena consciência de que os atos que cometem são hediondos. Por que a sociedade tem de se sujeitar a esses bandidos? Essa história de que é preciso educar primeiro para punir depois é balela, coisa de acadêmicos que nunca viram a realidade das ruas. Outras nações mais civilizadas adotaram a punição aos menores infratores com bons resultados. Vamos educar, sim. Mas vamos punir com rigor, também. Uma coisa não invalida a outra. Para mim está claro que o bandido só não comete seus crimes se souber que vai para a cadeia, e que lá vai ficar trancafiado por um bom tempo, não importando a idade. Quem tem consciência para votar, também tem consciência do que seus atos implicam à vida das outras pessoas e para o bom andamento do convívio social. O meu projeto já está em tramitação. Tenho trabalhado para aprová-lo porque acredito que seja a solução ideal para tirar das ruas criminosos que se escudam na menor idade, e inibir que marginais adultos usem dos menores para executar seus crimes diante da impunidade. O projeto também institui conquistas. Por exemplo: permitir que moças e rapazes com 16 e 17 anos possam obter uma licença especial para dirigir automóveis. Espero contar com o apoio da sociedade.

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