terça-feira, 25 de setembro de 2012

COLUNA MAX AUGUSTO: A eleição do João sozinho

Uma das frases mais repetidas (e correta) na disputa eleitoral: “Política não se faz só, se faz com grupo”. É a soma de lideranças que sedimenta uma candidatura, é a união de aliados que dá força e visibilidade à uma campanha. Mas, nadando na contramão deste adágio, Aracaju testemunha uma campanha muito solitária na disputa pela Prefeitura. E o ex-governador João Alves Filho (DEM), propositalmente, é o postulante mais só.

Numa minuciosa estratégia política, João optou por afastar da sua campanha seus principais aliados. Gente que caminhou com ele durante todas as suas décadas de estrada política, é posta agora para baixo do tapete – ou seja, tem gente achando que mostrar o rosto das pessoas que apoiam João ia atrapalhar mais do que ajudar.

Caso o governador João Alves Filho (DEM) saia mesmo vitorioso da eleição na capital sergipana, pode-se dizer com tranquilidade que ele ganhou ‘sozinho’, sem ajuda dessas lideranças. Afinal, parece que todas sumiram, não se vê essas pessoas no horário eleitoral, e muitas vezes sequer nas ruas. Vamos aos sumidos.

Oposição
Um dos nomes que está mais ausente é o líder da oposição na Assembleia Legislativa, deputado Venâncio Fonseca (PP). Desde que João perdeu o governo para Marcelo Déda (PT), em 2006, o ex-governador tem no deputado a fagulha mais forte da branda oposição que se é possível manter no poder Legislativo Estadual.

Venâncio foi deputado combativo, foi o homem que mais questionou o governo Déda, e quando muitos amigos do doutor João sucumbiram ao magnetismo do Executivo, ele se manteve uma voz quase que solitária, soltando piadinhas infames, repercutindo reportagens e ajudando a desgastar o atual governo. Portanto, não seria surpresa se ele tivesse papel de destaque nesta eleição.

Mas Venâncio pisou na bola. Ele perdeu a simpatia do seu ex-líder após o episódio quando blefou que seria candidato a prefeito, com o único intuito de pressionar uma aliança entre o grupo dos Amorim e João. Aliás, para muitos ficou claro ali que Venâncio é hoje liderado do grupo dos irmãos Amorim, não de João.

Saúde
Outro sumido é o vice-líder da oposição na Assembleia, Augusto Bezerra (DEM). O deputado, aliado também das antigas, tentou pegar uma carona na popularidade de João e quis emplacar uma candidatura à Prefeitura de Nossa Senhora do Socorro, tentando viabilizar uma aliança, pasmem, com o PC do B – partido do atual prefeito da capital, que Bezerra tanto critica.

Após ver sua candidatura naufragar, Bezerra acalmou seus discursos cheios de denúncias e também se afastou. Ele foi um dos maiores críticos da Saúde no Estado, sendo um dos responsáveis pelo desgaste sofrido pelo então secretário Rogério Carvalho. Augusto chegou a exibir diariamente, no plenário da Assembleia, reportagens mostrando problemas no setor.

Amorim
Há ainda o senador Eduardo Amorim (PSC). Ainda que seu grupo venha sendo alvo de constantes denúncias e insinuações, Eduardo é um cara simpático, bem preparado. Além disso, como seu próprio grupo gosta de lembrar, foi eleito senador com votação superior a do governador (vá lá, mesmo sabendo que os eleitores poderiam votar duas vezes para o Senado e só uma para governador).

Junto com sua boa postura, Eduardo carrega onze partidos sob a batuta política do seu irmão Edvan. E onde está Eduardo nesta campanha? Nem sequer uma aparição breve, um depoimento. Logo dele, que foi secretário de Saúde do governo de João Alves. No momento em que o setor vem sendo tão criticado, comandando os debates, João esconde seu ex-secretário, irmão do seu ex-genro.

Há outro nome forte longe dos holofotes: o deputado federal André Moura (PSC). Parlamentar bem votado e que vinha apresentando bons projetos Câmara, foi ele um dos principais interlocutores nas conversas de reconciliação entre os Amorim e João. Mas por onde anda André? Se já não estava envolvido na campanha, após uma condenação judicial por conta de sua administração no município de Pirambu (o magistrado avaliou que ele desviava recursos da merenda escolar), o deputado ficou ainda mais quieto.

A própria senadora Maria do Carmo Alves (DEM), esposa de João, foi outro rosto muito pouco visto. A especulação era de que seu afastamento poderia ser devido à possíveis limitações físicas decorrentes de problemas de Saúde. Mas não foi isso. Tanto que na reta final ela foi alçada novamente ao seu posto de importante interlocutora com a periferia. E agora, no finalzinho da campanha, estrelou inserções do seu partido no horário eleitoral. Talvez por conta do crescimento de Valadares Filho nos bairros da periferia, como alguns avaliam.

 E por fim, o sumido mais lembrado: o próprio vice na chapa da João Alves, José Carlos Machado. Ele que já não apareceria muito, apareceu menos ainda, após ser envolvido numa polêmica por querer pagar seus impostos relativos a alguns terrenos na Zona de Expansão ao município de São Cristóvão. O fato de ser um milionário, dono de belo patrimônio – e segundo seus adversários sem declarar tudo – também ajudou. Excluindo a participação em alguns programas de rádio e matérias em jornais, Machado caiu no limbo.

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