segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

“Espero que João cumpra suas promessas de campanha”, diz Edvaldo

Por Max Augusto

Após seis anos no comando da capital sergipana, o prefeito Edvaldo Nogueira (PC do B) se despede do cargo daqui a menos de um mês. Nesta entrevista concedida ao JORNAL DA CIDADE / BLOG DO MAX ele afirmou que espera ser lembrado como o prefeito que mais resolveu os problemas do presente e deixou a cidade preparada para o futuro. Sobre o resultado da eleição municipal, ele diz que o resultado do pleito não foi um julgamento das ações da Prefeitura, destacando que não foi candidato a nada. Edvaldo ainda avaliou que Marcelo Déda faz um bom governo e questionado sobre as obras que deixou em andamento (mas com recursos assegurados, garantiu), ele disse que irá defender seu legado, defendendo a paternidade das iniciativas. Leia a entrevista completa abaixo, onde o prefeito admite que sua maior frustração foi não ter conseguido viabilizar o aterro sanitário e ressalta que mesmo com a queda de arrecadação, Aracaju será entregue ao seu sucessor com as finanças saneadas.



 
JORNAL DA CIDADE – O senhor está saindo da Prefeitura de Aracaju daqui a um mês. Como acha que será lembrado, que marca deixará?

Edvaldo Nogueira - Eu acho que nós vamos ser lembrados como o prefeito que mais resolveu os problemas do presente e deixou a cidade preparada para o futuro. Acho que esta frase reflete a realização do que fizemos no governo. Comparativamente, em nenhum momento anterior a estes seis anos a cidade recebeu tantas obras e serviços da Prefeitura. E foram obras que atingiram diversos setores da sociedade. Obras sociais, como o auxílio moradia. Antes os governos tiravam pessoas das áreas de risco e colocavam em galpões e baias. Nós conseguimos remover 1.970 famílias, e todas recebem o auxílio. Obras na Saúde, onde realizamos trabalhos com idosos, e ampliamos o Bolsa Família para 32 mil pessoas – sem que nunca houvesse o registro de um escândalo.

JC – E em relação a obras físicas?

EN – Na Educação houve a reforma das escolas. Todas as escolas feitas na minha gestão são padrões, possuem lousa eletrônica, quadras de esportes, internet wifi. Teve o projeto um computador por aluno. Fizemos também mais de 300 km de recapeamento asfáltico. Nos últimos 20 anos fui o único prefeito a construir um bairro ovo, o 17 de março, com avenidas, ruas largas, já com creche e escola em construção. Foi todo planejado, contando com uma praça da juventude, e vou entregar até o final do ano 2.300 domicílios. Fora o Minha Casa Minha Vida e o PAR, que foram cinco mil unidades.

JC – Você acha que a a população terá essa imagem, de prefeito ‘resolvedor’ e realizador?

EN – Eu acho que essa é a marca que vai ficar. As pessoas tem falado sobre o processo eleitoral, mas o resultado da eleição não foi o julgamento da Prefeitura. O prefeito mais bem avaliado do Brasil, o de Cuiabá, não conseguiu eleger seu candidato. O prefeito de Curitiba, também muito bem avaliado, perdeu a reeleição. Eu não fui candidato, não estava em julgamento a minha candidatura. Houve um embate político e outras circunstâncias foram as causas da nossa derrota. Por exemplo, houve demora ara escolher o candidato, ficamos dois anos sem consenso, e existia obviamente um candidato forte do outro lado, que já tinha sido prefeito e governador, além de ter sido candidato nas últimas quatro eleições seguidas. Houve uma estadualização do processo eleitoral, uma precipitação de 2014...

JC – Já que você falou sobre governo estadual, qual a sua avaliação sobre ele?

EN – Acho que Déda faz um bom governo. Ele pegou o Estado em situação deplorável, difícil, teve que arrumar. Depois fez um projeto que que investiu muito no interior, e há muitos anos, nos últimos dois ou três governos, não se investia tanto no interior. Ele buscou levar o desenvolvimento com estradas, melhorias das cidades, políticas de melhorias da agricultura. Sergipe aumenou sua produção de milho e leite, por exemplo. O interior é um canteiro de obras, e Déda fez um governo com étiaa. Ele fez um projeto de interiorização da Saú, que ainda está em processo, mas deu início. Mas ele próprio reconhece que agora é necessário fazer uma mudança para enfrentar os próximos dois anos. E conseguiu tudo isso dentro deste quadro de dificuldades econômicas, queda de receita.

JC - O senhor falou em Proinveste. Esses recursos serão bons para a capital?

EN – Qualquer dinheiro para Sergipe repercute em Aracaju, mesmo que ele não seja diretamente aplicado na capital. O cidadão vem para comprar, o comércio de Aracaju tem repercussão no estado inteiro. Além disso são quase R$ 150 milhões de investimentos. Obras como a duplicação da Euclides Figueiredo, a segunda etapa da Orla do Bairro Industrial, infraestrutura urbana para Aracaju, pontes e viadutos obras que a prefeitura sozinha não poderia dar soluções.

JC – Existe alguma obra que o senhor possua um orgulho especial em ter realizado?

EN - Três obras. O viaduto do DIA, que foi a primeira grande obra de engenharia e mobilidade de trânsito, resolveu um grave problema da cidade. O bairro 17 de março, um novo bairro, feito com organização e com tudo o que as pessoas que precisam. E o complexo viário Governador Seixas Dória, que engloba o mergulhão na Tancredo Neves, a ponte do Beira Rio e Augusto Franco e vai resolver um problema do trânsito. Deixo inacabada, mas com recursos garantidos e toda planejada. É uma questão de tempo, tudo agora será mais rápido, porque o mais difícil era fazer projetos e conseguir dinheiro.

