sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Ana Lúcia rebate Amorim e critica contrato com a Rede Ilha

Na sessão plenária de ontem, na Assembleia Legislativa, a deputada estadual Ana Lúcia (PT) fez um discurso duro para rebater as críticas da oposição com relação ao Programa de Apoio ao Investimento dos Estados – Proinveste, que injetaria R$ 727 milhões através de empréstimos do Governo Federal. Os três Projetos de Lei de autoria do Poder Executivo para a tomada dos empréstimos foram rejeitados ontem (05), por votação maciça dos deputados de oposição, maioria na Casa. Ela também criticou contrato entre a casa parlamentar e a Rede Ilha de Comunicação e refutou fala do senador Eduardo Amorim (PSC) contra seu agrupamento político na emissora.


Destacando que por concepção ideológica e prática política é contrária ao modelo capitalista, por acreditar e lutar por uma sociedade sem exploração, a socialista, ao defender os empréstimos via Proiveste, Ana Lúcia lembrou que o próprio capitalismo se autoalimenta dos empréstimos, seja a instituições e empresas, seja às pessoas. “O sistema capitalista vive de empréstimos. Se estou precisando de recursos, vou pedir emprestado a alguém, com juros ou sem juros. É assim que a economia gira”, disse.

Ana rebateu o discurso da oposição, que tenta passar para a população que os empréstimos comprometeriam a folha de pagamento dos servidores públicos. A parlamentar lembrou que o Senado Federal aprovou resolução determinando que os estados e municípios que tomarem empréstimos do Governo Federal só podem ter comprometido da sua despesa corrente líquida até 11%, e que, portanto, não haveria como comprometer as finanças do Estado a ponto de afetar o pagamento dos salários dos servidores.

“O governo federal não tem como tirar esse dinheiro além desses 11%, portanto, os cálculos feitos aqui pela oposição são cálculos que não têm nenhum componente técnico. E em lugar de comprometer economicamente o estado de Sergipe, esses empréstimos iriam aquecer a sua economia, gerar emprego e renda, e aumentar a arrecadação de impostos que serviria para pagamento dos servidores públicos e para as políticas públicas”, chamou a atenção.

Ana ressaltou ainda que, como parlamentar eleita pelo povo, sempre cumpriu e cumprirá com a tarefa de fiscalizar e zelar pelo dinheiro e patrimônio públicos, independente do governo de plantão, e que mesmo sendo governista, em vários momentos fez as críticas necessárias para salvaguardar direitos dos servidores públicos, em especial dos professores, e da população.
“Eu não sou adesista, nem ao meu governo nem a nenhum outro. E quero dizer a Venâncio Fonseca que se ele zela pelo dinheiro público, eu também zelo. Ele foi gestor e eu também fui gestora. Então, peço que a oposição tenha mais cuidado com as palavras”, disse.

A parlamentar também desmontou o discurso da oposição que prega não ter havido nenhuma geração de emprego nos últimos anos do Governo Déda, apesar dos empréstimos já tomados anteriormente. Utilizando dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED) do Ministério do Trabalho, Ana mostrou que entre 2003 e 2006, quando o estado era governador por João Alves, foram gerados 18.660 empregos na capital e 8.945 no interior, totalizando 27.605; já entre os anos de 2007 a 2010, com Déda no governo, foram gerados 23.805 empregos na capital e 26.479 no interior, totalizando 50.284 empregos gerados em todo o estado. Ou seja, além de levar mais emprego para o interior, distribuindo melhor essa relação, o governo Déda gerou mais que dobrou o número de empregos gerados em relação ao governo de João Alves. “Discutir economia é isso. E segunda-feira estarei aprofundando ainda mais essa discussão”, avisou.

AMORIM E REDE ILHA
Ana Lúcia também aproveitou para questionar o contrato mantido entre a Assembleia Legislativa e a Rede Ilha de Comunicação, do empresário Edivan Amorim, no valor de R$ 1,7 milhões, que teoricamente serviria para transmissões das sessões ao vivo, o que não acontece na prática.

A parlamentar argumenta que se parlamentares são citados em um dos programas de rádio da emissora, com ela foi, no plenário esses parlamentares deveriam ter o espaço garantido para poder dar a resposta. “A única coisa que justificaria este contrato, para atender a todos os parlamentares, é a transmissão do Pleno, que é onde se dá a disputa de projetos, de concepções e de sociedade. Não tem sentido haver um contrato com uma emissora de rádio quando temos debates no pleno da Casa e eles não são transmitidos”, afirmou.

A deputada cobrou na tribuna acesso ao contrato feito entre a Alese e a rede de rádio para entender o que ele estabelece e que a emissora passasse a transmitir ao vivo os trabalhos em plenário. “Não estou fazendo um protesto, estou exigindo. A mesa diretora desta Casa tem que fazer com que a partir da próxima sessão a Rede Ilha tenha que estar transmitindo ao vivo o pleno. Só assim esse contrato faz sentido. Para quê um contrato com uma emissora de rádio que não transmite os debates políticos?”, questionou.

No programa matinal da emissora, o senador Eduardo Amorim (PSC) citou a parlamentar, dizendo que nas eleições de 2010 foi “enganado” pelo agrupamento político da deputada. Ana refutou.

“Quero dizer ao senador Amorim que ele não é ingênuo na política. Ele não foi enganado nem por mim nem pelo ex-deputado Iran Barbosa. Não tivemos nenhum material de campanha com o nome dele, nunca fui para nenhum programa nem a palanque pedir voto pra ele. E se ele tinha tanta certeza que iríamos votar nele, por que pediu ao Capitão Samuel por duas vezes para conversar com o professor Iran? Porque ele tinha certeza que nosso agrupamento não votava nele, como não votou. Nunca criamos problemas à sua candidatura. Fomos voto vencido dentro do partido, mas respeitamos a decisão. Mas éramos contra e não tínhamos nenhuma obrigação de pedir voto pra ele”, disse, enfaticamente.

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