segunda-feira, 12 de novembro de 2012

ENTREVISTA - MARCELO DÉDA: “Candidatura ao Senado é uma possibilidade”

Na primeira entrevista concedida à imprensa escrita, desde o seu afastamento do governo para tratamento de Saúde, há cerca de um mês e meio, o governador Marcelo Déda (PT) não titubeou e foi direto em vários temas: Disse que a sua candidatura ao Senado é uma possibilidade e avaliou que seu vice-governador Jackson Barreto (PMDB) é o candidato natural ao governo do estado em 2014. Nesta conversa exclusiva com o JORNAL DA CIDADE / BLOG DO MAX, Déda também falou sobre a autorização da Assembleia para a concessão do empréstimo do Proinveste. O governador pediu à presidente da Casa, Angélica Guimarães (PSC), que colocasse os projetos em votação, e alertou que as maiores vítimas da rejeição do Proinveste serão os prefeitos recém-eleitos, pois não sobrará dinheiro para parcerias com o estado. Ele falou ainda sobre o seu tratamento de Saúde, que considerou extremamente agressivo, mas destacou que na avaliação dos médicos, seu caso é perfeitamente tratável. Por último, também afirmou que vai continuar dialogando com os deputados, buscando construir maioria no parlamento, e criticou o que
chamou de um projeto político que precisa prejudicar Sergipe para vencer. Leia a seguir.



Déda: “Há vida depois do câncer
e eu estou lutando por ela”
JORNAL DA CIDADE - Como está o tratamento? Qual é a pior parte desta rotina?
Marcelo Déda - O tratamento quimioterápico a que estou me submetendo continua dentro daquilo que foi planejado pela equipe médica que me assiste, liderada pelo Dr. Paulo Hoff, do Hospital Sírio Libanês. Obedece a um cronograma que prevê, em sua primeira fase, quatro sessões quinzenais. Finda essa fase, realizarei exames para avaliar a evolução do tratamento e os médicos decidirão as futuras etapas. É uma luta longa, mas a minha fé em Deus, a minha confiança na ciência médica, aliadas ao apoio da família e às preces dos sergipanos são alentos que me permitem manter alta a moral e sempre desfraldada a bandeira da esperança. Vou vencer mais essa! A pior parte são as viagens e a quimioterapia. O tratamento quimioterápico é extremamente agressivo, com a aplicação por via venosa de medicamentos muito fortes que provocam muitos efeitos colaterais. Mas faz parte da luta e nada na minha vida foi conquistado sem luta.

JC - Homem culto e conhecido por ser um leitor voraz, o que o governador tem lido durante este período difícil?
MD - Tenho mantido uma rotina de leitura muito intensa: muita poesia, textos de filosofia, política e muitas biografias. Conclui a leitura da biografia de Martinho Lutero, do francês Lucien Favre, li a autobiografia do Darcy Ribeiro, trechos da biografia do presidente João Goulart e uma original biografia do filósofo Montaigne, de autoria de Sarah Bakewell. Comecei agora a biografia do Marighella, do jornalista Mário Magalhães. Vários amigos me presentearam com textos religiosos e de espiritualidade que me auxiliam nas minhas meditações e orações. Ah!, também tenho recobrado a veia poética e cometido alguns versos destinados à solidão das gavetas...

JC - É difícil se desvincular da política, de forma tão abrupta? O senhor tem sentido essa dificuldade?
MD - Muito difícil. Sou um homem de ação e, modéstia à parte, obcecado pela responsabilidade. Sempre considerei o poder, o governo, como uma tarefa que o povo confia a um cidadão. Cumprir essa tarefa da melhor maneira possível sempre foi minha obsessão. Quando um problema de saúde me afasta da linha de frente é claro que isso me angustia. Mas, a amizade, o companheirismo e a lealdade de Jackson Barreto, somado ao profissionalismo da equipe de governo e à solidariedade dos companheiros dos partidos aliados, em especial da nossa bancada, ajudam a reduzir a angústia porque sou sempre consultado sobre as decisões estratégicas do governo e da política.

JC - Qual foi o prognóstico que o senhor recebeu dos médicos? Hoje boatos de toda sorte correm pelo estado (dos mais pessimistas aos mais otimistas). Qual é a real situação do seu problema de Saúde?
MD - O prognóstico é que tenho uma doença grave, mas perfeitamente tratável e curável. Os exemplos de amigos como Lula, a presidente Dilma, Zé Eduardo e de personalidades como o ator Gianechinni, mostram que há vida depois do câncer e eu estou lutando por ela.

