quarta-feira, 19 de setembro de 2012

ARTIGO: TRÂNSITO - CAMPANHA SEM PUNIÇÃO NÃO MUDA A REALIDADE

Por Sydnei Ulisses, instrutor de trânsito - sydneiulisses@gmail.com

Semana do trânsito tenta conscientizar jovens da importância de evitar excesso de velocidade para preservar a vida. Entendo a disposição das autoridades, mas, penso de nada servirá outra campanha sem políticas comprometidas com o combate a impunidade generalizada.
Já em 2007 o ibope apontou a triste realidade de que 60% dos condutores de motocicletas e 30% dos condutores de automóveis o fazem sem ter passado por qualquer treinamento e por óbvio sem a necessária habilitação.
 
Nossos ciclistas transitam na esquerda da via como se fossem orientados para isso, sobretudo trabalhadores e jovens que utilizam este meio de transporte como alternativa para fugir do custo das passagens de ônibus.  A conseqüência é que cinco ciclistas já perderam a vida só no primeiro semestre de 2012 em Aracaju.
Nos Centros de Formação de Condutores, as auto-escolas, o assédio dos alunos é sempre para não cumprirem a carga horária para o curso teórico e prático, pouco se importam com o aprendizado que de fato será o único durante toda a vida.
Pais querendo baratear o custo da habilitação para seus filhos também é comum, assim, sem qualquer condição de formar condutor, montam balizas e transitam nas ruas cometendo a irresponsabilidade de entregar a direção dos veículos a seus filhos.
As instituições se recusam a discutir o tema, e mesmo as escolas que tem a possibilidade de incluir trânsito como disciplina extracurricular no ensino médio, beneficiando os alunos com a liberação dos cursos teóricos das auto-escolas, não o fazem.
Fato é que a semana de trânsito está mais para jogo de cena do que a vontade efetiva de intervir no numero de vitimas, de outra forma as políticas seriam canalizadas para chegar especialmente nas escolas de ensino médio, publico que ocupa as vias sem estarem minimamente preparados, seja nas bicicletas dos jovens de menor renda, seja nos veículos modernos e caros dos filhos das famílias abastadas. A diferença básica é que os jovens pobres são os atropelados e os mais endinheirados se arrebentam nos postes e capotamentos.
Fiscalizar e tirar das vias os não habilitados, punindo-os nos termos da Lei, atribuindo ás famílias e as instituições de toda natureza, inclusive as religiosas, a necessidade de tratar o tema com a seriedade necessária para evitar que nossos jovens continuem sendo mortos, é que de fato pode mudar a realidade vivida em Aracaju e na maioria das cidades brasileiras.

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