quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Déda assegura U$ 70 milhões, do Banco Mundial, para a recuperação do Rio Sergipe

O governador Marcelo Déda e a diretora do Banco Mundial (Bird) para o Brasil, Deborah Wetzel, assinaram, nesta quinta, 13, em Brasília, o contrato Águas de Sergipe. Serão U$ 70,275 milhões destinados a "aumentar a disponibilidade de água tratada para as populações da Bacia do Rio Sergipe", segundo resumiu o governador.

Este montante soma-se a outros U$ 46,85 milhões da contrapartida de Sergipe, já em execução pela Companhia de Saneamento do Estado (Deso), aplicados em esgotamento sanitário. Convertidos à nossa moeda, os valores equivalem a R$ 234 milhões voltados para irrigação, preservação e recuperação do meio ambiente, abastecimento de água, construção de esgotos e educação ambiental.

"Exemplo"

Conhecedora da falta de chuvas no semiárido nordestino, Wetzel mostrou-se satisfeita com o contrato, pois "irá ajudar o Estado justamente a promover um uso mais eficiente de seus recursos hídricos". Em seguida, listou as três metas que o Bird busca em suas parcerias: inclusão social, o menor impacto ambiental e a capacitação técnica dos profissionais envolvidos. "O programa Águas de Sergipe é um exemplo neste sentido, pois irá incluir todas estas áreas", aprovou.

Com o projeto, o Governo de Sergipe pretende promover a recuperação ambiental do rio, com, por exemplo, a restauração das matas ciliares. "É investir no meio ambiente, mas é investir também na melhoria da qualidade de vida das populações que vivem na região da Bacia do Rio Sergipe", delineou o governador.

Para recuperar a qualidade da água e a "pujança de seu curso", o projeto prevê múltiplos investimentos. "Nós temos previsão de investimentos para implantação de adutoras, implantação de sistemas de abastecimento, recuperação da qualidade ambiental da água do rio e de alguns açudes na região da sua bacia, em esgotamento sanitário para melhorar a qualidade de vida da população e para proteger as águas do próprio Rio Sergipe".

Alma sergipana

O Águas de Sergipe, prosseguiu Déda, prevê ações desde a divisa com a Bahia, em Carira, até Aracaju. "Nós estamos trabalhando para recuperar um dos rios mais importantes do nosso estado. Talvez o rio que tenha mais identidade com o povo sergipano depois do Rio São Francisco".

Rio com "relação íntima com o povo sergipano", o Sergipe "atravessa o sertão, passa pelo agreste, vai para o litoral onde, na cidade de Aracaju, deságua no Oceano Atlântico. É um rio, portanto, que guarda no seu trajeto as várias regiões do estado".

Do sertanejo, do "agresteiro" e do praiano, trata-se de um rio "que dialoga com a alma do nosso povo. É um rio que está dentro da cultura sergipana e da alma do sergipano. É um rio que, além de cruzar o território físico do território de Sergipe, também atravessa o coração e alma do sergipano".

Municípios

A preservação do Sergipe, que pode ser seco em algumas épocas do ano e caudaloso na foz, é crucial. "Precisamos preservar este rio porque é o rio que passa por tantas cidades, é o rio que passa por Carira, por Glória, por Ribeirópolis, a cidade histórica de Laranjeiras, é o rio que chega na Grande Aracaju, que chega na nossa capital dividindo os municípios de Aracaju e Barra dos Coqueiros".

O montante que será desembolsado pelo Banco Mundial vai se juntar a outros investimentos do Governo do Estado. É o caso das redes de esgoto da Barra de Coqueiros, já completada, de Nossa Senhora do Socorro, de Aracaju e de São Cristóvão.

Os investimentos anteriores ao Águas de Sergipe contemplam, ainda, o Rio Vaza Barris. "Quer dizer, os dois grandes rios que desembocam na capital de Sergipe estão sendo objeto de investimentos anteriores a este programa e que visam tratar o esgoto e evitar que ele seja lançado in natura nas águas de riachos, nas águas de afluentes que terminam sendo conduzidos para o Rio Sergipe".

Gerações

"Em Aracaju, por exemplo, Santa Maria, Coqueiral, o Augusto Franco, o bairro Jardins, vários bairros da nossa capital, têm merecido investimentos na ampliação do esgotamento sanitário de Aracaju", lembrou o governador. Assim, o Rio Sergipe terá "condições de uso para a prática de esportes e para o lazer da população, voltando a conviver com o sergipano e com o aracajuano da mesma maneira como conviveu com gerações do passado, e, melhorando a qualidade da água".

"E, portanto, isto melhora a saúde das pessoas, melhora o turismo e, sobretudo, preserva para as futuras gerações a natureza sergipana", concluiu. Na cerimônia na sede do Bird, o governador foi acompanhado pelos secretários do Meio Ambiente, Genival Nunes, de Planejamento, José de Oliveira Júnior, e da Fazenda, João Andrade Vieira.

Um comentário:

  1. Boa notícia. É inacreditável Aracaju ter a foz do Rio Sergipe em mãos e contribuir diuturnamente para a sua poluição, através de galerias que deveriam ser para chuvas, mas viram verdeiros esgotos tamanho família a céu aberto. Não sei como o Ministério Público de Sergipe ainda não tomou rédea da situação em proteção ao meio-ambiente e, consequentemente, a toda uma sociedade.

    ResponderExcluir