segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Valadares mostra deportação de moradores de rua no governo de João

A deportação de mendigos e outras pessoas recolhidas nas ruas de Aracaju e largados em outros estados nordestinos, em 1992, foi relembrada nesta segunda-feira (24) no programa de televisão do candidato Valadares Filho (PSB) no horário eleitoral.
A iniciativa da operação foi do próprio Governo do Estado, então sob o comando de João Alves Filho, em seu segundo mandato de governador. O banimento de moradores “indesejáveis” foi admitido na época pelo secretário de Comunicação do Estado, o jornalista Raymundo Luiz, que declarou em matéria publicada na edição de 22 de agosto de 1992 do extinto jornal Gazeta de Sergipe que a ação teria continuidade e era “prática comum em todos os estados brasileiros”.

Os que retornaram a Aracaju, vindos de Garanhuns, onde foram abandonados num viaduto, formavam um grupo de 29 pessoas, sendo 25 adultos e quatro crianças, algumas de colo, com menos de um ano de idade. No grupo havia também um adolescente de 16 anos e pessoas com necessidades especiais: uma mulher cega do olho esquerdo, um jovem epiléptico e um doente mental.



Foi possível realizar um levantamento detalhado porque em Garanhuns o grupo foi resgatado pela seção local da Ordem dos Advogados do Brasil, que entrou em contato com os colegas da Comissão de Direitos Humanos da OAB sergipana. Os deportados foram escoltados de volta pela PM pernambucana, em um ônibus que veio diretamente para a sede da OAB em Sergipe.

O programa exibiu uma reconstituição do recolhimento de pessoas que viviam nas ruas da capital, forçadas a embarcar em viaturas da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros e despejadas na cidade de Garanhuns, no interior de Pernambuco.

A Comissão de Direitos Humanos da OAB de Sergipe tomou o depoimento de cada um deles, reconstituindo todo o ocorrido e encaminhou documento ao Ministério Público Estadual pedindo investigação pelos crimes de lesões corporais e constrangimento ilegal.


Hematomas e escoriações foram constatados nas vítimas, segundo a notícia crime assinada pelo então presidente da OAB sergipana, Jorge Aurélio Silva, que denunciou ao Ministério Público diversas autoridades apontadas como responsáveis pela ação, entre elas o secretário de Ação Social e o comandante do Corpo de Bombeiros.

Embora o governo alegasse que a ação se destinava a “repatriar” migrantes que desejavam partir mas não tinham como voltar à terra natal, foram identificados no grupo diversos sergipanos vindos do interior, das cidades de Boquim, Lagarto, Maruim, Neópolis, Riachuelo e Simão Dias. Havia também pescadores, tanto que tarrafas e anzóis foram listados entre os pertences de algumas das pessoas ouvidas ainda em Garanhuns pela OAB.

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