JC - A oposição tem mostrado agora uma estratégia de pedir vistas sobre o projeto que trata da liberação do empréstimo do Proinveste. Como o senhor avalia esta ação?
MD - Uma atitude temerária que pode por em risco o futuro de Sergipe. Não posso acreditar num projeto político que constrói a mais estranha e perigosa teoria eleitoral que Sergipe já viu: para a oposição vencer é preciso que Sergipe seja prejudicado, obras sejam canceladas, empregos sejam perdidos e a economia sergipana seja a grande vítima dos reflexos da crise econômica internacional no Brasil. Quer dizer, a oposição só dará certo se Sergipe der errado - como um candidato pode aceitar carregar essa marca? O Proinveste não foi inventado por mim: é um programa de 20 bilhões que Dilma criou para ajudar os estados que passaram pela auditoria do Ministério da Fazenda e provaram ter condições fiscais, financeiras e legais de contrair o empréstimo. Sergipe vai virar o patinho feio da Federação, o único estado fora desse programa de ajuda financeira. Os empresários da indústria e do comércio, os micro e pequenos empreendedores, acham que Sergipe deve se dar ao luxo de recusar uma injeção de R$ 530 milhões em investimento direto em obras e equipamentos?
Os 30 milhões investimentos em infra-estrutura produtiva programados é que estão viabilizando a chegada de fábricas como a francesa, produtora de embalagens de vidro, no ramo desde o século 17. A Votorantim vai duplicar sua planta e depois de mais de duas décadas um novo investidor quer construir uma nova fábrica de cimento em Sergipe, num investimento que eu mesmo, pessoalmente, fui negociar em Recife com o grupo Brennand. São milhares de empregos. O que eu faço agora: viabilizo a infra-estrutura com os recursos do Proinveste ou mando o pessoal procurar a Bahia, Alagoas, Pernambuco, quem sabe, voltar na próxima década? São questões como essa que devem ser refletidas pelos deputados.

JC – Na sua avaliação, quem mais sairia perdendo, com a não concessão do empréstimo?

MD - Uma das maiores vítimas da rejeição do Proinveste serão os prefeitos recém-eleitos. Não sobrará dinheiro para parcerias. Preocupa-me também as dificuldades que serão criadas para os Poderes. Compromissos assumidos na elaboração do orçamento, repasse de verbas suplementares e outros instrumentos de cooperação do Executivo com o Legislativo, o Judiciário, o MP e o TCE, dificilmente poderão ser mantidas pelo governo, sem a renegociação das dívidas antigas previstas no projeto. Continuo acreditando na responsabilidade dos parlamentares e repito o apelo que já fiz antes: Presidente Angélica Guimarães, pelo bem de Sergipe, ponha os projetos para votar.

JC - O senhor já está pronto para governar possuindo minoria na Assembleia?
MD - Um governador tem que estar preparado para governar em qualquer condição - das mais fáceis às mais difíceis. Agora, eu continuarei dialogando com os deputados e buscando construir maioria, seja de forma permanente, seja em torno de temas específicos. A radicalização absoluta, o eleitoralismo desvairado, a ambição que despreza o interesse público é ruim para todos, governo e oposição. A ferramenta da política é o diálogo, essa é a lição que a história nos dá. Sem essa característica do diálogo e sem a possibilidade da construção de consensos, a política perde a sua essência civilizatória e deixa de ser Política, com "P" maiúsculo.

JC - Na sua avaliação, qual o motivo que levou deputados a deixarem a base governista, quando é mais comum presenciar a situação contrária?
MD - Nós estamos vivendo um momento específico, marcado por uma radicalização que ecoa ainda a recente batalha eleitoral. É preciso ter paciência e compreensão. Não está ainda definido o padrão do novo relacionamento que teremos com o Parlamento. O que nós do governo precisamos humildemente compreender e aprender é que a Assembleia terá que merecer mais atenção, mais diálogo, mais negociação nos temas prioritários para o governo. Precisamos aprender a incorporar sugestões dos deputados a examinar com respeito os pleitos parlamentares. A instabilidade de hoje pode se transformar numa preciosa lição para nós todos e construir um novo paradigma para as relações do Executivo com o Legislativo. O que nós não podemos - nem governo, nem oposição, nem deputados que se dizem independentes - é viver num clima de Fla-Flu, brigando por tudo e ainda xingando o juiz... Sergipe não está em guerra civil e o povo não é bobo: a tudo vê, tudo analisa e, na hora certa, tudo julga.

JC - Proinveste, escolha para o Tribunal de Contas... Tudo isso tem sido uma antecipação de 2014?
MD - Não dá para negar que há uma precipitada antecipação do pleito de 14... É até natural que as forças políticas se organizem, se fortaleçam e construam suas estratégias para a próxima disputa, mas é um erro, repito, um erro gravíssimo, tentar por um projeto eleitoral na frente dos interesses gerais do povo sergipano. O povo vê isso como ambição desmedida e pode desconstruir a imagem de um candidato ou a legitimidade de um projeto. Eu cheguei onde cheguei porque nunca me esqueci de um fato: na Democracia, Sua Excelência é o Povo e o Povo não é bobo!

JC - O senhor pensa em candidatar-se ao senado em 2014?
MD - É uma possibilidade, mas eu só examinarei efetivamente essa hipótese em janeiro de 14. Preciso recuperar minha saúde, governar Sergipe e concluir meu programa de governo, com as obras e investimentos que planejei.

JC - Jackson Barreto é o candidato natural do grupo para disputar o governo em 2014, ou o PT vai querer emplacar um nome?
MD - Eu acredito que Jackson é o candidato natural da nossa base, mas ainda é cedo para definições. É preciso permitir que todos os partidos aliados, não apenas o PT, possam analisar os cenários, definir um perfil de candidato e manifestar suas pretensões.

JC - O deputado Mendonça Prado disse esta semana que o governador poderia se manifestar sobre um certo empréstimo concedido pelo Banese. O tema envolveria um grupo político. O senhor tem algo a falar sobre isso?
MD - Uma das marcas do meu governo tem sido a gestão profissional do Banese, com governança corporativa, sem intromissões políticas. Ao governo, acionista majoritário, cabe submeter ao Conselho as linhas estratégicas de atuação do banco. Os empréstimos e demais negócios do banco não passam pelo governador, mas são responsabilidade da Diretoria e dos gerentes, que por eles se responsabilizam. 

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