terça-feira, 16 de outubro de 2012

COLUNA MAX AUGUSTO - Base governista elege 45 prefeitos

Terminada uma eleição, o assunto agora já é a próxima. Prognósticos sobre candidaturas e teorias sobre o poderio político dos grupos são tão diversos quanto imprecisos, e a dois anos do processo de escolha do próximo senador e governador, o que existe no momento não ultrapassa o desejo pessoal ou o projeto de lideranças e grupos em apresentar candidaturas.




O cenário começa a ganhar contornos mais factíveis agora. Herança maldita do coronelismo, todos os grupos que se apresentam sabem que para galgar sucesso num projeto estadual, precisam ter lideranças com influência sobre os currais eleitorais, pequenos feudos onde cada senhor sabe dizer quantos votos possui, na hora dos acertos. É por isso que vale analisar os números desta eleição.

Mas vamos deixar claro: a precisão matemática dos números só serve às ciências exatas. Sem essa de que os números não mentem. Mudos em si mesmos, aplicados às ciências humanas, os algarismos arábicos dançam conforme a engenhosidade de quem articula o discurso. Ainda assim é possível ouvi-los e preparar uma análise inicial honesta, que está longe de se candidatar a fato irrevogável e irretocável.

Governo e oposição
Apesar de muito se falar numa suposta rejeição ao atual governo do estado, foi a sua base de partidos quem elegeu a maioria dos prefeitos em 2012. Ao todo as siglas que apoiam o governo de Marcelo Déda (PT) conseguiram eleger 45 prefeitos, enquanto o grupo político comandado pelos irmãos Amorim elegeu 19 gestores e os partidos sob influência política de João Alves Filho (DEM), fizeram 11.

As explicações são as mais diversas: O governo diz que a realização de obras pelo interior e a boa aceitação de Déda fora da capital levou muita gente à vitória. Já a oposição atribui sua derrota à força do rolo compressor da máquina administrativa, ou a peculiaridades locais. Mas isso já é uma outra conversa.

PSD
O PSD manteve o posto que já era seu e foi o partido que mais elegeu mais prefeitos: foram 12. É verdade que a maior parte deles foram prefeituras com pequeno eleitorado, como Cumbe e General Maynard. Mas vale destacar a vitória em municípios de médio porte, como Boquim e Riachão do Dantas, além do peso simbólico da vitória em Japoatã, onde Dr. Gilmarcos derrotou Telmo Guimarães (PSC) – irmão da presidente da Assembleia Legislativa, Angélica Guimarães (PSC).

PSC e PR
Em segundo lugar ficou o PSC do senador Eduardo Amorim, que saiu com onze prefeitos. Ao lado do PR (que elegeu seis prefeitos), foi o único partido do grupo que tem como principal articulador o empresário Edvan Amorim a mostrar robustez. Mais do que o número total, que em sua maioria inclui municípios pequenos como Ilha das Flores, Areia Branca e Telha, valeu a vitória em cidades como Simão Dias (por ser reduto político do senador Valadares (PSB) e Pirambu onde a família Moura retorna ao poder.

PSB
Analistas mais apressados afirmam que o senador Antônio Carlos Valadares (PSB) foi o grande derrotado das eleições porque além de não conseguir eleger seu filho prefeito de Aracaju, não emplacou na Câmara de Aracaju os dois vereadores que seriam os preferenciais do partido e ainda de quebra não ganhou no seu município.

Mas um estudo menos apaixonado revela que o PSB aumentou o número de prefeitos: saiu de nove para dez, passando a ser a terceira sigla com maior número de alcaides em Sergipe (até o final de 2012 estava com a quarta posição). Não custa lembrar que Valadares Filho (PSB), mesmo derrotado no primeiro turno, foi escolhido por 38% do eleitorado da capital, consolidando sua candidatura em 2014, quando tentará o terceiro mandato de deputado federal.

PT e PMDB
Os partidos que hoje estão comandando o estado, PT e PMDB elegeram sete prefeitos, cada um. Nas previsões mais otimistas o Partido dos Trabalhadores esperava iniciar o próximo ano com dez prefeitos, mas saiu dos seis atuais para sete e ficou em quarto no ranking das siglas com mais Prefeituras. Já o PMDB caiu de onze para sete Prefeituras. Houve casos como o de Itabaiana, onde a campanha foi acirrada e a não reeleição de Luciano Bispo foi traumática, mas a diminuição do número de prefeitos aconteceu porque em vários municípios o partido abriu mão de candidaturas para apoiar outros nomes e garantir uma aliança ampla – já de olho inclusive nas eleições de 2014.

Nuances
Levando em conta o resultado destas eleições a base governista larga com uma boa vantagem para 2014. O grupo dos irmãos Amorim mostrou força e conseguiu o comando de importantes cidades, mas numericamente está muito atrás dos seus principais adversários – principalmente se excluirmos da sua base prefeitos eleitos pelo PSDB, DEM e PPS, que estão sob o guarda0chuva de João Alves.

Mas que fique claro, como dissemos no início: a análise dos números é apenas um ponto de partida, a realidade da política é muito complexa e envolve mais do que siglas e números. No interior do estado as ideologias e projetos estaduais ou federais sucumbem ante alianças tradicionais ou aos projetos de antagônicos grupos familiares.

Prova disso é que partidos da tal “Federação de siglas” dos Amorim integraram algumas coligações que levaram partidos governistas ao poder. Em Amparo de São Francisco, por exemplo, Atevaldo (PSB) foi eleito numa coligação com o PMDB, PSC e outros. Em Lagarto, Lila (PSDB) foi eleito com o apoio do governador em exercício, Jackson Barreto. Em Campo do Brito, o PSB esteve ao lado do DEM para eleger Léo. Os governistas largaram na frente, mas a sopa de letra das coligações pode resultar em indigestão, se não ficarem de olhos abertos.

Prefeitos eleitos 2013/2016


Partido

Prefeitos

PSD

12

PSC

11

PSB

10

PT

7

PMDB

7

PR

6

DEM

6

PDT

5

PSDB

4

PRB

2

PPL

1

PSL

1

PPS

1

PTdoB

1

PCdoB

1

Prefeitos 2009/2012


PSD

12

PMDB

11

PSC

10

PSB

09

PDT

08

PT

06

DEM

05

PR

05

PTB

04

PC do B

02

PSDB

01

PRB

01

PP

01


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