segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Artigo - Crescimento e inclusão social em Sergipe

Por Ricardo Lacerda*

A década de 2000 marcou o reencontro da economia brasileira com o crescimento, depois dos percalços das duas décadas anteriores. Os anos oitenta foram marcados pela crise do endividamento externo e o consequente descontrole inflacionário e os anos noventa pela economia de baixo dinamismo, apesar da conquista da estabilização.


A trajetória da economia sergipana durante todo esse longo período não se desviou muito do comportamento geral do país. Depois de ter se arrastado nos anos noventa, registrando taxa média anual de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2,4%, na década de 2000 o PIB sergipano apresentou taxa média de crescimento de 4,3%, deixando para trás o período de baixo dinamismo.

Com a taxa média de crescimento obtida nos anos noventa, a economia sergipana somente dobraria o PIB a cada trinta anos, enquanto que a taxa média registrada na década de 2000 o duplica em dezessete anos.

Apresentar uma taxa robusta de crescimento médio anual é requisito, mas não é garantia para as conquistas sociais. Em ciclos expansivos anteriores predominaram os objetivos voltados para o desenvolvimento da base produtiva. 

Inclusão pela renda

Recentemente, publicação do IPEA caracterizou o período 2001-2011 como sendo a Década Inclusiva do desenvolvimento brasileiro, marcado que foi pelo crescimento expressivo dos rendimentos das famílias mais pobres (Comunicado IPEA 155. A Década inclusiva (2001-2011): Desigualdade, pobreza e políticas de renda, de 25 de setembro de 2012). O estudo mostra que “entre 2001 e 2011, a renda per capita dos 10% mais ricos aumentou 16,6% em termos acumulados, enquanto a renda dos mais pobres cresceu notáveis 91,2% no período”.

Segundo o IPEA, mais da metade da melhoria da distribuição de renda no Brasil entre 2001 e 2011 se deveu à expansão do emprego de qualidade e à elevação dos salários. Mas outros fatores como a melhor cobertura de políticas sociais, como a previdência, e as transferências associadas ao programa Bolsa Família e aos Benefícios da Prestação Continuada (BPC) também foram importantes para reduzir a desigualdade e retirar milhões de brasileiros da pobreza extrema.  As regiões mais pobres apresentaram ritmo mais intenso de crescimento da renda do que as mais ricas.

Sergipe

A melhoria dos indicadores sociais em Sergipe se deveu a uma combinação do crescimento econômico com a ampliação das políticas sociais, inclusive de transferência de renda. Entre 2001 e 2009, trezentos e cinquenta e sete mil sergipanos deixaram a pobreza e entraram para Classe C, enquanto a Classe E encolhia.

A melhoria do mercado de trabalho, com a geração de mais postos de trabalho, foi uma das principais forças inclusivas. A PNAD de 2011 revela que o número de pessoas ocupadas em Sergipe cresceu 27% na comparação com 2001, contra a média de 23% no Brasil, ambas as taxas superiores ao crescimento da população economicamente ativa. Foi o resultado mais elevado entre os estados do Nordeste. Entre 2001 e 2011, mais 204 mil pessoas passaram a ter ocupação, formal ou informal, em Sergipe.

No período mais recente, entre 2006 e 2011, os indicadores socioeconômicos de Sergipe registraram avanços significativos. Com o aumento do emprego de qualidade, a renda do sergipano se elevou.  A renda média familiar per capita de Sergipe passou a ser a mais alta do Nordeste, frente ao segundo lugar que ocupava em 2006, quando se situava atrás do Rio Grande do Norte.

O rendimento médio da família sergipana, por membro familiar, vem crescendo acima da taxa média do Brasil e do Nordeste, fazendo com que melhorasse a sua situação relativa. Enquanto em 2006 esse rendimento representava 67% da média brasileira, em 2011 ele havia subido 9 pontos e alcançado 76%.  Na comparação com o Nordeste, Sergipe que superava o rendimento médio da região em 13%, em 2006, já se situava 22% acima, em 2011 (ver gráfico anexo).

Acesso a bens

Com mais emprego, maior estabilidade no trabalho, melhores salários, acesso ao crédito e, ao mesmo tempo, sendo beneficiários de programas sociais, mais domicílios brasileiros, notadamente aqueles situados nos estados mais pobres, passaram a contar com serviços públicos e ter acesso a bens de consumo duráveis, dados que sintetizam as novas condições proporcionadas pelo ciclo de crescimento inclusivo.

O número de famílias sergipanas com computadores em casa e acesso à internet pulou de 71 mil para 176 mil, entre 2006 e 2011, crescimento de 149%. Eram apenas 8,5% dos domicílios em 2006 e são 26,9% em 2011. O número de domicílios com TV saltou de 524 mil para 637 mil, ou seja, o bem está presente em mais 113 mil domicílios. Mais 147 mil famílias passaram a ter acesso à geladeira. Eram 81,6% dos domicílios, em 2006, e são 93,4% em 2011. O número de famílias com máquina de lavar se restringia a 75 mil, em 2006, e passou para 178 mil, em 2011, ou seja, mais 103 mil famílias tiveram acesso ao bem, crescimento de 137%. 



*Professor do Departamento de Economia da UFS e Assessor Econômico do Governo de Sergipe.

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