quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Márcio Macedo diz que houve empobrecimento da política

ARTIGO: Proinveste: o empobrecimento da política ou “quando os fins justificam os meios”

No dia 5 de dezembro, os sergipanos assistiram estarrecidos, mas não surpresos, ao triste desfecho da não aprovação dos projetos do Programa de Apoio ao Investimento dos Estados e Distrito Federal (Proinveste) por parte dos deputados estaduais. Nunca é demais lembrar que o empréstimo redundaria na concessão de R$ 727 milhões que o Governo da presidenta Dilma Rousseff colocou à disposição de Sergipe.


Isso num momento em que o mundo tem passado por uma crise econômica de grandes e graves proporções, que tem como principais consequências a desaceleração da economia, a redução da oferta de emprego, de crédito e de competitividade, uma crise que tem afetado as expectativas de crescimento do Brasil, o que tem prejudicado os Estados, que veem suas receitas minguarem.

Nessa condição, uma das respostas encontradas pela presidenta Dilma para diminuir e mitigar esses efeitos tão nefastos se deu através do Proinveste. Com o programa, Sergipe teria a chance de dinamizar e consolidar as conquistas socioeconômicas do presente e avançar nas reformas estruturais para o futuro.

A publicação do Índice Firjan de Desenvolvimento aponta Sergipe como o 15º Estado brasileiro em desenvolvimento, o 3º na região Nordeste, nas variáveis de emprego e renda, educação e saúde, tendo como período de referência 2009/2010.

Este quadro demonstra que, apesar de nossas fragilidades históricas e regionais, temos feito o dever de casa, de crescimento, de geração de renda e de milhares de empregos, através de uma série de investimentos que têm dinamizado a nossa economia e minimizado os efeitos da crise financeira mundial. O Proinveste seria vital para manter - e avançar - nestes índices.

Já tinha me posicionado sobre o assunto no final de outubro. Naquela ocasião, assinalava a importância do montante de investimentos que o programa asseguraria para os vários setores de serviços públicos em Sergipe, notadamente os de Educação, Saúde, Emprego e Renda, moradias populares e obras estruturantes.

Com o resultado da votação do Proinveste, negativo ao povo de Sergipe, volto a ocupar o debate público para refletir sobre o quadro de vilanização e pauperização da política em Sergipe. A rejeição ao projeto pela Assembleia Legislativa, notadamente pelos deputados liderados pelos irmãos Eduardo e Edivan Amorim reintroduz na arena política a máxima atribuída a Maquiavel segundo a qual “os fins justificam os meios”.

Não me lembro de outro momento da História Republicana de Sergipe em que um golpe tenha sido executado com tanta frieza, dissimulação e selvageria. Os Amorim trabalham com a lógica perversa daqueles que não têm compromisso com o seu povo. 

Digo isso porque eu mesmo acusei de insanidade a atitude dos que se colocaram contra o Proinveste e contra os interesses dos sergipanos, mas na verdade há uma lógica cruel, a de que a rejeição do empréstimo garante a construção de uma conjuntura que garanta a vitória política do grupo em 2014. Ao procederem desta forma, confundem disputas eleitorais com o desenvolvimento de Sergipe e o benefício ao nosso povo.

Além disso, é perceptível que falta aos Amorim um projeto de sociedade e de Estado. Eles atuam baseados apenas na busca do poder, acima de qualquer interesse público e social. Não há neles sensibilidade capaz de enxergar o que o Proinveste representa para a gente sergipana, principalmente, para aqueles que precisam da ação mais efetiva do Estado para viver e constituir-se como cidadãos.

Este tipo de atitude dos Amorim denota que surge em Sergipe uma nova oligarquia, e como no passado, formada por partidos que tendem a se organizar, sobretudo, na defesa dos interesses dos seus chefes e famílias.

São uma nova espécie de coronéis, os do asfalto, que agem segundo o interesse dos seus apetites e julgam não ter explicações a dar para a população, para os sergipanos, como se os homens e mulheres públicos, principalmente os que detêm mandatos outorgados pelo povo, não precisassem dialogar e prestar contas com a sociedade.

Ainda assim, avalio que seja possível reverter este quadro que se desenha tão negativo para o nosso Estado. Continuo crendo que os deputados estaduais sergipanos podem repensar o voto da semana passada, diante do apelo feito pela presidenta Dilma ao governador Marcelo Déda de não desistir do Proinveste e diante do respeito que os homens públicos devem ter com o povo.

Acredito na construção de um mundo melhor e para não esquecer lembro da frase proferida por um campeão das lutas por esse novo mundo possível, Oscar Niemayer, que nos deixou no mesmo dia 5 de dezembro: “A gente tem que sonhar, senão as coisas não acontecem”.


Leia no BLOG do deputado Márcio Macêdo 

 
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