terça-feira, 27 de novembro de 2012

Internautas poderão participar de debate sobre tratamento da homoafetividade

A Comissão de Seguridade Social e Família realiza hoje, às 14h30, no Plenário 7, audiência pública para debater o tratamento psicológico da homoafetividade. Os interessados em participar da discussão poderão enviar perguntas por meio doportal e-Democracia. As perguntas serão encaminhadas ao presidente da Mesa, durante a audiência, que se encarregará de fazer os questionamentos aos participantes.

A audiência foi solicitada pelo deputado Mandetta (DEM-MS). O objetivo é debater o Projeto de Decreto Legislativo 234/11, do deputado João Campos (PSDB-GO), que suspende resolução do Conselho Federal de Psicologia que impede os psicólogos de exercer qualquer ação que transforme a orientação sexual de alguém em patologia. Ou seja, pela resolução do Conselho, de 1999, não é possível tratar e tentar curar a homossexualidade. O projeto quer sustar o texto, sob a alegação de que extrapola a competência da instituição.
Apesar de antiga, a norma do Conselho de Psicologia ainda divide opiniões. Na Câmara, o assunto já foi debatido em duas audiências públicas da Comissão de Seguridade, onde o projeto está sendo analisado. O relator é o deputado Roberto de Lucena (PV-SP).
Para esta audiência, foram convidados:
- o pastor Silas Malafaia, líder da Igreja Assembleia de Deus Vitória em Cristo;
- o presidente da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais, Toni Reis (ABLGBT);
- o presidente do Conselho Federal de Psicologia, Humberto Cota Verona; e
- a psicóloga Marisa Lobo.
Segunda o deputado Mandella, a ideia é ouvir convidados com diversidade de opiniões sobre a matéria, para que os integrantes da comissão possam construir sua visão sobre a matéria e votar o projeto. “Deve ser considerada a multidisciplinaridade do assunto, com seus aspectos científicos e sociais”, destacou.
Polêmica
Para o presidente da ABLGTB, Toni Reis, que já participou de outra audiência na comissão, prometer cura para o que não é doença – no caso para a homossexualidade – é charlatanismo. Na mesma audiência, a representante do Conselho Federal de Psicologia Ana Paula Uziel também afirmou que não é possível falar em tratamento ou cura da homossexualidade, justamente porque ela não pode ser considerada doença. Para Ana Paula, a liberdade de atuação profissional deve ter limites.
O representante da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) Francisco Cordeiro ressalta que, desde 1990, a homossexualidade não consta na Classificação Internacional de Doenças (CID). Segundo ele, as mudanças na classificação são feitas a partir de um trabalho criterioso de especialistas e pesquisadores que se reúnem para discutir o que pode e o que não pode ser considerado doença. Cordeiro explica também que a lista é ratificada pelos países signatários da Organização das Nações Unidas (ONU).
Porém, para a psicóloga Marisa Lobo, que já falou à comissão e retorna nesta terça-feira, não definir a homossexualidade como uma doença é um argumento questionável. Ela salienta que a retirada da homossexualidade da CID em 1990 aconteceu por votação, o que indicaria um caráter não científico dessa decisão: “A ciência ainda não tem entendimento do que é a homossexualidade. Não há pesquisa que comprove que a homossexualidade é genética.” Marisa Lobo defende a possibilidade de aos homossexuais procurarem orientação profissional sobre sua condição sexual.
Essa também é a opinião da psicóloga Rozângela Justino, que acusa o Conselho Federal de Psicologia de perseguição e discriminação. Desde 2009, ela foi proibida de atender pessoas com, em suas palavras, “desejo de deixar a atração pelo mesmo sexo”. Rozângela atuou na área durante 27 anos, mas depois de ser punida pelo conselho com uma censura pública, deixou de exercer a profissão.

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