JC – E uma obra ou ação que o senhor não conseguiu realizar, por circunstâncias alheias a sua vontade?

EN – O fato de não conseguir construir o aterro sanitário, apesar de não ter sido promessa de campanha. A gente tem um grande problema, não temos o terreno, portanto ele não pode ser feito em Aracaju. Será em Socorro ou São Cristóvão, fizemos projeto, obtivemos recursos,mas não conseguimos a licença e não houve consenso com as outras prefeituras da grande Aracaju.

JC - Falando em obras, você deixou algumas em andamento, e um prefeito de oposição assumirá o comando. Vai haver briga pela paternidade das obras?

EN – Não acredito, todo mundo sabe quem foi que fez as obras. Os recursos estão garantidos, as obras estão quase prontas, bem adiantadas. Acho que no Brasil não tem mais espaço para esse tipo de tentativa de ofuscar, mas na politica pode acontecer tudo. Mas vou defender meu legado e minha obra, se for necessário fazer disputa pela minha obra, vou fazer. E isso é uma regra básica, em toda placa de inauguração deve constar obra iniciada na gestão de fulano e concluída na gestão de cicrano. Ninguém pode apagar a historia nem querer se apropriar de obras iniciadas pelos outros.

JC - Quantas obras em andamento ficarão para o próximo prefeito?

EN - Não tenho número de obras em mãos, mas ficarão mais de R$ 50 milhões de obras em andamentos, recursos já assegurados.

JC - A decoração de natal e reveillon só foram anunciadas por pressão da imprensa e da população?

EN – Essa é uma avaliação equivocada. Em nenhum momento eu falei que não haveria. Houve uma tentativa que partiu não sei de quem, de deturpação de fatos. E de uma tentativa de criar um clima na cidade contra o governo, de desestabilizar do governo, de criando uma política de desgaste no final de mandato. Principalmente as pessoas que são oposição. Faço as coisas de forma correta e disse que só iria anunciar a decoração o após o pagamento da folha de novembro. Aliás, já tinha decoração natalina, anunciei em setembro a decoração na sementeira. Mas deixei claro, em virtude da queda de arrecadação, eu só anunciaria a decoração após a o pagamento da folha de novembro.

JC – Muitos municípios tem reclamado da queda na arrecadação. Como estão as finanças de Aracaju?

EN - Mesmo com a queda da arrecadação, vamos deixar a prefeitura equilibrada. Por isso levantei a possibilidade de fazer uma decoração e um reveillon menor. Tenho desde agosto começado a cortar gastos, visando o equilibrar as contas. Percebemos que haveria uma queda. Ela aconteceu e foi contínua, fruto política de desoneração fiscal. Há uma crise grande na maioria dos municípios, os que dependem do FPM estão em dificuldade. Há uma estatística de que 60% dos municípios não fecharam as contas e há uma mobilização para que o Governo Federal socorra os municípios, suplementando repasses.

JC – E a cobrança nos estacionamentos dos shoppings, só se fala nisso. A prefeitura também é contra a cobrança em universidades?

EN – A Prefeitura tem o mesmo posicionamento em relação aos estacionamentos em shoppings e universidades. Não pudemos intervir de forma mais efetiva porque a lei foi considerada inconstitucional pelo Tribunal de Justiça, por isso a Prefeitura não adotou nenhuma sanção –a lei permitia sanções e até fechamento. Entramos com recursos, para que fosse julgado no STF. O TJ aceitou nosso recursos e entramos com um outro pedido para que seja enviado mais rápido para o STF.

JC - Quando o senhor irá assumir uma secretaria no governo do Estado?

EN - Ainda não conversei com o governador acerca de ocupação de espaço no governo do Estado. Não discutimos e acho que essa decisão sobre o futuro só será tomada a partir do ano que vem, porque até o dia 31 de dezembro sou o prefeito da cidade, não tenho como discutir essas questões. Minha intenção é tirar férias de um mês, coisa que não faço há doze anos. Não tem acordo, não teve conversa com o governador sobre participação no governo. Mas continuo político, continuo na luta e no projeto político. A partir de janeiro estou sem cargo público, estou aberto a discutir propostas, mas a iniciatva é do governador. Conversei com Déda ultimamente, mas falamos mais sobre a saíde dele e sobre questões políticas gerais, nenhuma questão administrativa ou de governo foi colocada, mesmo porque eu não trataria desse assunto com o governador num momento como esse.

JC – Algumas pessoas avaliam que o grande problema da Saúde é a atenção básica. Como está a Saúde e Aracaju?

EN - Quem levanta esse problema da atenção básica não faz uma avaliação correta. O problema da Saúde não é a atenção básica, os postos funcionam. O problema é a média e alta complexidade. A dificuldade que ainda existe na atenção básica é a dificuldade da abordagem da população, que precisa frequentar mais a atenção básica. O grande desafio que temos que é a média e alta complexidade, esse é um gargalo.  E a questão dos exames, as pessoas já querem o exame complementar imediatamente. Mas até num plano privado, um médico pede uma tomografia que não é feira em dois dias. Pode demorar até quarenta ou cinquenta dias. E na rede pública esse prazo as vezes é maior. Para melhorar isso precisamos de recursos, acho que o governo deveria implementar a emenda 29, que garante verbas. Aracaju investe 21% da sua arrecadação na Saúde, temos quase 150 itens nas farmácias, colocamos quase o dobro do que é exigido pela atenção básica. O orçamento da Saúde do municíio de Aracaju é de 33%, em 203 serão R$ 450 milhões por ano. E ainda precisamos de mais recursos, mas o município não tem de onde tirar.

JC – Quais as suas expectativas em relação ao próximo prefeito?

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